Acelero, fazemos a rua toda. Vemos alguma gente, felizmente nao muita,
gosto de estar na boa, contigo, sem multidoes. Nao sei porque,
sempre fui assim. Esquisito. Esta optimo. A feira, parece estar fixe,
tem algumas atracções fixes, mas nos queremos e' o carrocel.
' Se vires um lugar diz me '
' Ok ' respondes, e vais olhando nas calmas.
Rolo mais um pouco...
' Esta ali um fixe , ve '
' Ok. ' Vou ate la, deixa ca ver se cabe. Cabe. Ok, viro o volante,
e estaciono, de frente, ate tem uma outra vaga ao lado.
Meto em PARK, e meto o travao de parqueamento. Desligo o carro, pego nas minhas
cenas.
' Vamos, amor '
' Sim, vamos, deixa me so arrumar isto na mala '
Saio do carro, saco um cigarro do maço, acendo. Na boa...
Vou ter ao teu lado, e olho la para dentro. Tu ves-me, e sorris;
piscas o olho. Abres a porta, que eu seguro; sais.
Olho para ti. Bela. Dou te um beijo no rosto, sinto os teus cabelos tocar-me.
Sorrio. Fecho a porta com um baque seco. Fecho 'a chave.
Pego na tua mao, e caminhamos para atravessar a estrada para a feira.
Cinemascope, vejo tudo, as cores, o ambiente, as atrações...
Isto esta a acontecer agora... caminho, sinto-me bem... sentimo-nos bem...
Olhamo-nos, de mao na mao e caminhamos. Atravessamos a estrada.
' Ah, ah, olha, olha, algodao doce, ves Joao '
' Sim . Ja vamos comprar, amor '
Vejo pessoas, algumas, nao muitas, mas na verdade, estou só...
contigo... estamos só, nos os dois...
Espanto. Tempo algo desacelerado. Cores, sons, cheiros.
Desço 'a Terra, falo contigo.
' Vamos ali comprar o algodao '
' Vamos ! '
Vamos ate lá.
' Um algodao doce, por favor '
' Que cor ? '
' Azul ' e olho para ti, tu acenas que 'sim'.
' Azul, entao ' diz o rapaz.
O rapaz la faz o algodao, despeja os corantes ou que e', e em breve me
da o algodao doce.
' E' para ela ' digo.
Tu estendes o braço e pegas no algodao doce, feliz, sorrindo.
Eu, saco dumas moedas que tenho aqui no bolso, e pago.
' Esta certo ' diz o rapaz, e eu aceno.
' Boa tarde ' digo, ao que o rapaz responde
' Boa tarde '
' Vamos! ' digo-te.
' Sim ' respondes, e vais comendo o algodao.
Estas bem disposta, e piscas-me ambos os olhos enquando comes o algodao.
Caminhamos ali pela feira, estamos ao pé de mais roulotes e tendas com
comestiveis. Ali , esta uma tenda de tiro ao alvo. Devem dar uns bonecos
de prenda. Curtia ganhar um para ti. Acho que nunca experimentei mandar
uns balazios naquelas latas, nem curto muito, apesar de ate ter boa pontaria.
' Vou ganhar um peluche para ti, sacaninha, fixe? '
' Ya, boa, era fixe, baza ver o que há '
Vamos ate la, pelo meio da cor, e das musicas que se vao ouvindo de fundo...
Topamos que animais terao... Hmmm, deixa ca ver.
' Ve, sacaninha, teem muitos '
Tu poes te a olhar para escolher.
' Deixa ver, deixa ver... hmmmmm ' e continuas a olhar, a olhar.
' Ja sei quero aquele coelho, muita giro '
' 'Ta bem, vou tentar mas nao prometo nada , ok? '
' Mas tenta, eu quero '
' Ok, pronto '
Ha lugar para eu atirar, e entao chamo o rapaz que esta nesta tenda.
' E' para mandar uns tiros entao '
' Ok, diz ele '
Pago logo, ele agradece e da me a pressao de ar para a mao.
' Ok, entao vamos la ver isto ' penso para mim.
Aponto para as figuras que mexem, sao patos.
Eles vao andando. Concentro-me, aponto.
Dou um tiro. Falho. Os patos mexem-se. Continuam.
Dou outro tiro. Acerto, um pato foi-se. Dou outro tiro. Outro pato.
Dou outro tiro. Falho. Ultimo tiro; acerto. Tres em cinco.
' Nada mal ' diz o rapaz da tenda.
' Tres em cinco, da o que ? '
' Tudo o que estiver deste lado ' e aponta. O teu coelho, ate esta lá, que
sorte.
' Quero o coelho, pode ser ? '
' Certamente ' e vai para pegar-lhe.
' Olhe, importa-se de mo guardar um bocado, enquanto dou aqui mais uma volta ? '
' Ah, sim nao ha problema '
' Ate ja, entao ' digo, e o rapaz acena.
' Boa ! Ganhaste um coelhinho para mim '
' Tiveste sorte! '
' Hi hi ' ris.
' Baza, va vamos dar uma volta '
Damos o braço um ao outro, e passeamos por ali. Algumas atracoes, coisas giras,
algumas bancas de venda, oculos, carteiras, cenas superfluas e outras que tais.
Passeamos... Penso em algo. Olho em redor, olho; penso. Penso.
Pego-te pela mao. Olhas me em tom de duvida.
Puxo-te, puxo-te. Passamos por tendas, passamos, andamos, saimos daquela area,
ficamos ali ao lado, onde ha umas arvores que rodeiam.
Sorrio para ti. Olho-te, sinto me feliz. Levo-nos para perto de uma
arvore, 'a qual tu te encostas, olhando-me. Sorris.
Estás linda com o teu vestido branco, linda; linda, como uma visao.
Chego me perto de ti, encosto-me a ti. Olhamo-nos, com alguma paixao.
Frente, a frente, olhamo-nos... quao belo e' o Amor.
Meto a minha mao direita na tua perna, do lado de fora,
perto do joelho, e vou subindo devagar. Subo, so um pouco. Paro, pressiono
a tua coxa. Largo, e abraço-te... Olhamo-nos nos olhos;
beijamo-nos... lenta, e docemente, e' tudo belo, sentimo-nos bem.
Beijamo-nos. Neste dia, aqui, embalados por um silencio só nosso,
vivemos, ao nosso ritmo. O Ritmo do nosso Amor.
Fomos Sair
terça-feira, 19 de abril de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
fomos sair _ na feira _ cont II
Minha princesa.
Boa noite. Escrevo. Mais um pouco , mais um outro dia.
Iamos na estrada, bem me recordo. A meu lado. Nos prometemos,
ficar sempre juntos. Iamos pela estrada, fortes, como sempre.
Total. E iamos, olhando um para o outro, com o teu amor no peito,
conduzia, a ouvir o motor 5.8 Buick, sempre forte. Sem hesitar,
sorri para ti. Vi-te. Senti-te, a tua felicidade, a tua alegria.
Sorri. Conduzia. Eu sei. Com a mao esquerda no volante, meti a minha
mao direita sobre a tua. Ignicao. Amor. Combustao. Amor. Estrada.
Os teus olhos. Vamos ate 'a feira, vamos por um atalho que sei;
cortei. Subimos por ali, e entao seguimos. Encostaste o teu rosto no meu,
ahhh, o teu rosto, a tua pele, tu. Tu. Minha Rainha, Senhora do meu Reino.
O meu Reino a teus pés. 'Es bela. Belissima. Rara. Unica, uma só.
Ola Princesa. Estas linda hoje, o teu cabelo, esvoaça um pouco, as janelas vao
abertas e uma doce e fresca brisa entra, entra, e dá nos o doce aroma
das arvores que nos rodeia, nesta estrada, meio vazia, onde vamos, sim;
so nos os dois. Vejo, arvores, ervas, galhos secos, alguma terra, adorna a
estrada, e um sol, nada forte, apenas sol, um pouco quente, pouco.
Dás-me sorte. Dás-me sorte. Bato as teclas e sei que me dás sorte,
mesmo longe. O teu vestido, branco, fica-te um espanto. 'Es uma visao,
uma visao, olho-te, e conduzo. Olhos na estrada. Sigo so mais uns metros,
começo a desacelerar, tu estranhas, desacelero, encosto ali numa pequena
entrada. Paro. Tudo calmo. Movo me um pouco no banco, para perto de ti,
olho-te nos olhos, pouco fundo, vejo os teus labios, passo a mao pelos teus
longos cabelos, com leves ondas, belas. Beijamo-nos. Somos jovens.
Sentimos todo esta nossa paixao, e a beleza de ser. Assim. Doce, um beijo,
terno, mas com alguma paixao. Belo. Sempre gostei de te beijar, e nunca esqueci
como beijavas. De olhos meio cerrados, abri-os, a sentir o leve calor deste
inicio de tarde, aqui; espectacular. Fantastico. Bom demais para ser real,
mas real, sem qualquer duvida. Olho-te, foco os teus olhos, belos,
castanhos, com o teu olhar, a tua expressao, foste feita para mim;
faço-te uma festa no rosto. Estas feliz. Faço te feliz. Obrigado.
O meu peito enche se de felicidade. Que mais poderia eu querer do que
fazer te feliz? Nada. Abraço-te; juntos. Juntos. Afastamo-nos, e rimos:
' Ah ah... ' Alegria misturada com lagrimas, uma emocao imensa de Amor, e magia.
Hei-de para sempre acarinhar este tempo contigo. Esteja onde estiver.
Em guerra, em paz, onde for, guardar-te-ei comigo. Beijo-te na face,
volto ao meu lugar; acelero com força, o carro derrapa, e meto nos de volta na
estrada; o carro toma o compasso, vamos a meio gas, de novo na estrada.
Maravilhoso dia, Leonor. O aroma das arvores, da Natureza esta ao nosso redor,
faz-nos sentir bem. Faz-nos sentir bem. Fazemos a estrada, estamos aqui,
Pego no volante, e levo-nos.
' Mais 10 minutos e estamos la , vamos nas calmas ' digo.
' Sim. Pode ser. Vamos. Gosto de estar contigo Joao. ' respondes.
Sorrio.
' Tambem gosto de estar contigo ' respondo.
Seguimos pela estrada. Algumas curvas, algumas rectas. Um dia fresco e agradavel.
' Vamos comer algodao doce ? ' pergunto.
' Sim, por acaso ate gostava, compramos um e comemos a meias, boa ? '
' Pode ser ' acedo.
' Obrigada ! ' agradeces, melosa, com carinho.
E seguimos, pela estrada, vamos ate' a feira, andar por lá.
Divertir-nos um bocado.
Buick Special. Mao no volante. Controlo. Fazemos a estrada.
Esta uma tarde excelente, esta tudo calmo, o carro rola seguramente
sob o asfalto. Alguns arbustos adornam os lados da estrada.
Seguimos. Conheço bem esta parte da estrada, e' uma recta grande a seguir a
esta curva. Espera. E' aqui, faço a curva, que acaba; recta.
Piso um pouco o acelerador. O motor começa a elevar a rotação, o poder
sobre o capot faz se sentir, 5.8 ao serviço de um pedal, aplicados
'a Dynaflow automatica, que em breve, caso queira, entra em Overdrive.
Ok. Continuo a pisar... Sobe a velocidade, o odometro sobe, 35 mph,
40, 45, 50 mph, 70, 80, 90, 100 mph, ok. Ok. Estamos a andar.
Sorris para mim, com um ar seguro, cara de má.
Sorrio, pouco, serio, e mantenho, o motor ruge, alto, um som brutal debaixo do
capot, sentimo-lo, e' espectacular... Espectacular, uma maquina , a funcionar
na perfeição, rotacao , apos rotacao, sem hesitar. Vamos a abrir.
Olho para ti.
' Da me um nite , amor '
Abres a tua malinha e das me um cigarro, poe lo nos meus labios.
' Nice ' penso. Primo o isqueiro do carro. Va, aquece la.
A recta ainda dura mais um pouco, mesmo assim reduzo um bocado;
meto te a mao na perna esquerda, com alguma sedução, faço uma festa,
ao comprido, assim; so um pouco. Tens umas pernocas bem boas, digo te ja.
O motor ronca, forte, seguro, com aquele som, bem 50s, mantenho o a 80 mph.
O isqueiro salta.
