domingo, 15 de agosto de 2010

fomos sair _ de volta ao miradouro

Meto para baixo, 'a esquerda. Descemos toda a rua, nas calmas.

Miradouro, perto da fabrica. Estacionamos mesmo como ha' bocado,

por sorte nao esta ninguem, na mesma.

Agora que escrevo, sinto que gostavas que estivesse ao teu lado .

Olho para a tua fotografia e chamas-me. Tambem te queria aqui.

Mas nao faz mal; sempre foste forte como eu.

Estamos estacionados. Boa noite. Ja e' quase uma, vejo no relogio do carro.

Desligo as luzes do carro, deixo a dos manometros acesas; apetece-me.

Desligo o motor. Janelas meio abertas... mais um bocadinho de paz

e sossego.

Ola' Princesa.

' Daqui a bocado tenho de ir para casa, ja' e' tarde, disse que nao

chegava muito tarde '

' Combinado , eu levo-te mas ... so se me apetecer '

' Nao. 'Es mau. Tenho de ir. '

' Nao tens nada, nao sejas má, ficamos aqui a namorar e a falar mais,

va la' '

' Hmmmm. Deixa ca pensar...

Nao! '

Rebolo os olhos e franzo o sobrolho, a olhar para ti.

Aperto te um bocado o nariz. Tu odeias isso.

' Oh, pa' que chato !!! Ta quieto !!! '

' Ah ah ah ah ' rio-me.

' Nao faças isso outra vez, detesto isso '

' Nao, prometo ' e levo a mao perto do teu nariz outra vez como se fosse

faze-lo.

' Oh pa!!! ' dizes irritada.

Rio com suspiro.

' Parvalhona '

Encosto-me no banco do carro... fico na minha...

Ahhh, que bom. Um momento de silencio... descanso.

' Bela noite. Algumas estrelas '

' Sim, por acaso, nao ta mau ' concordas.

' Nao sabes que nao devias de concordar, assim a nossa relacao nao tem

piada '

' Ah. '

Rolo a minha janela completamente para baixo, a tua ja estava.

Fico, so no meu mundo... a absorver o nada, fora de tudo. La para o fundo,

no meu espaço estelar. Estou la bem longe. Nao me apetece dizer nada

por um

segundo. Nem pensamento tenho. Realidade pura. Aqui estou.

Mexes no saco. Tiras de la as gomas quadradas, começas a abri-las.

Fico a ver-te. La estas tu a tentar abrir aquilo. Tens piada.

Se precisares de ajuda, diz, penso.

Não, deixa estar, respondes.

La continuas a abrir aquilo, sempre gostaste de doces e coisas dessas.

Ja esta´. Abres aquilo, e empurrando com o dedo, sacas uma goma

laranja;

molinha, coberta de açucar, e leva-la 'a boca.

Abres a boca devagar, vejo os teus labios, rosados por natureza,

mas mais,

pelo baton, perfeitos, sao os teus, metes a goma sobre a lingua, e fechas

a boca, lambendo o labio de baixo para tirar o açucar que la ficou.

Viras a cara para mim e ficas com um sorriso, que nao sei qual era,

boazinha, mazinha?

Ai, Cleopatra.

Que bela noite, ja nao estavamos assim na boa ha uns dias, as vezes estou

contigo mas mais naquela, hoje estou fixe. Sinto me bem.

Esta tudo bom. Nem sei porque.

Deixa ca ver. Estou aqui. No carro, encostado, fresco, com estilo, penteado

( nao me estraguem o penteado ), com tempo, bem disposto, e com uma

rapariga linda ao meu lado. ( Mesmo quando fizeres anos vais ser rapariga

na mesma para mim, pode ser ? )

La fora, nao se passa nada, um fresco da brisa,

rolled down windows, dashboard em tres tons de azul,

com full instrumentation,

luzes manometros ligadas; desligo-as. Ah que belo painel de instrumentos,

meu bom Buick. Ainda nao disse como te chamas. Talvez depois.

Serás um ou uma ?

Cá para os meus pareceres, deves ser uma. Ja falei de ti,

mas o teu nome,

nao o revelei.

Deixa ca ver a Leonor...