' Esta pronto ' dizes.
Saco-o com a mao, e acendo o meu cigarro. Ok.
Puxo uma boa passa. Ahhh, ok. O carro, segue, segue. Esta parte e' meio descampada
com alguma vegetacao seca em redor, amarelada. O motor, ronca.
Eles nao nos compreendem. Isto e' o futuro. Estamos no futuro... e' outro
espaço, e' outro espaço... para além do comum. Comunicamos.
Estou aqui, no carro; abrando um pouco, reduzo, ate as 40 mph, vamos mais na boa,
para fumar o meu cigarro descontraidamente, e estar mais na boa.
Conduzo com uma mao, puxo mais fumo do cigarro, e expiro o, devagar...
sai em cascata, por ai. Estou com a minha cara de mau, como quem esta zangado,
com algo, e ao mesmo tempo triste, um duro. Olho os teus olhos, seriamente.
Espectacular, os teus olhos, o teu olhar, infinito; e' perfeito,
'es linda , e isso ninguem te pode tirar, ninguem. Tens os olhos mais belos
que ja vim em toda a minha vida. E olha que ja conheci muitas miudas...
Adorava, estar unido contigo naqueles momentos, magnifico. Eramos um,
com o outro.
' Beija-me ' digo-te.
Chegas-te mais perto de mim, mantenho os olhos na estrada, mas sem grande
atencao, vamos devagar... Sorrio de soslaio, e olho-te pelo canto da vista,
estas a minha direita. Metes os teus braços a minha volta, suavemente,
docemente, e beijas-me o pescoço, levemente , ate ao pe da orelha.
Serio. Estou serio. Desvio um pouco a atencao da estrada,
inclino so um pouco o rosto na tua direcção, olho-te brevemente;
damos um beijo nos labios, quente, mas leve, so um pouco molhado.
Rio levemente, para mim. Para dentro. Sei la do que ri. Sei la.
Afastas-te para o teu lugar. Abres um pouco mais a janela,
sacas o maço da tua malinha, puxas um cigarro, e acende-lo.
Ligas o radio. Esta a dar qualquer coisa, nao te agrada. Mudas de preset.
' Esta e' fixe '
Era qualquer coisa, New Wave, parece-me , metes assim baixo.
' Fixe ' reiteras.
Encostas-te ao banco, na tua, e vais fumando, na boa...
' Ja estamos quase lá , chavala '
' Fixe, esta me mesmo a apetecer um algodao doce '
' Hmm '
Chegamos agora a uma parte mais urbanizada, a feira e' aqui perto.
Desacelero por completo. Estou num STOP. A feira e' para esquerda,
la ao fundo. Ok.
Boa noite. Escrevo. Mais um pouco , mais um outro dia.
Iamos na estrada, bem me recordo. A meu lado. Nos prometemos,
ficar sempre juntos. Iamos pela estrada, fortes, como sempre.
Total. E iamos, olhando um para o outro, com o teu amor no peito,
conduzia, a ouvir o motor 5.8 Buick, sempre forte. Sem hesitar,
sorri para ti. Vi-te. Senti-te, a tua felicidade, a tua alegria.
Sorri. Conduzia. Eu sei. Com a mao esquerda no volante, meti a minha
mao direita sobre a tua. Ignicao. Amor. Combustao. Amor. Estrada.
Os teus olhos. Vamos ate 'a feira, vamos por um atalho que sei;
cortei. Subimos por ali, e entao seguimos. Encostaste o teu rosto no meu,
ahhh, o teu rosto, a tua pele, tu. Tu. Minha Rainha, Senhora do meu Reino.
O meu Reino a teus pés. 'Es bela. Belissima. Rara. Unica, uma só.
Ola Princesa. Estas linda hoje, o teu cabelo, esvoaça um pouco, as janelas vao
abertas e uma doce e fresca brisa entra, entra, e dá nos o doce aroma
das arvores que nos rodeia, nesta estrada, meio vazia, onde vamos, sim;
so nos os dois. Vejo, arvores, ervas, galhos secos, alguma terra, adorna a
estrada, e um sol, nada forte, apenas sol, um pouco quente, pouco.
Dás-me sorte. Dás-me sorte. Bato as teclas e sei que me dás sorte,
mesmo longe. O teu vestido, branco, fica-te um espanto. 'Es uma visao,
uma visao, olho-te, e conduzo. Olhos na estrada. Sigo so mais uns metros,
começo a desacelerar, tu estranhas, desacelero, encosto ali numa pequena
entrada. Paro. Tudo calmo. Movo me um pouco no banco, para perto de ti,
olho-te nos olhos, pouco fundo, vejo os teus labios, passo a mao pelos teus
longos cabelos, com leves ondas, belas. Beijamo-nos. Somos jovens.
Sentimos todo esta nossa paixao, e a beleza de ser. Assim. Doce, um beijo,
terno, mas com alguma paixao. Belo. Sempre gostei de te beijar, e nunca esqueci
como beijavas. De olhos meio cerrados, abri-os, a sentir o leve calor deste
inicio de tarde, aqui; espectacular. Fantastico. Bom demais para ser real,
mas real, sem qualquer duvida. Olho-te, foco os teus olhos, belos,
castanhos, com o teu olhar, a tua expressao, foste feita para mim;
faço-te uma festa no rosto. Estas feliz. Faço te feliz. Obrigado.
O meu peito enche se de felicidade. Que mais poderia eu querer do que
fazer te feliz? Nada. Abraço-te; juntos. Juntos. Afastamo-nos, e rimos:
' Ah ah... ' Alegria misturada com lagrimas, uma emocao imensa de Amor, e magia.
Hei-de para sempre acarinhar este tempo contigo. Esteja onde estiver.
Em guerra, em paz, onde for, guardar-te-ei comigo. Beijo-te na face,
volto ao meu lugar; acelero com força, o carro derrapa, e meto nos de volta na
estrada; o carro toma o compasso, vamos a meio gas, de novo na estrada.
Maravilhoso dia, Leonor. O aroma das arvores, da Natureza esta ao nosso redor,
faz-nos sentir bem. Faz-nos sentir bem. Fazemos a estrada, estamos aqui,
Pego no volante, e levo-nos.
' Mais 10 minutos e estamos la , vamos nas calmas ' digo.
' Sim. Pode ser. Vamos. Gosto de estar contigo Joao. ' respondes.
Sorrio.
' Tambem gosto de estar contigo ' respondo.
Seguimos pela estrada. Algumas curvas, algumas rectas. Um dia fresco e agradavel.
' Vamos comer algodao doce ? ' pergunto.
' Sim, por acaso ate gostava, compramos um e comemos a meias, boa ? '
' Pode ser ' acedo.
' Obrigada ! ' agradeces, melosa, com carinho.
E seguimos, pela estrada, vamos ate' a feira, andar por lá.
Divertir-nos um bocado.
Buick Special. Mao no volante. Controlo. Fazemos a estrada.
Esta uma tarde excelente, esta tudo calmo, o carro rola seguramente
sob o asfalto. Alguns arbustos adornam os lados da estrada.
Seguimos. Conheço bem esta parte da estrada, e' uma recta grande a seguir a
esta curva. Espera. E' aqui, faço a curva, que acaba; recta.
Piso um pouco o acelerador. O motor começa a elevar a rotação, o poder
sobre o capot faz se sentir, 5.8 ao serviço de um pedal, aplicados
'a Dynaflow automatica, que em breve, caso queira, entra em Overdrive.
Ok. Continuo a pisar... Sobe a velocidade, o odometro sobe, 35 mph,
40, 45, 50 mph, 70, 80, 90, 100 mph, ok. Ok. Estamos a andar.
Sorris para mim, com um ar seguro, cara de má.
Sorrio, pouco, serio, e mantenho, o motor ruge, alto, um som brutal debaixo do
capot, sentimo-lo, e' espectacular... Espectacular, uma maquina , a funcionar
na perfeição, rotacao , apos rotacao, sem hesitar. Vamos a abrir.
Olho para ti.
' Da me um nite , amor '
Abres a tua malinha e das me um cigarro, poe lo nos meus labios.
' Nice ' penso. Primo o isqueiro do carro. Va, aquece la.
A recta ainda dura mais um pouco, mesmo assim reduzo um bocado;
meto te a mao na perna esquerda, com alguma sedução, faço uma festa,
ao comprido, assim; so um pouco. Tens umas pernocas bem boas, digo te ja.
O motor ronca, forte, seguro, com aquele som, bem 50s, mantenho o a 80 mph.
O isqueiro salta.
' Esta pronto ' dizes.
Saco-o com a mao, e acendo o meu cigarro. Ok.
Puxo uma boa passa. Ahhh, ok. O carro, segue, segue. Esta parte e' meio descampada
com alguma vegetacao seca em redor, amarelada. O motor, ronca.
Eles nao nos compreendem. Isto e' o futuro. Estamos no futuro... e' outro
espaço, e' outro espaço... para além do comum. Comunicamos.
Estou aqui, no carro; abrando um pouco, reduzo, ate as 40 mph, vamos mais na boa,
para fumar o meu cigarro descontraidamente, e estar mais na boa.
Conduzo com uma mao, puxo mais fumo do cigarro, e expiro o, devagar...
sai em cascata, por ai. Estou com a minha cara de mau, como quem esta zangado,
com algo, e ao mesmo tempo triste, um duro. Olho os teus olhos, seriamente.
Espectacular, os teus olhos, o teu olhar, infinito; e' perfeito,
'es linda , e isso ninguem te pode tirar, ninguem. Tens os olhos mais belos
que ja vim em toda a minha vida. E olha que ja conheci muitas miudas...
Adorava, estar unido contigo naqueles momentos, magnifico. Eramos um,
com o outro.
' Beija-me ' digo-te.
Chegas-te mais perto de mim, mantenho os olhos na estrada, mas sem grande
atencao, vamos devagar... Sorrio de soslaio, e olho-te pelo canto da vista,
estas a minha direita. Metes os teus braços a minha volta, suavemente,
docemente, e beijas-me o pescoço, levemente , ate ao pe da orelha.
Serio. Estou serio. Desvio um pouco a atencao da estrada,
inclino so um pouco o rosto na tua direcção, olho-te brevemente;
damos um beijo nos labios, quente, mas leve, so um pouco molhado.
Rio levemente, para mim. Para dentro. Sei la do que ri. Sei la.
Afastas-te para o teu lugar. Abres um pouco mais a janela,
sacas o maço da tua malinha, puxas um cigarro, e acende-lo.
Ligas o radio. Esta a dar qualquer coisa, nao te agrada. Mudas de preset.
' Esta e' fixe '
Era qualquer coisa, New Wave, parece-me , metes assim baixo.
' Fixe ' reiteras.
Encostas-te ao banco, na tua, e vais fumando, na boa...
' Ja estamos quase lá , chavala '
' Fixe, esta me mesmo a apetecer um algodao doce '
' Hmm '
Chegamos agora a uma parte mais urbanizada, a feira e' aqui perto.
Desacelero por completo. Estou num STOP. A feira e' para esquerda,
la ao fundo. Ok.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
fomos sair _ na feira _ cont
Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.
Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.
Preparo-me para te ir buscar...
Rodo a chave.
A Rita liga 'a primeira. Ca estou.
Ola fofinha... penso em ti... apesar de nao te sentir aqui no meu peito,
agora... sei que gostas de mim.
Tiro o pedal do Park, e engato R.
Acelero, saio do telheiro, ja tenho o portao aberto.
Saio com o carro, fecho o portao. Volto para o Carro;
dou meia volta em Reverse, meto para tua casa. Estrada. Anda.
Eu sabia que me ias ouvir. Somos invenciveis como o tempo.
Cleopatra, vou ter contigo...
Como diz o Little Richard: ' Lucille, you ran off and married,
but I love you still... '
O motor 5.8 litros baloiça sob o capot... ouço-o, sinto-o...
'a resposta de um pedal de aceleraçao. Acelero, começo a fazer a estrada
para tua casa... começo a percorre-la. Conheço ja esta estrada,
gosto ate dela, por assim dizer. Esta uma tarde fresca,
abro as janelas do carro, abro uma, depois a outra, rolo os manipulos.
Acelero...
Acelero, mais. Ruge, Buick, ruge, ruge. O som sai, ouço o bem...
Concentro-me no motor e sigo, sigo; sigo. Acelero mais, acelero,
Carter AFB, a abrir, puxa ar, puxa... puxa. Vou, e o motor ruge...
Ouço... Ouço... Com uma pancada abro o porta luvas, saco de la de dentro
o maço de Luckies, abro o maço, saco um nite, meto o nos labios. Guardo o
maço, fecho o porta luvas. Com o meu isqueiro, que me deste acendo o
cigarro. Dou uma passa forte, inalo o fumo, bem para o fundo dos pulmoes,
agrada-me, sempre me agradou o tabaco. Nem fumo muito, mas gosto de um
bom cigarro. Expiro o fumo. Vou na boa, ligo o radio.
Sintonizo algo. Esta a dar , deixa ver, levanto um pouco o volume.
Sim, golden oldies. Parece me ok. Ouço com atençao, e' algo que conheço,
Avons , Whisper Softly. Vou conduzindo ate' ti. Sigo, na boa, vou ouvindo
as oldies que vao passando, um ambiente calmo, som romantico.
Estou quase em tua casa. Espero que estejas pronta, deves estar, como sera
que vens vestida... Espero que tragas um vestido giro. Quero dar te um
beijo, mas 'a seria, mesmo, e sentir que gostas de mim, nao so dar um
beijinho, por dar, nao, mesmo, mesmo a serio, como so tu sabes mostrar-me
que gostas de mim. Faço a tua rua, cheguei. Dou meia volta ao carro, e fico
frente a tua porta, engato Neutral. Apito duas vezes, a buzina da Rita
toca bem alto, e com um som bem antigo, tu sabes bem.
' Joao ! ' ouço te chamar da tua janela.
Abro a minha porta, saio do carro e olho para ti. 'Es uma visao.
Amo-te tanto... Vou amar-te sempre... Obrigado por teres aparecido na minha
Vida, 'e rarissimo um Amor tao belo. Agradeço aos Ceus secretamente.
E' belo. Quase choro por dentro. Vejo-te, 'es bela. Sempre soube que eras
bela.
' Leonor ! ' digo.
Os nossos olhos encontram-se. E' paixao... doce , doce, perfeita. Perfeita.
Ola' meu Amor, Ola' ! Aqui , onde escrevo, fecho os olhos e vejo-te...
Sera' que te vou voltar a tomar nos meus braços... ?
Espero que sim... Secretamente... Espero que sim. De verdade.
Ahhhh, Leonor. Aqui, estou, sozinho. Mais um dia, mais esta noite, so mais uma.
A Vida ensinou me a viver,
com muito pouco, mas contigo, tinha tudo mais piada. Tinha sim.
E la de baixo, junto ao Buick, continuei a olhar-te, quase hipnotizado,
parvo, aparvalhado, por ver-te, 'es tudo para mim.
Estas linda, daqui vejo, o cabelo, meio apanhado, meio escorrido, com uma
especie de bandolete, branca, ahhhh....
' Anda, vamos ! ' digo.
' Ah, sim, estas pronta? ' pergunto.
' Estou ! ' dizes.
Sorrio... Sorris, tambem, fechas a janela do teu quarto.
Ris, ja da parte de dentro, e fazes me adeus, fechas a cortina e desapareces.
Ah, fico a sentir o nosso Amor no meu peito, a preencher-me assim,
sabe me tao bem, e' muito belo. E' tudo belo. E' como um sonho. Um sonho.
Chego me a outra porta do carro, e encosto-me, a tua espera, de frente para
a porta do teu predio, a olhar para lá. Espero. Vejo te a aparecer, devagar,
e aproximas-te da porta... abre-la. Sais do predio. Caminhas na minha direçao,
trazes um vestido muito ao bom gosto 50's, todo branco,
saia folhada, pelo joelho,
com um cinto fino a cintura, pouca maquilhagem, e o cabelo um pouco apanhado
com a bandolete, mas que ainda assim fica muito liberto.
Brilhas, parece que brilhas, sem qualquer brilho, mas brilhas,
nao compreendo, 'e demais... so de ver o teu rosto... com o teu cabelo,
comprido. Páro, por dentro, um segundo de beleza pura, ao ver-te, tu,
e tudo ao redor e' perfeito, e' tudo perfeito. Caminhas, mais, e chegas-te perto,
dou dois passos a frente, chego ao pe' de ti, aperto-te, aperto-te, contra mim;
e, dou te um beijo; nos labios,
'a boa moda antiga, suave, mas seguro. Seguro.
Afastamo-nos um pouco, olho os teus olhos. Sim, 'es tu a tal. 'Es tu a tal.
Sorrio. Tomo a tua mao esquerda com a minha mao direita, ao de leve,
abro-te a porta do carro. Entra.
Dou a volta pela frente, entro tambem. Olhas para mim, ris com o teu
ar maroto. Sorrio de volta.
' Estas linda... ' digo.
' Obrigado ' agradeces.
Volto a ligar o radio do carro. Estacao dos oldies. Levanto um pouco o volume,
esta a dar ' Barry Vorzon - Love you baby '.
Sorrimos. Meto a mao na tua perna, faço uma festa leve. Meto a mao
'a igniçao, dou a volta 'a chave, ligo o motor.
' Sempre vamos 'a feira? ' pergunto?
' Sim! ' Dizes.
Engato DRIVE, acelero. Saimos da tua rua, devagar, na boa.
Let's motivate. Bazamos, vamos assim, na nossa, pela estrada, apaixonados,
um com o outro, mais nada, assim, felizes, ouvindo alguma musica no radio,
que toca, e fazemos a estrada, fazemos a estrada.
Amo-te.
Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.
Preparo-me para te ir buscar...
Rodo a chave.
A Rita liga 'a primeira. Ca estou.
Ola fofinha... penso em ti... apesar de nao te sentir aqui no meu peito,
agora... sei que gostas de mim.
Tiro o pedal do Park, e engato R.
Acelero, saio do telheiro, ja tenho o portao aberto.
Saio com o carro, fecho o portao. Volto para o Carro;
dou meia volta em Reverse, meto para tua casa. Estrada. Anda.
Eu sabia que me ias ouvir. Somos invenciveis como o tempo.
Cleopatra, vou ter contigo...
Como diz o Little Richard: ' Lucille, you ran off and married,
but I love you still... '
O motor 5.8 litros baloiça sob o capot... ouço-o, sinto-o...
'a resposta de um pedal de aceleraçao. Acelero, começo a fazer a estrada
para tua casa... começo a percorre-la. Conheço ja esta estrada,
gosto ate dela, por assim dizer. Esta uma tarde fresca,
abro as janelas do carro, abro uma, depois a outra, rolo os manipulos.
Acelero...
Acelero, mais. Ruge, Buick, ruge, ruge. O som sai, ouço o bem...
Concentro-me no motor e sigo, sigo; sigo. Acelero mais, acelero,
Carter AFB, a abrir, puxa ar, puxa... puxa. Vou, e o motor ruge...
Ouço... Ouço... Com uma pancada abro o porta luvas, saco de la de dentro
o maço de Luckies, abro o maço, saco um nite, meto o nos labios. Guardo o
maço, fecho o porta luvas. Com o meu isqueiro, que me deste acendo o
cigarro. Dou uma passa forte, inalo o fumo, bem para o fundo dos pulmoes,
agrada-me, sempre me agradou o tabaco. Nem fumo muito, mas gosto de um
bom cigarro. Expiro o fumo. Vou na boa, ligo o radio.
Sintonizo algo. Esta a dar , deixa ver, levanto um pouco o volume.
Sim, golden oldies. Parece me ok. Ouço com atençao, e' algo que conheço,
Avons , Whisper Softly. Vou conduzindo ate' ti. Sigo, na boa, vou ouvindo
as oldies que vao passando, um ambiente calmo, som romantico.
Estou quase em tua casa. Espero que estejas pronta, deves estar, como sera
que vens vestida... Espero que tragas um vestido giro. Quero dar te um
beijo, mas 'a seria, mesmo, e sentir que gostas de mim, nao so dar um
beijinho, por dar, nao, mesmo, mesmo a serio, como so tu sabes mostrar-me
que gostas de mim. Faço a tua rua, cheguei. Dou meia volta ao carro, e fico
frente a tua porta, engato Neutral. Apito duas vezes, a buzina da Rita
toca bem alto, e com um som bem antigo, tu sabes bem.
' Joao ! ' ouço te chamar da tua janela.
Abro a minha porta, saio do carro e olho para ti. 'Es uma visao.
Amo-te tanto... Vou amar-te sempre... Obrigado por teres aparecido na minha
Vida, 'e rarissimo um Amor tao belo. Agradeço aos Ceus secretamente.
E' belo. Quase choro por dentro. Vejo-te, 'es bela. Sempre soube que eras
bela.
' Leonor ! ' digo.
Os nossos olhos encontram-se. E' paixao... doce , doce, perfeita. Perfeita.
Ola' meu Amor, Ola' ! Aqui , onde escrevo, fecho os olhos e vejo-te...
Sera' que te vou voltar a tomar nos meus braços... ?
Espero que sim... Secretamente... Espero que sim. De verdade.
Ahhhh, Leonor. Aqui, estou, sozinho. Mais um dia, mais esta noite, so mais uma.
A Vida ensinou me a viver,
com muito pouco, mas contigo, tinha tudo mais piada. Tinha sim.
E la de baixo, junto ao Buick, continuei a olhar-te, quase hipnotizado,
parvo, aparvalhado, por ver-te, 'es tudo para mim.
Estas linda, daqui vejo, o cabelo, meio apanhado, meio escorrido, com uma
especie de bandolete, branca, ahhhh....
' Anda, vamos ! ' digo.
' Ah, sim, estas pronta? ' pergunto.
' Estou ! ' dizes.
Sorrio... Sorris, tambem, fechas a janela do teu quarto.
Ris, ja da parte de dentro, e fazes me adeus, fechas a cortina e desapareces.
Ah, fico a sentir o nosso Amor no meu peito, a preencher-me assim,
sabe me tao bem, e' muito belo. E' tudo belo. E' como um sonho. Um sonho.
Chego me a outra porta do carro, e encosto-me, a tua espera, de frente para
a porta do teu predio, a olhar para lá. Espero. Vejo te a aparecer, devagar,
e aproximas-te da porta... abre-la. Sais do predio. Caminhas na minha direçao,
trazes um vestido muito ao bom gosto 50's, todo branco,
saia folhada, pelo joelho,
com um cinto fino a cintura, pouca maquilhagem, e o cabelo um pouco apanhado
com a bandolete, mas que ainda assim fica muito liberto.
Brilhas, parece que brilhas, sem qualquer brilho, mas brilhas,
nao compreendo, 'e demais... so de ver o teu rosto... com o teu cabelo,
comprido. Páro, por dentro, um segundo de beleza pura, ao ver-te, tu,
e tudo ao redor e' perfeito, e' tudo perfeito. Caminhas, mais, e chegas-te perto,
dou dois passos a frente, chego ao pe' de ti, aperto-te, aperto-te, contra mim;
e, dou te um beijo; nos labios,
'a boa moda antiga, suave, mas seguro. Seguro.
Afastamo-nos um pouco, olho os teus olhos. Sim, 'es tu a tal. 'Es tu a tal.
Sorrio. Tomo a tua mao esquerda com a minha mao direita, ao de leve,
abro-te a porta do carro. Entra.
Dou a volta pela frente, entro tambem. Olhas para mim, ris com o teu
ar maroto. Sorrio de volta.
' Estas linda... ' digo.
' Obrigado ' agradeces.
Volto a ligar o radio do carro. Estacao dos oldies. Levanto um pouco o volume,
esta a dar ' Barry Vorzon - Love you baby '.
Sorrimos. Meto a mao na tua perna, faço uma festa leve. Meto a mao
'a igniçao, dou a volta 'a chave, ligo o motor.
' Sempre vamos 'a feira? ' pergunto?
' Sim! ' Dizes.
Engato DRIVE, acelero. Saimos da tua rua, devagar, na boa.
Let's motivate. Bazamos, vamos assim, na nossa, pela estrada, apaixonados,
um com o outro, mais nada, assim, felizes, ouvindo alguma musica no radio,
que toca, e fazemos a estrada, fazemos a estrada.