Lá esta ela... E' mesmo uma visao inusual. Mesmo. E' que podias ser gira.

Mas nao, tinhas de ser lindissima, uma cara perfeita, para mim, sei la,

vou olhar para ela. Aqueles olhos, meu Deus, morro. São castanhos, só

castanhos, escuros, assim . O teu rosto e' para o magro, muito bonito,

sempre me atraiste, desde o dia que te conheci, parece que tens qualquer

coisa de timida, 'e estranho. Cabelo castanho, tom muito doce, liso,

mas com ondas largas, ao comprimento, dando lhe algum volume,

mas nada excessivo, e' muito natural.

Olho para o teu corpo, sublime.

Sob o top vejo o teu peito, bonito, um so toque de decote, nada exagerado;

'a cintura, um cinto fino, a apertar os jeans azuis que trazes,

justos, são levi's 501, sobre as tuas pernas, tambem muito esguias

e perfeitas, meio magras, mas muito seguras.

Para acabar uns sapatos brancos, meio salto,

mais ou menos afilados, nao sao dos mais bicudos. Agora olho o conjunto,

e vejo a tua imagem... 'es tu, vejo-te tao bem, e dizendo em verdade,

sempre nos conhecemos bem...

Fico assim um tempo só a olhar para ti, tu estas entretida a comer

umas gomas açucaradas, e talvez vas pensando qualquer coisa,

mas pouco parece me; estas muito calminha.

Sempre tiveste paz, o que e'raro; e foi essa uma

das coisas que me atraiu em ti, seres calma. Serena. Tens ataques de

tristeza

e paranoias, mas isso sao filmes teus. Tu 'es calminha.

Queres que diga que te conheço melhor do que te conheces a ti?

Pode ser. Mas olha. Gosto de ti. E vou ficando , assim a olhar para ti,

bonita, simples, calma; bonita. Muito bonita. A beleza e' algo que nasce

connosco, mas tambem dá trabalho, nao e' gratuita.

Vem tambem de dentro, muito. Para mim, e' assim; ainda bem.

Queres que te diga o que, mais?

Nao, nao preciso de estar na America Central, numa praia qualquer,

com o Sol a cair, todo bonito, laranja ou de uma outra qualquer cor.

Tudo isso e' banal, para mim, queres o que, sou um foleirao,

bastas-me tu, bastas-me tu. Por isso, por isso, e' que .

Basta-me esta noite, contigo, aqui, nesta cidade banal, mecanica

quanto baste, num qualquer miradouro nosso, numa noite, num Buick '58

a dar o tom, e sim, basta-me isso. Obrigado. Vénia. Colho os louros.

Sou um foleirao, e o resto nao digo.

E aqui estou. Deste lado, apaixonado... sem te ter.

O relogio do carro, olho-o, mesmo sem as luzes ligadas vejo, marca,

e' uma, um quarto. Ainda temos mais tempo. Tempo.

E' como magia, este tempo assim, parece que ha mais qualquer coisa,

porque, ja estive contigo mais vezes, mas as vezes e' especial, e'

mais magico, sobrenatural, parece que faz eco no tempo,

tem uma definicao especial, pergunto me, o que sera'.

E' fora do normal, la isso e',

e' quase religioso. Divino. E' uma especie de eternidade, num pequeno

momento. E continuo a ver-te, mas melhor; igualzinha, mas melhor.

Estas igual, nao mudas. Linda. Como sempre. Chego me no banco,

um pouco,

a ti, de mansinho, enquanto comes as tuas gomas, entretida, chego me so

um pouco, para nao te perturbar, e passo a minha mão direita, os dedos,

pelo teu cabelo, de cima, para baixo, por cima do cabelo, devagar,

como uma caricia, ate' a extremidade do cabelo; que fica sobre o teu peito.

Deixo a mao, levemente sobre o teu ombro, e fico a olhar-te, de mansinho;

a olhar, so um bocadinho, so um pouquinho. Páro um pouco.

Acabas de comer mais uma goma, reparo. Olho-te nos olhos,

por um pouco,

com sinceridade, simples, ponho a mão por tras da tua cabeça, por entre

os cabelos, e levemente, chego o meu rosto ate´ ti.