Amo-te.
domingo, 3 de outubro de 2010
fomos sair _ na feira
Ontem passei perto da tua casa... Fui, no Buick. Sozinho, num sabado 'a noite,
saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para
casa, mas na subida, virei para onde moravas...
Qualquer coisa em mim. Virei. E fui. Nao consigo esquecer-te.
Ja te esqueci, mas disfarço bem. Fui ate a tua zona.
Fui. Indo, no carro, fiz uma das ruas, inverti
sentido, pensei, deixa-me ver, ok, por aqui, lembro-me;
e' por aqui, deixa me ver, deixa me ver, um pouco
diferente, ok. Sigo um pouco.
Estou a descer; ha' uns semaforos, laranja intermitente, ja passa da
uma... sigo;
meto para a direita.
Outra rua, tambem a descer; vou devagar, o carro balança.
E' la ao fundo da rua,
'e la ao fundo; vou, entao entro, estacionamento de pedra, amplo,
poucos carros por ali, sao as traseiras de algo, parece-me,
meio escondido entre alguns predios;
ja aqui estivemos umas vezes... ja aqui estivemos, algumas noites,
ha algum tempo... nem e' por nada, mas vim aqui. Sigo mais um pouco, estou
no estacionamento, esta quase vazio, e e' escuro aqui, calmo...
calmo. Olho em redor.
Paro o carro, olho em redor.
So um momento.
Esta tudo parecido. Deves lembrar-te de onde era...
presumo. Desces a rua, la em baixo, metes 'a direita, chao em gravilha,
esburacado, alguns carros, umas canas, assim meio. Estivemos la umas vezes.
Lembras-te?
Belos tempos nao foram? Leonor...
E' tudo simples... qualquer dia vou buscar-te.
Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.
Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.
Preparo-me para te ir buscar...
saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para
casa, mas na subida, virei para onde moravas...
Qualquer coisa em mim. Virei. E fui. Nao consigo esquecer-te.
Ja te esqueci, mas disfarço bem. Fui ate a tua zona.
Fui. Indo, no carro, fiz uma das ruas, inverti
sentido, pensei, deixa-me ver, ok, por aqui, lembro-me;
e' por aqui, deixa me ver, deixa me ver, um pouco
diferente, ok. Sigo um pouco.
Estou a descer; ha' uns semaforos, laranja intermitente, ja passa da
uma... sigo;
meto para a direita.
Outra rua, tambem a descer; vou devagar, o carro balança.
E' la ao fundo da rua,
'e la ao fundo; vou, entao entro, estacionamento de pedra, amplo,
poucos carros por ali, sao as traseiras de algo, parece-me,
meio escondido entre alguns predios;
ja aqui estivemos umas vezes... ja aqui estivemos, algumas noites,
ha algum tempo... nem e' por nada, mas vim aqui. Sigo mais um pouco, estou
no estacionamento, esta quase vazio, e e' escuro aqui, calmo...
calmo. Olho em redor.
Paro o carro, olho em redor.
So um momento.
Esta tudo parecido. Deves lembrar-te de onde era...
presumo. Desces a rua, la em baixo, metes 'a direita, chao em gravilha,
esburacado, alguns carros, umas canas, assim meio. Estivemos la umas vezes.
Lembras-te?
Belos tempos nao foram? Leonor...
E' tudo simples... qualquer dia vou buscar-te.
Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.
Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.
Preparo-me para te ir buscar...
terça-feira, 24 de agosto de 2010
fomos sair _ em casa
foda-se.
alo, acordei. bom dia, e' de manha.
estou fresco, mesmo assim. gosto de morar aqui, na encosta.
e' calmo. estou fresco. penso em que? nao penso em nada.
ah sim, pois entao ok. sento me a beira da cama, de boxers.
pouso a cabeça nas maos, sobre os joelhos. olhos fechados...
estou a beira da cama, sentado. esta' tudo bem... mais um dia, porreiro.
abro uma nesga do estore, pouco, pouco, para ai um palmo.
nao curto a luz branca da manhã ou la que horas são, vai-te foder.
desligo o candeeiro; e sim faço mesmo isto tambem, em casa.
deixa ca ver. tento pensar em ti, para escrever melhor isto,
parecer verdade. mas, e foi. ah, ah. esta' na hora.
mais uns segundos aqui assim abancado, mais uns segundos, de amanhecer.
tenho um telefone preto, de rodar; no chao. perto da cama, com o fio a
correr da parede. vou te ligar; ainda nao, ainda e' cedo. espera, vou ja.
estou de tronco nu; sim, e' verao e esta calor; nao muito, mas um pouco.
felizmente dormi p'ra caraças esta noite, ainda voltamos tarde.
olho para o despertador radio da GE; e' meio dia e meio, quase.
deixa me atrofiar. só penso em ti, so penso em ti, so penso em ti,
so penso em ti; em ti, em ti, aiii, e que bem que me sabe!!!!
e ainda vou pensar mais, mais, mais, e mais; mais mais mais,
enquanto Deus quiser!!! Ahhh.
Foda-se. Penteio o cabelo com as maos, dou os jeitos; levanto-me.
Caminho; lentamente, ate' a casa de banho.
Abro a torneira do lavatorio, meto as maos por baixo, molho as um bocado,
mando a agua 'a cara, e esfrego pouco. Fresco. Optimo. Deixa ca ver a toalha.
Seco a cara, deixo um bocado molhada. Fecho a porta.
Abro-a. Vou ate a cozinha, e vejo a porta do quarto dos meus cotas aberta;
e sim, pelo barulho eles nao devem ca estar.
Chego 'a cozinha. Nada. Olho para a mesa, um papelito. Leio.
' Já saimos, voltamos a meio da semana ' Pois, bem me tinha esquecido
que a minha mae me tinha dito que eles iam la' para a terriola.
Olha; menos mal, tenho a casa para mim, meto a musica bem alto, estar na
minha, atrofiar. Andar sujo e coisas dessas. Tronco nu, e de t shirts sujas.
Pronto. Abro o frigorifico, saco o leite; mamo mesmo do pacote umas goladas,
ahhhh, fresquinho, boa, boa. Fecho o frigorifico.
Volto para o quarto. La' esta o telefone. Sento me na cama. Tem uma colcha
vermelha marada com berloques, 'a antiga. O meu quarto esta' repleto de merdas
antigas, psicadelismo e um ou outro radio antigo, mas tudo ao bom estilo
dos 80s. Um gira discos. Uma aparelhagem, que por sinal, toca alto.
Boas colunas. Tudo Marantz; as colunas Celestion.
Grande som , grande som. Eh pa; tenho uns quantos vinis, nos as vezes
ficamos aqui no quarto a curtir; curtimos, metemos uns discos, falamos,
olhamo-nos, ficamos calados; e' fixe.
'E fixe, e' fixe. Estou sentado na cama; 'a minha esquerda, quase por baixo
da cama, esta' o trim trim. Puxo o para perto, pego nele.
Marco o teu numero, anda as voltas, e faz rrrrrrr.
Marco, um, depois o outro, e o outro, ate marcar o numero todo;
pego no telefone com a mao esquerda; e no auscultador com a direita...
Tuuttt, tuuuttt, vai tocando, vamos la ver se atendes; a ver se percebes
que sou eu, a ver se nao e' o teu pai. Va´, atende la'.
Tuuuut... Tuuuuut, alguem atende;
' Estou ? '
Ah, 'es tu, ainda bem!
' Ola, Leonor... sou eu... '
' Bom dia ' dizes melosa.
' Bom dia alegria ' digo-te, e sigo
' dormiste bem? '
' siim ! '
' hmmm, que bom... atendeste no quarto ? '
' sim, tou aqui no meu quartinho, encostei a porta '
' Fixe. '
' Dormi bem... estou bem disposta. Ontem foi fixe, gostei da noite '
' Eu tambem curti... '
Silencio.
Escrevo isto, 'a noite. Esta' calor. Penso em ti.
Olho a volta. Nada e' como dantes. E nao e' mesmo. Tudo sem alma.
E' apenas ; nada. Minto. Hm. Escrevo... Nada tem de ser, tudo e'.
Boa noite. Disse que morria por ti, e morri mesmo. Obrigado.
' Foi diferente, nao foi aborrecido, foi mesmo muito fixe...
nao sei porque... acho que gosto de ti... damo-nos bem ' dizes.
Nem andavamos ha muito tempo. Uns meses. Acabamos da mesma forma que
andavamos; na boa, a darmo-nos bem.
' Por acaso tambem adorei... estava mesmo fixe, fresquinho, e' raro,
costuma estar muito calor, e estavas linda, lindissima...
sabes Leonor... acho que 'es linda...
estou muito apaixonado por ti '
Tu escutas. E mais,
' Adoro os teus olhos... sabias ? '
' hmm... ' dizes em tom de duvida.
Deito-me na cama; encosto me a almofada, ao comprido. O telefone, de lado
da cama, estico o fio, puxo o um pouco; e fico na boa com o auscultador,
a falar contigo.
' Onde e' que queres ir hoje ? ' pergunto.
' Nao tens ideias tuas ? '
' Hm. Sim. '
' Entao, diz '
' Podemos ir aquele parque de diversoes temporario, que ha perto da tua
casa, queria dar uma volta contigo, no carrosel... iamos andar nos cavalinhos '
' Boa, parece fixe... ia gostar ' dizes.
' Se nao gostares, azar do caralho ' digo, assim.
' Oh Joao, nao digas asneiras, nao tem piada '
' Ok. Ja tomaste o pequeno almoço ? ' pergunto.
' Ah, bebi leite, e comi umas bolachas , pouco mais '
' boa, boa, eu tambem so bebo leite quando acordo...
Vou-te ai buscar para almoçarmos? '
' Nao, deixa estar, eu almoço aqui, e depois vem me ca buscar.
Vamos para tua casa primeiro; e vamos a feira mais tarde ??? '
' Sim, pode ser ' confirmo.
' Ok, nao te esqueças ' referes.
E' que sou um bocado esquecido as vezes. Falámos mais um bocado.
Ja sei como vou vestido, levo uns outros jeans que tenho, azul clarinho,
com virola em baixo,
uma camisa arroxeada, tom seco, meio gasto, mangas arregaçadas,
colarinhos para cima, cabelo com um bocado de graxa, penteado para tras,
com poupa quase ao meio, a cair para a frente...
Talvez leve uma gravata azulada que tenho.
Calçados, levo uns sapatos pretos fixes que tenho aqui, tenho de me lembrar
de os polir com a escova, para ficarem com um aspecto porreiro.
Hmmm, parece me bem.
Falamos.
' Tenho sono, quero dormir ' dizes.
' Ja dormiste o suficiente, sleepy head; acorda... agora e' de dia '
' Cala-te e deixa me dormir! '
' Nao ' respondo.
' Esta bem! ' ris. Continuas
' Olha... '
' Diz... '
' Quero andar no carrosel '
' Ja vai... '
' Olha ' repetes;
' Diz '
' Vem ca ter... '
' Ja vou '
' Nao, agora. '
' Nao , mais logo '
' Va la' , anda la '
' Nao. '
' Va la... '
' Olha que eu vou '
' Nao. ' respondes.
' Pronto esta' bem . Olha; vem gira, apanha o cabelo atras,
e tras assim uma cena gira, 'tas a ver; nao sei. '
' Vais te vestir como ? '
' Assim, meio rocker, camisa, ganga e sapato '
' Ah, ta bem. Vou ver '
' Gosto de ti meu amor!!! ' anuncio.
' Eu tambem , muah !!! ' devolves.
E dizes:
' tens saudades minhas ? '
' nao muitas... daqui a 5 minutos tenho mais ' digo, assim.
' entao olha... desliga... eu vou almoçar daqui a nada;
tira esses 5 minutos... e fica com saudades, se conseguires.
Depois; vem me buscar. Pode ser? '
' Olha, acho que sim ' digo.
' va, ate ja '
' ate ja, Leonor... '
Desligo metendo o dedo no descanso do telefone que estava ao lado da cama,
e pouso o auscultador, metendo o telefone debaixo da cama.
Vou ate aos meus discos no armario, e de frente, saco um disco...
Ja vou com destino traçado... Eu sei.
Puxo
' The Who - Who's Next ? ' , 1971. Original Polydor pressing.
Ahh, ok. Aqui está. Saco o disco da capa, saco o disco da sleeve,
Pouso a capa e a sleeve em cima no armario, na prateleira acima.
Meto o disco, Lado A, no prato. Marantz. Vejo.
Esta em 33 1/3 rotações. Está.
Ligo o Amplificador. As luzes iluminam os VU's. Tudo ok; levanto um
pouco o volume. Meto em Phono.
Tiro o lock do braço. Puxo o braço para cima do disco,
o prato começar a rodar, arranca, arranca.
Aqui estou.
Ruido no disco, crepita... Entra o sintetizador...
' Baba O'Riley ', vou curtir...
Ah, muito fixe este som.
Afasto me, vou ate perto da cama.
Sento me na beira da cama, e fico a ouvir o som que
começa, piano, toca as notas; toca,
entrada com bateria; toca;
entra a voz...
este album e' bom.
A musica vai tocando,
tocando; tocando.
E toca... e' fixe.
Ah... Encosto me na almofada, cruzo os braços
atras da cabeça, fecho os olhos; fico, em cima da cama.
A musica toca; alto; ouço a bem, ouço a bem.
Lembro-me dessa manhã, de estar a ouvir o ' Baba O´Riley ',
e a musica ia tocando; vai tocando;
ouço-a.
O disco vai rodando no prato... rodando.
A musica, deixo-me ficar a ouvir.
Ja esta quase no fim... A confusao;
parte do violino, toca, furiosamente...
Mais depressa, mais notas; mais bateria, acelera-se o compasso;
'e o fim;
e' o fim. Acaba a musica. Num estrondo quase.
Abro os olhos.
A proxima musica vai entrar, ouço o intervalo da pista.
Com os braços, faço para me levantar.
Levanto-me da cama. Agora a seguir, vai entrar ' Bargain ' , mas a que eu
queria ouvir era ' Getting in tune '.
Os Who fazem musica fixe. Tenho aqui alguns discos deles, tambem tenho o
' Tommy ' de 1969, trouxe-me um gajo dos USA, e este e' da Decca.
Ah. Daqui a nada ja vou ter com o meu amor. Dirijo-me ao prato,
baixo o volume do amp, levanto a agulha, meto no encosto e prendo-a.
Ah, eu sei que me ouves... Olá !!!
Eu sei ...
Fico parado no meu quarto, em silencio, frente a aparelhagem, tronco nu,
parado... sem pensar, so a sentir a tua emoção no meu peito...
Fecho os olhos, sinto o detalhe do meu quarto em mim, e a ideia dos
anos 80 em mim; junto tambem contigo, e deixo correr, passar,
na minha ideia... e sinto. Sinto.
Assim menos, abro os olhos devagar. A ver se me lembro do que me disseste.
Ah ja sei. 5 minutos nao sei que, e depois almoço e vou ai ter nao e' ???
Acho que era isso. Era, era. Deito me entao na cama.
Cabeça na almofada, braços cruzados. Fecho os olhos
Um momento de descanso, 5 minutos. Páro. Nao penso em nada.
Apenas tempo. Ok. Ah, descanso. Sem pensar em nada...
5 minutos. Abro os olhos. Levanto-me, visto os jeans, virola em baixo.
Visto. Fecho o botao, e fecho os botoes da braguilha. Ok.
Estou descalço. Vou ate' 'a cozinha. O que e' que irei comer?
Hm. Spam, uma merda qualquer. Estou sem grande paciencia, isso digo-te
ja´. 'E mesmo isso. Spam. Com batatas fritas. Vou buscar duas batatas
'a dispensa; descasco-as, corto em palitos. Deixo as no balcao, vou buscar
a lata de Spam, e abro a ali, no balcao tambem, com o abridor que traz.
Ok. Spam ate e' porreiro, e acho que nem o vou fritar.
Tiro a fritadeira do forno, meto a em cima, puxo do fosforo, acendo o bico.
Meto no maior. Deixo aquecer. Vou sacar o Spam, empurro-o.
Corto uma fatia... fina, e tiro uma dentada... Bem que me lembro do sabor,
do Spam, nessa manha de '85. Lembro-me. Escrevo aqui de lado, para ir comprar
uma lata... vai na volta ainda ha' da mesma marca, sei la.
O oleo aquece, aquece, esta' a ferver, atiro as batatas la para dentro,
com cuidado para nao me salpicar; elas la caem, va la, nao espirrou muito.
Fritam. Fritem para ai. O Spam e' so cortar, e vai mesmo assim para o prato.
Meto umas fatias no prato , 3. Deixo as batatas fritar...
Sento me numa cadeira, perto da mesa. Fico ali, espero.
Ja devem estar fritas, levanto-me. Sim. Tiro as batatas da fritadeira,
meto as num prato com papel absorvente. Meto sal. Mexo-as.
Mando as para o prato com as fatias de spam. Esta' ok. Levo o prato para a mesa.
Sento me. Penso se vou ligar a tv, para ouvir qualquer coisa... hmm.
Nepia, que se lixe. Ligo o radio que esta ali no balcao, ao fundo.
Sintonizo uma cena fixe, meto baixo, um pop qualquer.
Vou ate a mesa, começo a comer. Corto um pedaço de uma fatia de spam,
levo o a boca. E' fixe, as vezes sabe bem. Mastigo. Tiro uma garfada de batatas,
e como as... Vou comendo, tomo o meu almoço, calmamente, no meu ritmo
descontraido, na boa. Ouço a musica. Como. Acabo de almoçar, limpo o prato,
meto no balcao, assim como os talheres, lavo depois.
Vou ate ao meu quarto. A ver se me visto. Encosto me mais um pouco na cama,
cabeça na almofada... a olhar para o tecto. Daqui a nada, vou ter contigo;
vamos ate' 'a feira... por acaso , esta me a apetecer ir la um bocado.
Bom, os 5 minutos, vou deixa los passar devagar, para ficar com saudades
tuas... 5 minutos, 1, minuto, 3 minutos, 10 minutos...
ahhh... descanso... descanso. Nao penso em nada. Fico só.
O tempo passa. Levanto-me, devagar, olho em redor. Pego na camisa,
visto a. Meto as golas para cima, para ficar com estilo. Dou um jeito ao cabelo,
com as maos, so para ficar mais porreiro. Optimo. Parece me bem. Calço os
sapatos. Dou lhes uma polidela com a escova. Dou um toque na roupa para ficar
perfeita. Vejo me, sem ser ao espelho, parece tudo ok. Penteado, vestido,
tudo bom. Pego nas chaves da ' Rita '. Estou vivo. Sinto me bem.
Sei que estas comigo... Olá giraça... Somos nós dois... para sempre,
num poema eterno, do nosso Amor.
Estou pronto, saio de casa, tranco a porta. Esta tudo em ordem, vou ate ao
telheiro, onde a Rita descansa. Abro a porta do meu lado, entro.
Sento-me no banco. Páro.
Ontem passei perto da tua casa... Fui, no Buick. Sozinho, num sabado 'a noite,
saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para
casa, mas na subida, virei para onde moravas...
alo, acordei. bom dia, e' de manha.
estou fresco, mesmo assim. gosto de morar aqui, na encosta.
e' calmo. estou fresco. penso em que? nao penso em nada.
ah sim, pois entao ok. sento me a beira da cama, de boxers.
pouso a cabeça nas maos, sobre os joelhos. olhos fechados...
estou a beira da cama, sentado. esta' tudo bem... mais um dia, porreiro.
abro uma nesga do estore, pouco, pouco, para ai um palmo.
nao curto a luz branca da manhã ou la que horas são, vai-te foder.
desligo o candeeiro; e sim faço mesmo isto tambem, em casa.
deixa ca ver. tento pensar em ti, para escrever melhor isto,
parecer verdade. mas, e foi. ah, ah. esta' na hora.
mais uns segundos aqui assim abancado, mais uns segundos, de amanhecer.
tenho um telefone preto, de rodar; no chao. perto da cama, com o fio a
correr da parede. vou te ligar; ainda nao, ainda e' cedo. espera, vou ja.
estou de tronco nu; sim, e' verao e esta calor; nao muito, mas um pouco.
felizmente dormi p'ra caraças esta noite, ainda voltamos tarde.
olho para o despertador radio da GE; e' meio dia e meio, quase.
deixa me atrofiar. só penso em ti, so penso em ti, so penso em ti,
so penso em ti; em ti, em ti, aiii, e que bem que me sabe!!!!
e ainda vou pensar mais, mais, mais, e mais; mais mais mais,
enquanto Deus quiser!!! Ahhh.
Foda-se. Penteio o cabelo com as maos, dou os jeitos; levanto-me.
Caminho; lentamente, ate' a casa de banho.
Abro a torneira do lavatorio, meto as maos por baixo, molho as um bocado,
mando a agua 'a cara, e esfrego pouco. Fresco. Optimo. Deixa ca ver a toalha.
Seco a cara, deixo um bocado molhada. Fecho a porta.
Abro-a. Vou ate a cozinha, e vejo a porta do quarto dos meus cotas aberta;
e sim, pelo barulho eles nao devem ca estar.
Chego 'a cozinha. Nada. Olho para a mesa, um papelito. Leio.
' Já saimos, voltamos a meio da semana ' Pois, bem me tinha esquecido
que a minha mae me tinha dito que eles iam la' para a terriola.
Olha; menos mal, tenho a casa para mim, meto a musica bem alto, estar na
minha, atrofiar. Andar sujo e coisas dessas. Tronco nu, e de t shirts sujas.
Pronto. Abro o frigorifico, saco o leite; mamo mesmo do pacote umas goladas,
ahhhh, fresquinho, boa, boa. Fecho o frigorifico.
Volto para o quarto. La' esta o telefone. Sento me na cama. Tem uma colcha
vermelha marada com berloques, 'a antiga. O meu quarto esta' repleto de merdas
antigas, psicadelismo e um ou outro radio antigo, mas tudo ao bom estilo
dos 80s. Um gira discos. Uma aparelhagem, que por sinal, toca alto.
Boas colunas. Tudo Marantz; as colunas Celestion.
Grande som , grande som. Eh pa; tenho uns quantos vinis, nos as vezes
ficamos aqui no quarto a curtir; curtimos, metemos uns discos, falamos,
olhamo-nos, ficamos calados; e' fixe.
'E fixe, e' fixe. Estou sentado na cama; 'a minha esquerda, quase por baixo
da cama, esta' o trim trim. Puxo o para perto, pego nele.
Marco o teu numero, anda as voltas, e faz rrrrrrr.
Marco, um, depois o outro, e o outro, ate marcar o numero todo;
pego no telefone com a mao esquerda; e no auscultador com a direita...
Tuuttt, tuuuttt, vai tocando, vamos la ver se atendes; a ver se percebes
que sou eu, a ver se nao e' o teu pai. Va´, atende la'.
Tuuuut... Tuuuuut, alguem atende;
' Estou ? '
Ah, 'es tu, ainda bem!
' Ola, Leonor... sou eu... '
' Bom dia ' dizes melosa.
' Bom dia alegria ' digo-te, e sigo
' dormiste bem? '
' siim ! '
' hmmm, que bom... atendeste no quarto ? '
' sim, tou aqui no meu quartinho, encostei a porta '
' Fixe. '
' Dormi bem... estou bem disposta. Ontem foi fixe, gostei da noite '
' Eu tambem curti... '
Silencio.
Escrevo isto, 'a noite. Esta' calor. Penso em ti.
Olho a volta. Nada e' como dantes. E nao e' mesmo. Tudo sem alma.
E' apenas ; nada. Minto. Hm. Escrevo... Nada tem de ser, tudo e'.
Boa noite. Disse que morria por ti, e morri mesmo. Obrigado.
' Foi diferente, nao foi aborrecido, foi mesmo muito fixe...
nao sei porque... acho que gosto de ti... damo-nos bem ' dizes.
Nem andavamos ha muito tempo. Uns meses. Acabamos da mesma forma que
andavamos; na boa, a darmo-nos bem.
' Por acaso tambem adorei... estava mesmo fixe, fresquinho, e' raro,
costuma estar muito calor, e estavas linda, lindissima...
sabes Leonor... acho que 'es linda...
estou muito apaixonado por ti '
Tu escutas. E mais,
' Adoro os teus olhos... sabias ? '
' hmm... ' dizes em tom de duvida.