Beijamo-nos, docemente, com um amor muito terno e leve,

mais 'a superficie; os nossos labios tocam-se; conhecem-se,

um pouco humidos, um beijo muito terno, suave, com um toque de paixao.

Beijamo-nos.

Afasto os meus labios dos teus, devagar, e fixo os teus olhos, o teu rosto.

Ah, Leonor. Esta noite.

Esta noite.

Vamos fazer o mundo dançar a nossa melodia? Como uma orquestra,

toda sincronizada, vamos tocar a nossa musica, ficar aqui, nao,

eu nao conto a ninguem.

A felicidade enche me o peito, estou contente por estar aqui,

chego me de novo a ti, sorridente, mas uma nostalgia maravilhosa no

peito, abraço-te, de lado, fico agarrado a ti. Olá Princesa!!!

Dá-me o teu Amor, ainda que viva sem ele, nao e' a mesma coisa...

não e'. Fico abraçado a ti. Não posso deixar de fazer algo simples,

com significado para nós, tenho de me lembrar disto, vou lembrar-me;

vou lembrar-me... vou lembrar-me. Uns dias depois deste, gravamos num

parque

e tambem numa arvore aqui no miradouro, João + Leonor para sempre,

dentro de um coraçao, e uma setinha... Lembras-te???

Eu lembro-me, como me lembro bem dos teus

olhos castanhos, que me deixam assim. Dia apos dia, apos dia, apos dia.

Tenho o rosto perto do teu peito, virado para baixo, e enquanto te abraço,

fazes me festas no cabelo; sabe-me bem o teu carinho, sabe-me bem,

sermos so nos os dois, obrigado...

As vezes olho para uma foto tua enquanto escrevo,

para te ter aqui pertinho;

olho mesmo; tenho a aqui, e' aquela em que

estás com um chapéu de palha; sabes?

ahhhh, que falta me fazes,

meu amor, que falta me fazes. E naquela noite, no miradouro,

continuamos,

juntinhos, sem dizer nada, so na companhia um do outro... bastava-nos,

a companhia um do outro. Tempos simples, tempos simples, meu amor,

e sim, ouço-te, ouço-te, ainda ; ainda estás aqui. Olá Giraça, gosto de ti.

Falo com a tua foto, 'as vezes, digo:

' estás gira hoje ' e sorrio.

Carro, 1985, abraçados, puseste os teus braços a minha volta, e continuo,

caido, no teu peito, agarrado, agarrado, a ti; e seguro, seguro-me com

força, como se soubesse, que um dia ia ficar sem ti...

Falemos, falemos; nao, calemos, calemos. Ahhh, Leonor,

meu amor e' para ti.

Quebramos o abraço, e mais uma vez, sentado a teu lado, ponho me a

olhar

para ti; para ti.

Namoramos mais um pouco ?

' Dás-me mais um beijo ? ' pergunto.

' Claro, João ... '

Juntamos os nossos labios, em cumplicidade, de mansinho, para partilhar,

o nosso beijo, que fizemos so para nos, uma estrutura nossa, tua, minha,

partilhada por nós... Beijo os teus labios, meigamente, com alguma

pressao,

humidos, com alguma paixao, beijo-te, vagarosamente, com lentidao,

e em tom de resposta, devolves me a paixao, amplificada, pelo teu

coração,

estamos, sim, no centro do universo, esta e' , a nossa cançao, universal,

como o tempo, sou teu; atenção... beijemo-nos, meu amor, com intenção.

Devolves-me o beijo, em meus labios, as nossas linguas tocam-se, ao de

leve, molhadas, a isto eu chamo paixao... perdido, estou perdido,

meu amor, pela tua paixao,

salva-me, deixa-me, salva-me, deixa-me, nao brinques com

o meu coração... aceleras o meu compasso com o teu beijo...

Nao me deixes nervoso,

sou eu, o João... E este beijo, em que fechamos os olhos,

e nossas linguas se tocam, 'e a nossa afirmação, afirmamos que nos

amamos,

esta e' a nossa intenção... gravado numa arvore, para contemplação...

( Obrigado pelo teu amor, sou como uma máquina, em plena execução,

lagrimas acorrem, aos meus olhos, enquanto escrevo, e' emoção... )

Acabamos este beijo.