Deito-me na cama; encosto me a almofada, ao comprido. O telefone, de lado
da cama, estico o fio, puxo o um pouco; e fico na boa com o auscultador,
a falar contigo.
' Onde e' que queres ir hoje ? ' pergunto.
' Nao tens ideias tuas ? '
' Hm. Sim. '
' Entao, diz '
' Podemos ir aquele parque de diversoes temporario, que ha perto da tua
casa, queria dar uma volta contigo, no carrosel... iamos andar nos cavalinhos '
' Boa, parece fixe... ia gostar ' dizes.
' Se nao gostares, azar do caralho ' digo, assim.
' Oh Joao, nao digas asneiras, nao tem piada '
' Ok. Ja tomaste o pequeno almoço ? ' pergunto.
' Ah, bebi leite, e comi umas bolachas , pouco mais '
' boa, boa, eu tambem so bebo leite quando acordo...
Vou-te ai buscar para almoçarmos? '
' Nao, deixa estar, eu almoço aqui, e depois vem me ca buscar.
Vamos para tua casa primeiro; e vamos a feira mais tarde ??? '
' Sim, pode ser ' confirmo.
' Ok, nao te esqueças ' referes.
E' que sou um bocado esquecido as vezes. Falámos mais um bocado.
Ja sei como vou vestido, levo uns outros jeans que tenho, azul clarinho,
com virola em baixo,
uma camisa arroxeada, tom seco, meio gasto, mangas arregaçadas,
colarinhos para cima, cabelo com um bocado de graxa, penteado para tras,
com poupa quase ao meio, a cair para a frente...
Talvez leve uma gravata azulada que tenho.
Calçados, levo uns sapatos pretos fixes que tenho aqui, tenho de me lembrar
de os polir com a escova, para ficarem com um aspecto porreiro.
Hmmm, parece me bem.
Falamos.
' Tenho sono, quero dormir ' dizes.
' Ja dormiste o suficiente, sleepy head; acorda... agora e' de dia '
' Cala-te e deixa me dormir! '
' Nao ' respondo.
' Esta bem! ' ris. Continuas
' Olha... '
' Diz... '
' Quero andar no carrosel '
' Ja vai... '
' Olha ' repetes;
' Diz '
' Vem ca ter... '
' Ja vou '
' Nao, agora. '
' Nao , mais logo '
' Va la' , anda la '
' Nao. '
' Va la... '
' Olha que eu vou '
' Nao. ' respondes.
' Pronto esta' bem . Olha; vem gira, apanha o cabelo atras,
e tras assim uma cena gira, 'tas a ver; nao sei. '
' Vais te vestir como ? '
' Assim, meio rocker, camisa, ganga e sapato '
' Ah, ta bem. Vou ver '
' Gosto de ti meu amor!!! ' anuncio.
' Eu tambem , muah !!! ' devolves.
E dizes:
' tens saudades minhas ? '
' nao muitas... daqui a 5 minutos tenho mais ' digo, assim.
' entao olha... desliga... eu vou almoçar daqui a nada;
tira esses 5 minutos... e fica com saudades, se conseguires.
Depois; vem me buscar. Pode ser? '
' Olha, acho que sim ' digo.
' va, ate ja '
' ate ja, Leonor... '
Desligo metendo o dedo no descanso do telefone que estava ao lado da cama,
e pouso o auscultador, metendo o telefone debaixo da cama.
Vou ate aos meus discos no armario, e de frente, saco um disco...
Ja vou com destino traçado... Eu sei.
Puxo
' The Who - Who's Next ? ' , 1971. Original Polydor pressing.
Ahh, ok. Aqui está. Saco o disco da capa, saco o disco da sleeve,
Pouso a capa e a sleeve em cima no armario, na prateleira acima.
Meto o disco, Lado A, no prato. Marantz. Vejo.
Esta em 33 1/3 rotações. Está.
Ligo o Amplificador. As luzes iluminam os VU's. Tudo ok; levanto um
pouco o volume. Meto em Phono.
Tiro o lock do braço. Puxo o braço para cima do disco,
o prato começar a rodar, arranca, arranca.
Aqui estou.
Ruido no disco, crepita... Entra o sintetizador...
' Baba O'Riley ', vou curtir...
Ah, muito fixe este som.
Afasto me, vou ate perto da cama.
Sento me na beira da cama, e fico a ouvir o som que
começa, piano, toca as notas; toca,
entrada com bateria; toca;
entra a voz...
este album e' bom.
A musica vai tocando,
tocando; tocando.
E toca... e' fixe.
Ah... Encosto me na almofada, cruzo os braços
atras da cabeça, fecho os olhos; fico, em cima da cama.
A musica toca; alto; ouço a bem, ouço a bem.
Lembro-me dessa manhã, de estar a ouvir o ' Baba O´Riley ',
e a musica ia tocando; vai tocando;
ouço-a.
O disco vai rodando no prato... rodando.
A musica, deixo-me ficar a ouvir.
Ja esta quase no fim... A confusao;
parte do violino, toca, furiosamente...
Mais depressa, mais notas; mais bateria, acelera-se o compasso;
'e o fim;
e' o fim. Acaba a musica. Num estrondo quase.
Abro os olhos.
A proxima musica vai entrar, ouço o intervalo da pista.
Com os braços, faço para me levantar.
Levanto-me da cama. Agora a seguir, vai entrar ' Bargain ' , mas a que eu
queria ouvir era ' Getting in tune '.
Os Who fazem musica fixe. Tenho aqui alguns discos deles, tambem tenho o
' Tommy ' de 1969, trouxe-me um gajo dos USA, e este e' da Decca.
Ah. Daqui a nada ja vou ter com o meu amor. Dirijo-me ao prato,
baixo o volume do amp, levanto a agulha, meto no encosto e prendo-a.
Ah, eu sei que me ouves... Olá !!!
Eu sei ...
Fico parado no meu quarto, em silencio, frente a aparelhagem, tronco nu,
parado... sem pensar, so a sentir a tua emoção no meu peito...
Fecho os olhos, sinto o detalhe do meu quarto em mim, e a ideia dos
anos 80 em mim; junto tambem contigo, e deixo correr, passar,
na minha ideia... e sinto. Sinto.
Assim menos, abro os olhos devagar. A ver se me lembro do que me disseste.
Ah ja sei. 5 minutos nao sei que, e depois almoço e vou ai ter nao e' ???
Acho que era isso. Era, era. Deito me entao na cama.
Cabeça na almofada, braços cruzados. Fecho os olhos
Um momento de descanso, 5 minutos. Páro. Nao penso em nada.
Apenas tempo. Ok. Ah, descanso. Sem pensar em nada...
5 minutos. Abro os olhos. Levanto-me, visto os jeans, virola em baixo.
Visto. Fecho o botao, e fecho os botoes da braguilha. Ok.
Estou descalço. Vou ate' 'a cozinha. O que e' que irei comer?
Hm. Spam, uma merda qualquer. Estou sem grande paciencia, isso digo-te
ja´. 'E mesmo isso. Spam. Com batatas fritas. Vou buscar duas batatas
'a dispensa; descasco-as, corto em palitos. Deixo as no balcao, vou buscar
a lata de Spam, e abro a ali, no balcao tambem, com o abridor que traz.
Ok. Spam ate e' porreiro, e acho que nem o vou fritar.
Tiro a fritadeira do forno, meto a em cima, puxo do fosforo, acendo o bico.
Meto no maior. Deixo aquecer. Vou sacar o Spam, empurro-o.
Corto uma fatia... fina, e tiro uma dentada... Bem que me lembro do sabor,
do Spam, nessa manha de '85. Lembro-me. Escrevo aqui de lado, para ir comprar
uma lata... vai na volta ainda ha' da mesma marca, sei la.
O oleo aquece, aquece, esta' a ferver, atiro as batatas la para dentro,
com cuidado para nao me salpicar; elas la caem, va la, nao espirrou muito.
Fritam. Fritem para ai. O Spam e' so cortar, e vai mesmo assim para o prato.
Meto umas fatias no prato , 3. Deixo as batatas fritar...
Sento me numa cadeira, perto da mesa. Fico ali, espero.
Ja devem estar fritas, levanto-me. Sim. Tiro as batatas da fritadeira,
meto as num prato com papel absorvente. Meto sal. Mexo-as.
Mando as para o prato com as fatias de spam. Esta' ok. Levo o prato para a mesa.
Sento me. Penso se vou ligar a tv, para ouvir qualquer coisa... hmm.
Nepia, que se lixe. Ligo o radio que esta ali no balcao, ao fundo.
Sintonizo uma cena fixe, meto baixo, um pop qualquer.
Vou ate a mesa, começo a comer. Corto um pedaço de uma fatia de spam,
levo o a boca. E' fixe, as vezes sabe bem. Mastigo. Tiro uma garfada de batatas,
e como as... Vou comendo, tomo o meu almoço, calmamente, no meu ritmo
descontraido, na boa. Ouço a musica. Como. Acabo de almoçar, limpo o prato,
meto no balcao, assim como os talheres, lavo depois.
Vou ate ao meu quarto. A ver se me visto. Encosto me mais um pouco na cama,
cabeça na almofada... a olhar para o tecto. Daqui a nada, vou ter contigo;
vamos ate' 'a feira... por acaso , esta me a apetecer ir la um bocado.
Bom, os 5 minutos, vou deixa los passar devagar, para ficar com saudades
tuas... 5 minutos, 1, minuto, 3 minutos, 10 minutos...
ahhh... descanso... descanso. Nao penso em nada. Fico só.
O tempo passa. Levanto-me, devagar, olho em redor. Pego na camisa,
visto a. Meto as golas para cima, para ficar com estilo. Dou um jeito ao cabelo,
com as maos, so para ficar mais porreiro. Optimo. Parece me bem. Calço os
sapatos. Dou lhes uma polidela com a escova. Dou um toque na roupa para ficar
perfeita. Vejo me, sem ser ao espelho, parece tudo ok. Penteado, vestido,
tudo bom. Pego nas chaves da ' Rita '. Estou vivo. Sinto me bem.
Sei que estas comigo... Olá giraça... Somos nós dois... para sempre,
num poema eterno, do nosso Amor.
Estou pronto, saio de casa, tranco a porta. Esta tudo em ordem, vou ate ao
telheiro, onde a Rita descansa. Abro a porta do meu lado, entro.
Sento-me no banco. Páro.
Ontem passei perto da tua casa... Fui, no Buick. Sozinho, num sabado 'a noite,
saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para
casa, mas na subida, virei para onde moravas...
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
fomos sair _ de volta ao miradouro _ cont II
Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,
ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.
O peso do teu corpo em cima do meu...
Agrada-me. Muito.
Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.
Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;
numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.
Ponho o braço direito por trás da cabeça para fazer altura,
e meto a minha mao esquerda na tua anca.
' Olha ' digo, e dou-te um beijinho pequenino;
' diz ' perguntas,
' Anda cá ' digo, e rebolo, trocando de posição contigo;
passas a ficar por baixo; e eu por cima.
' Peso ? '
' Nao muito ' dizes.
' Ve lá '
Sorris curta e honestamente, com os olhos e com a boca.
Olho-te. Sem te pesar, meto a mao direita para baixo do banco,
tiro de la uma manta que la habita,
dobro-a um pouco melhor,
para teres um encosto.
Dou-te um beijo na boca, terno... meigo, curto.
'Es linda, penso, para ti.
Tu olhas para mim, sorris, de soslaio, com ar mauzinho.
Olho para ti, vejo o teu rosto, 'es muito bonita;
estas indefesa, olhas me com carinho.
Apoiando me no banco, meto a mao direita no teu cabelo, toco lhe,
e' longo; longo, ondulado, e belo... ahhh, Amor.
Faço-te uma festa com a parte de fora da mao, no rosto, na face;
de cima, para baixo, com carinho.
Sorrio levemente. Toco o teu pescoço com o meu dedo indicador,
ao de leve, percorro-o o devagar.
desço, devagar, suavemente pelo teu decote; páro.
Tiro a alça esquerda do teu top para o lado.
Desço um pouco mais, toco o teu peito, de lado, ao de leve,
e continuo pela barriga, descendo; olho-te.
Continuo a descer, com os dedos, pela barriga;
passo o teu umbigo, meio escondido por baixo do top...
e aproximo-me do botão das tuas calças...
Páro. Olho-te nos olhos, com a mão sobre o botão das tuas calças,
um dedo ja a fazer pressao no botao e os outros no tecido.
Olho-te, quase inexpressivo. Tu, olhas-me praticamente,
com o mesmo olhar...
A noite, o céu, as estrelas... Buick Special 1958 Azul matte com hardtop
branco. Silencio...
Faço o movimento, com os dedos, abro o botão...
Beijo-te...
O resto; bem, o resto tu deves lembrar-te.
Dai a um bocado,
fui levar-te a casa, ficamos do mesmo lado da rua, o teu predio do lado
direito do carro, encostei de lado, perto do passeio, como na chegada.
Travo. Engato o carro em Park, e carrego no pedal de parqueamento.
Deixo o motor a trabalhar...
Despedimo-nos.
' Gostei de estar contigo ' dizes-me.
' Tambem '
Pisco o olho ao de leve.
Um beijinho nos labios, leve, um peck.
' Até amanha... depois liga-me ' digo.
' Nao, liga-me tu '
' Esta bem, eu ligo '
Tenho a mao na tua perna, faço uma festa, e tiro-a,
abres a porta com o manipulo.
' Deixa aqui o saco '
' Ta bem '
Acabas de sair, o vidro esta aberto. Fechas a porta.
Pancada.
Olhas um pouco pela janela, metes um pouco a cabeça dentro da janela,
' Adeus ' dizes,
chego me até ti, e dou te mais um beijo na boca,
mais doce, um pouco molhado.
' Vai ' digo.
' Ciao ' dizes.
Começas a afastar-te do carro.
Fico a olhar para ti. Barulho do motor, em baixa rotação, ruido de frequencias
baixas, com um lento, leve baloiçar.
Olho para ti, estas de costas, caminhas de frente para a tua porta.
Vejo a tua figura... linda...
magnifica. Uma miuda linda. Ah, perco-me em ti. O teu cabelo, adorna as tuas
costas, com as suas ondas maravilhosas. Caminhas, quase brilhas.
Sempre gostei de ver-te andar... Muito segura... uma mulher.
Sempre foste assim. Andas.
Estas perto da porta do predio. Tiras as chaves da malinha preta.
A noite, Buick Special 1958 5.5 Litros, o João, a Leonor;
Devagar, como uma gazela, viras o rosto, o tronco, e depois para mim,
acenas adeus com a mão direita; com muita graça.
Olho para ti, aceno que sim com o rosto, e sopro te um beijo.
Tornas a chave, do predio, vejo;
entras, olhas de novo ao de leve e tornas a esquina para as escadas;
deixo de te ver.
Ah... meu Deus, minha paixao... todo este amor.
Fico uns segundos, inebriado pela tua presença; por te ter, ainda olhando,
a porta do teu predio, de luz acesa, pela noite, a sentir esta tal nostalgia,
por...
Abro o porta. Saco o maço de luckies. Abro a tampa, dou lhe um baque,
um cigarro fica mais saido, tiro o com os labios. Fecho o maço, guardo no
porta. Pressiono o isqueiro do carro. Espera. Esta' pronto.
Acendo o cigarro. Adeus Leonor; olá noite...
Puxo a brasa do cigarro, tiro uma passa forte...
inspiro a para os pulmoes... Sinto. Deito fora o fumo, devagar, pela boca.
Vamos, Senhor...
Tiro o travao de parqueamento, engato drive, e acelero devagar...
começo a descer a tua rua. Penso em ti. Vejo a tua imagem,
na minha mente. Vejo-a. O teu rosto, perfeito, 'es o meu desejo realizado,
o teu cabelo... Acelero.
O motor soa... pela noite...
Daqui a nada chego a casa, ja estão todos a dormir certamente,
deixo o carro, de lado, na garagem, no telheiro.
Posso nao ter muitas posses, mas a minha casa tem um espacinho para
estacionar a ' Rita '.
Inspirado na Rita Hayworth, que a minha avó gostava.
Conduzo, moramos relativamente perto. A um quarto de hora, mais coisa,
menos coisa.
Tu moras numa zona mais chique...
Um predio, ate' fino, diria. A minha zona nao e' ma', mas e' mais
pacata, uma pequena vivenda, ja' antiga, de um só piso, envelhecida.
Por um lado prefiro onde moro; e' mais isolado. Temos um terrenozinho
com a casa, da' para la ter o carro, e mexer lhe quando preciso.
Faço a estrada, tem algumas curvas, com arvorezitas 'a volta e isso, uns
arbustos, e coisas dessas; la vou, com as luzes do carro a iluminar a
estrada... calmamente. Deixo o radio tocar baixo, um qualquer rock,
que vai tocando. E vou, vou na boa... atento, mas calmamente;
nem sequer ha carros nenhuns, vou, só, na minha. Faço o caminho...
Com a mão esquerda no volante. Curto, parece que estou meio tripado,
assim, mellow, e vejo as cenas a correr, a escorrer, enquanto o meu
cerebro processa a realidade que decorre. Por um segundo, sinto;
sinto a solidao de não te ter, e' muito funda; mas está tudo bem.
Refiro me que? Ao momento passado ou agora? Ah. Pois.
Estou quase em casa. E por acaso, estou mesmo... quase... em casa.
Conduzo. Estou em casa. Abro o portao metalico, meio enferrujado que
da para o telheiro ao lado da casa. Entro com o carro.
Estaciono. Desligo tudo.
Tiro as chaves de casa do porta luvas, meto as chaves no bolso das calças.
Penteio o cabelo com as mãos. Fecho o carro.
Caminho fora do telheiro, fecho o portao de metal,
e dirijo-me a entrada de minha casa;
janelas, todas fechadas.
'A porta, o pequeno tapete, meio encardido, daquela coisa que pica, castanho.
Saco as chaves do bolso, meto as 'a ranhura. Torno a chave, com cuidado,
para nao fazer barulho.
Entro. Fecho a porta, tranco-a;
e vou para o meu quarto descansar.
Até amanha, amor.
ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.
O peso do teu corpo em cima do meu...
Agrada-me. Muito.
Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.
Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;
numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.
Ponho o braço direito por trás da cabeça para fazer altura,
e meto a minha mao esquerda na tua anca.
' Olha ' digo, e dou-te um beijinho pequenino;
' diz ' perguntas,
' Anda cá ' digo, e rebolo, trocando de posição contigo;
passas a ficar por baixo; e eu por cima.
' Peso ? '
' Nao muito ' dizes.
' Ve lá '
Sorris curta e honestamente, com os olhos e com a boca.
Olho-te. Sem te pesar, meto a mao direita para baixo do banco,
tiro de la uma manta que la habita,
dobro-a um pouco melhor,
para teres um encosto.
Dou-te um beijo na boca, terno... meigo, curto.
'Es linda, penso, para ti.
Tu olhas para mim, sorris, de soslaio, com ar mauzinho.
Olho para ti, vejo o teu rosto, 'es muito bonita;
estas indefesa, olhas me com carinho.
Apoiando me no banco, meto a mao direita no teu cabelo, toco lhe,
e' longo; longo, ondulado, e belo... ahhh, Amor.
Faço-te uma festa com a parte de fora da mao, no rosto, na face;
de cima, para baixo, com carinho.
Sorrio levemente. Toco o teu pescoço com o meu dedo indicador,
ao de leve, percorro-o o devagar.
desço, devagar, suavemente pelo teu decote; páro.
Tiro a alça esquerda do teu top para o lado.
Desço um pouco mais, toco o teu peito, de lado, ao de leve,
e continuo pela barriga, descendo; olho-te.
Continuo a descer, com os dedos, pela barriga;
passo o teu umbigo, meio escondido por baixo do top...
e aproximo-me do botão das tuas calças...
Páro. Olho-te nos olhos, com a mão sobre o botão das tuas calças,
um dedo ja a fazer pressao no botao e os outros no tecido.
Olho-te, quase inexpressivo. Tu, olhas-me praticamente,
com o mesmo olhar...
A noite, o céu, as estrelas... Buick Special 1958 Azul matte com hardtop
branco. Silencio...
Faço o movimento, com os dedos, abro o botão...
Beijo-te...
O resto; bem, o resto tu deves lembrar-te.
Dai a um bocado,
fui levar-te a casa, ficamos do mesmo lado da rua, o teu predio do lado
direito do carro, encostei de lado, perto do passeio, como na chegada.
Travo. Engato o carro em Park, e carrego no pedal de parqueamento.
Deixo o motor a trabalhar...
Despedimo-nos.
' Gostei de estar contigo ' dizes-me.
' Tambem '
Pisco o olho ao de leve.
Um beijinho nos labios, leve, um peck.
' Até amanha... depois liga-me ' digo.
' Nao, liga-me tu '
' Esta bem, eu ligo '
Tenho a mao na tua perna, faço uma festa, e tiro-a,
abres a porta com o manipulo.
' Deixa aqui o saco '
' Ta bem '
Acabas de sair, o vidro esta aberto. Fechas a porta.
Pancada.
Olhas um pouco pela janela, metes um pouco a cabeça dentro da janela,
' Adeus ' dizes,
chego me até ti, e dou te mais um beijo na boca,
mais doce, um pouco molhado.
' Vai ' digo.
' Ciao ' dizes.
Começas a afastar-te do carro.
Fico a olhar para ti. Barulho do motor, em baixa rotação, ruido de frequencias
baixas, com um lento, leve baloiçar.
Olho para ti, estas de costas, caminhas de frente para a tua porta.
Vejo a tua figura... linda...
magnifica. Uma miuda linda. Ah, perco-me em ti. O teu cabelo, adorna as tuas
costas, com as suas ondas maravilhosas. Caminhas, quase brilhas.
Sempre gostei de ver-te andar... Muito segura... uma mulher.
Sempre foste assim. Andas.
Estas perto da porta do predio. Tiras as chaves da malinha preta.
A noite, Buick Special 1958 5.5 Litros, o João, a Leonor;
Devagar, como uma gazela, viras o rosto, o tronco, e depois para mim,
acenas adeus com a mão direita; com muita graça.
Olho para ti, aceno que sim com o rosto, e sopro te um beijo.
Tornas a chave, do predio, vejo;
entras, olhas de novo ao de leve e tornas a esquina para as escadas;
deixo de te ver.
Ah... meu Deus, minha paixao... todo este amor.
Fico uns segundos, inebriado pela tua presença; por te ter, ainda olhando,
a porta do teu predio, de luz acesa, pela noite, a sentir esta tal nostalgia,
por...
Abro o porta. Saco o maço de luckies. Abro a tampa, dou lhe um baque,
um cigarro fica mais saido, tiro o com os labios. Fecho o maço, guardo no
porta. Pressiono o isqueiro do carro. Espera. Esta' pronto.
Acendo o cigarro. Adeus Leonor; olá noite...
Puxo a brasa do cigarro, tiro uma passa forte...
inspiro a para os pulmoes... Sinto. Deito fora o fumo, devagar, pela boca.
Vamos, Senhor...
Tiro o travao de parqueamento, engato drive, e acelero devagar...
começo a descer a tua rua. Penso em ti. Vejo a tua imagem,
na minha mente. Vejo-a. O teu rosto, perfeito, 'es o meu desejo realizado,
o teu cabelo... Acelero.
O motor soa... pela noite...
Daqui a nada chego a casa, ja estão todos a dormir certamente,
deixo o carro, de lado, na garagem, no telheiro.
Posso nao ter muitas posses, mas a minha casa tem um espacinho para
estacionar a ' Rita '.
Inspirado na Rita Hayworth, que a minha avó gostava.
Conduzo, moramos relativamente perto. A um quarto de hora, mais coisa,
menos coisa.
Tu moras numa zona mais chique...
Um predio, ate' fino, diria. A minha zona nao e' ma', mas e' mais
pacata, uma pequena vivenda, ja' antiga, de um só piso, envelhecida.
Por um lado prefiro onde moro; e' mais isolado. Temos um terrenozinho
com a casa, da' para la ter o carro, e mexer lhe quando preciso.