Fico, a teu lado; de novo, no carro.

Ah, a noite, a noite. Esta' uma brisa optima... Fico aqui a teu

lado mais um pedacinho, so a passar uns segundos; no radio parece-me

ouvir qualquer coisa, deixa ver...

Levanto um bocado; pouco; e' mesmo . ' Telephon Boys - Get up Get up ! '

Este som e' porreiro, italodisco. Mesmo da noitada. Ah ah.

Estás linda, hoje... 'es linda... deixa me morrer, sou feliz... obrigado.

Linda, linda, linda. Chego-me a ti, ao pe dos teus cabelos, cheiro te os

cabelos; teem um cheiro misto do champoo que usas; com o teu cheiro

proprio... ahhhh; meu Deus. Deixa-me cheirar o teu cabelo mais um pouco...

Cheiro-te por detras da orelha, um pouco mais atras.

Gosto.

Cheira bem.

Cheira a ti, e levemente a champoo; e talvez a nicotina até.

Inspiro o ar com esse cheiro, fecho os olhos e deixo o cheiro entrar em

contacto com a minha alma,na esperança que fique la' gravado...

Lembro-me vagamente desse cheiro, do teu cabelo, 'as vezes passo em sitios

ou assim, com um cheiro semelhante, e; lembro-me de ti... Tu queres la'

saber, la' estaras com um outro qualquer; a vida e' assim.

Mas eu nao me esqueci; nao... eu lembro-me. Vagamente... ou ate bem.

Dizias, que eu, as vezes, tomava o teu controlo.

' Deixas-me fora de mim ' disseste.

' Não faço por mal '

' Deixa-me, 'es mau! '

' Isso, nao posso fazer, sou viciado, ja devias saber ' refiro.

E tu, aborrecida, olhas me com olhinhos atentos e grandes...

' Mau ! ' Dizes.

' Cala-te ' Sorrio.

Bato um bocado o pé ao som da musica, levemente, ali no carro ao pé de ti,

esta uma bela noite, uma bela noite, de verão, ou primavera, talvez,

ahhh, que bom; que bom. Ca estamos no miradouro. Deixa me ca ver as tuas

gomas.

' Da-me uma goma Leonor '

' Toma ' pegas no involucro, e começas a tirar uma.

Dás-ma para a mão, 'e vermelha.

' Obrigado, vou provar ' Levo a goma a boca; tu olhas para mim, atenta.

Eu sei que tu 'es esperta, e que estas ai. Eu sei. Tu sabes.

Saboreio a goma, uma textura amolecida, meio mole, gelatinosa,

mas nao muito rija, suave, com açucar por cima... por assim dizer,

acho que ja' tinha provado gomas destas, sao fixes. Esta, e', de ...

morango parece-me.

' E' de morango ' digo.

' Sim, e' , as vermelhas sao de morango, as amarelas de limão, as verdes

sao de sonasol, as brancas sao de fruta mágica, e coisas assim '

' Ahhhh... 'ta bem. Esta e' fixe, queres? '

' Sim. ' e acenas com a cabeça, continuas

' Dá-me '

Entao, lambo a goma mais um bocado, puxando lhe o açucar mais um pouco,

' Nao chupes o sabor todo, lambão ! '

' Ok ; toma , toma '

Chego a minha cara ao pe' de ti, trinco meia goma, levemente, e ,

encostando a minha boca na tua, dou te a goma restante.

' Bandido !!! Comeste metade da gominha !!! '

Encolho os ombros, e inclino a cabeça, ao estilo, desculpa.

Fazes cara de má; duvidosa.

Olho para ti um pouco... Vejo o teu rosto claramente...

Vejo-te claramente. Sorrio, e tambem por dentro, secretamente, sorrio.

Sou feliz. Sou feliz. Faço-te uma pequena cocega de lado, na barriga,

( esbelta, por sinal )

e encolhes-te um pouco, sorris, com esse teu sorriso; espectacular;

tao simples, mas tão magnifico; que me aquece por dentro...

e' como uma luz; magnifico, amor.

Magnifico, amor.

Sorrimos, muito ao de leve; ficamos, na noite; levados pelo nosso Amor.






jf ( 11 )

08 / 08 / 10

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