Faço a estrada, tem algumas curvas, com arvorezitas 'a volta e isso, uns
arbustos, e coisas dessas; la vou, com as luzes do carro a iluminar a
estrada... calmamente. Deixo o radio tocar baixo, um qualquer rock,
que vai tocando. E vou, vou na boa... atento, mas calmamente;
nem sequer ha carros nenhuns, vou, só, na minha. Faço o caminho...
Com a mão esquerda no volante. Curto, parece que estou meio tripado,
assim, mellow, e vejo as cenas a correr, a escorrer, enquanto o meu
cerebro processa a realidade que decorre. Por um segundo, sinto;
sinto a solidao de não te ter, e' muito funda; mas está tudo bem.
Refiro me que? Ao momento passado ou agora? Ah. Pois.
Estou quase em casa. E por acaso, estou mesmo... quase... em casa.
Conduzo. Estou em casa. Abro o portao metalico, meio enferrujado que
da para o telheiro ao lado da casa. Entro com o carro.
Estaciono. Desligo tudo.
Tiro as chaves de casa do porta luvas, meto as chaves no bolso das calças.
Penteio o cabelo com as mãos. Fecho o carro.
Caminho fora do telheiro, fecho o portao de metal,
e dirijo-me a entrada de minha casa;
janelas, todas fechadas.
'A porta, o pequeno tapete, meio encardido, daquela coisa que pica, castanho.
Saco as chaves do bolso, meto as 'a ranhura. Torno a chave, com cuidado,
para nao fazer barulho.
Entro. Fecho a porta, tranco-a;
e vou para o meu quarto descansar.
Até amanha, amor.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
fomos sair _ de volta ao miradouro _ cont
'Es a melhor, a melhor de sempre... eu sei.
Tento 'as vezes disfarçar, fazer de conta que ate nao sinto muito
tua falta; mas custa-me. E sim, digo ' ola' ' a tua foto.
Conforta-me.
Tu, olhas-me, com a mesma calma de sempre, com a tua expressao
calma, e terna. Sinto a tua falta. Sera' que se saissemos agora,
iamos curtir? Vou-te contar um segredo...
Acho que sim.
Fomos feitos um para o outro, e eu sei disso; eu sei.
E pelo meio de palavras, pontos finais, virgulas, imaginacao,
pontos de exclamacao ( poucos ), e alguns de interrogação, aqui estou,
num ponto de encontro contigo.
Mas tu; tu, 'es real.
Ainda que fosses
fantasia; mas por acaso nao; eu quando ler isto vou me lembrar.
Conhecemo-nos no Verão. Mas ja te tinha visto antes.
Ja tinha ja'. Por ai.
Se calhar tambem andavas a minha procura; eu andava 'a tua, a serio.
Mais um dia passou.
Tenho a minha mao na tua, a teu lado, estamos no carro,
acabo de comer a goma, vermelha.
Tu estas, assim sorridente... com a tua calma.
Ao fim ao cabo 'es uma Santa. Sim, e' segredo, eu nao conto a ninguem;
mas eu acho que eles percebem.
Olho la para fora, as folhas das arvores mexem, ao sabor da brisa numa
noite excelente, num nosso espaço; o Buick reluz sobre as terriveis luzes
da rua... Os disticos no capot... Uma frente longa, larga...
Onde habita o 327CI, 8 cilindros em V; este carro tem qualquer coisa
de fantasmagorico; do alem; deve ser das imperfeicoes e peças envelhecidas,
ou ate talvez de outra coisa, que eu nao esteja a ver...
Atrás diz Special, em letras
maiusculas; mala, a qual, adornada por duas barbatanas bicudas com cromado
no topo, por cima dos Stops a vermelho.
A gasolina entra, disfarçadamente, a meio do para choques traseiro.
O radio continua a tocar, baixinho, algum rock.
Olho de novo para as arvores. Gosto de ve-las. Sempre gostei da natureza.
Olho para ti, peço-te mais uma goma.
' Da-me uma goma, pode ser '
Das me o pacote para as maos.
' Tira '
Começo a tirar uma goma, esta e' das brancas. Deve ser de limao.
Tiro a com o dedo polegar, e ponho a na palma da minha mao esquerda,
pergunto-te
' Queres ? '
' Nao, come essa, daqui a pouco como o meu anel ' ris.
' Esta bem, eu sabia que esta relacao nao ia durar muito, de
qualquer modo ' digo.
' Deve ser de que sabor ? '
' Nao sei amor, tens de experimentar ' respondo.
' Hmmm, vou come-lo '
' Come '
Levo a goma a boca, e dou lhe umas trincas; e' boa, gosto destas gomas,
sao bem doces.
Começas a tirar o anel do dedo, e ,
guarda-lo na tua mao.
' Foi bom enquanto durou ' dizes.
' Sim, nao foi mau. '
' Foi bom, mas tu 'es um bocadinho mau '
' Tu nao; tu, 'es linda '
Chegas te a mim, e das me um beijo nos labios, e roças o teu nariz no
meu, com carinho; sorris.
Com o meu braço direito, nao te deixo voltar ao teu lugar,
e mantenho te junto a mim,
dou te um beijo curto, nos labios; mas apaixonado, para te ter mais um pouco;
meu Deus, como e' bom sentir os teus labios junto aos meus.
Ja beijei outras gajas; e tu, 'es melhor.
'Es a melhor.
Deixo-te ir. Voltas ao teu lugar no assento.
Abres a mao; e com a outra, levas o anel que la estava, 'a boca.
' Deve ter um sabor a açucar generico , aposto ' digo.
' Sim, deve ser '
Trincas o anel.
' Hmmmm, deixa ver. Até nao e' mau. Mas e' muito doce, uh,
nao o vou comer todo , enjoa '
' Ainda por cima poes defeitos ' digo.
Sorris.
' Vou por aqui no cinzeiro o resto '
' Sim, faz isso '
Abres o cinzeiro. Poes la dentro o que resta do anel açucarado.
Fecha-lo.
Olhas-me com um olhar.
Pouso as gomas no acento do carro.
' Olha; posso-te dizer um segredo ? ' perguntas.
' Hm; eh pa, acho que sim '
Tiras o volume do radio.
Chegas-te ao pé de mim, pelo banco, corrido...
Chegas-te mais. Metes as tuas pernas em cima das minhas ; de lado;
quase como se te sentasses ao meu colo. Estás a minha direita.
Chegas a tua boca 'a minha orelha e segredas:
' 'Es todo giro, sabias? '
' Nao... ' refiro.
' Olha... '
' Sim, diz '
Assim, de mansinho, poes tambem os braços a volta do meu pescoço,
e começas me a beijar atrás da orelha, do meu lado direito, devagarinho.
Ouço o teu respirar, la' ao
fundo... muito ao de leve. Mantenho-me calmo. Frio.
Mas estou aqui. Com a tua mao direita fazes me festas no cabelo,
e continuas agarrada a mim, e ao meu colo.
Um pouco chateado... olho a volta;
estamos sozinhos. Continuo sério. Olho la para cima , para o céu, negro,
vejo as estrelas... solitarias, a anos luz daqui.
Olho mais um pouco o ceu da noite.
' Não e' melhor irmos andando ?' pergunto.
' Não ; deixa estar, so mais um pedacinho... '
Continuas a mimar-me; com beijinhos,
perto da minha orelha.
Paras de me acariciar o cabelo, e agarras-te com os dois braços a mim,
ouço te respirar, e sinto um outro compasso, mais lento...
Pesado.
Ouço-te respirar, devagar; devagar. Roças o teu rosto no meu,
devagarinho... devagarinho. Respiras. Estou um pouco, serio; mas ja baixei
um pouco as defesas.
Continuas, rosto colado ao meu, e começas a chegar mais 'a frente do meu
rosto; sinto o teu rosto tocar no meu de manso; fecho um pouco
os olhos.
Parado; atento, viro os olhos na tua direcçao, estas a milimetros de mim.
Olho-te, serio.
Afastas o teu rosto de mim, um pouco, ficamos cara a cara.
Olhas-me.
Olho os teus olhos... esta escuro, mas vejo os...
dizem qualquer coisa. Nao hesitas. Continuas a olhar me. Vejo os teus olhos.
' Va la' Leonor; 'ta quieta '
' Va' la , nao sejas chato ' dizes, altiva.
Aproximas o rosto do meu, apertando-me mais
com os teus braços, sinto o teu corpo ficar mais perto, sinto as tuas
pernas sobre as minhas.
Os teus labios estao a milimetros dos meus...
aproximas-te mais um milimetro;
os nossos labios tocam-se, pouco a pouco.
Beijamo-nos.
Beijamo-nos mais; os nossos labios, tocam-se, assim;
e' magia... Abro os olhos; vejo o teu rosto,
olho-te nos olhos... 'e a nossa paixao, completa...
'Es bela como nenhuma outra. Os nossos labios tocam-se,
molhados...
Olho os teus olhos...
Ha' qualquer coisa neles... Ha' uma paixao
tao grande, tao intensa, que ao ve-la; sinto-a;
sei que me amas, sei que me amas.
Tiras os braços, levemente de volta de mim; e ainda beijando-me,
tiras as pernas de cima de mim,
sentas-te 'a minha direita. Páras de me beijar;
poes as maos sobre o meu colarinho; e começas a
empurrar-me para baixo... devagar.
Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,
ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.
O peso do teu corpo em cima do meu...
Agrada-me. Muito.
Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.
Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;
numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.
Tento 'as vezes disfarçar, fazer de conta que ate nao sinto muito
tua falta; mas custa-me. E sim, digo ' ola' ' a tua foto.
Conforta-me.
Tu, olhas-me, com a mesma calma de sempre, com a tua expressao
calma, e terna. Sinto a tua falta. Sera' que se saissemos agora,
iamos curtir? Vou-te contar um segredo...
Acho que sim.
Fomos feitos um para o outro, e eu sei disso; eu sei.
E pelo meio de palavras, pontos finais, virgulas, imaginacao,
pontos de exclamacao ( poucos ), e alguns de interrogação, aqui estou,
num ponto de encontro contigo.
Mas tu; tu, 'es real.
Ainda que fosses
fantasia; mas por acaso nao; eu quando ler isto vou me lembrar.
Conhecemo-nos no Verão. Mas ja te tinha visto antes.
Ja tinha ja'. Por ai.
Se calhar tambem andavas a minha procura; eu andava 'a tua, a serio.
Mais um dia passou.
Tenho a minha mao na tua, a teu lado, estamos no carro,
acabo de comer a goma, vermelha.
Tu estas, assim sorridente... com a tua calma.
Ao fim ao cabo 'es uma Santa. Sim, e' segredo, eu nao conto a ninguem;
mas eu acho que eles percebem.
Olho la para fora, as folhas das arvores mexem, ao sabor da brisa numa
noite excelente, num nosso espaço; o Buick reluz sobre as terriveis luzes
da rua... Os disticos no capot... Uma frente longa, larga...
Onde habita o 327CI, 8 cilindros em V; este carro tem qualquer coisa
de fantasmagorico; do alem; deve ser das imperfeicoes e peças envelhecidas,
ou ate talvez de outra coisa, que eu nao esteja a ver...
Atrás diz Special, em letras
maiusculas; mala, a qual, adornada por duas barbatanas bicudas com cromado
no topo, por cima dos Stops a vermelho.
A gasolina entra, disfarçadamente, a meio do para choques traseiro.
O radio continua a tocar, baixinho, algum rock.
Olho de novo para as arvores. Gosto de ve-las. Sempre gostei da natureza.
Olho para ti, peço-te mais uma goma.
' Da-me uma goma, pode ser '
Das me o pacote para as maos.
' Tira '
Começo a tirar uma goma, esta e' das brancas. Deve ser de limao.
Tiro a com o dedo polegar, e ponho a na palma da minha mao esquerda,
pergunto-te
' Queres ? '
' Nao, come essa, daqui a pouco como o meu anel ' ris.
' Esta bem, eu sabia que esta relacao nao ia durar muito, de
qualquer modo ' digo.
' Deve ser de que sabor ? '
' Nao sei amor, tens de experimentar ' respondo.
' Hmmm, vou come-lo '
' Come '
Levo a goma a boca, e dou lhe umas trincas; e' boa, gosto destas gomas,
sao bem doces.
Começas a tirar o anel do dedo, e ,
guarda-lo na tua mao.
' Foi bom enquanto durou ' dizes.
' Sim, nao foi mau. '
' Foi bom, mas tu 'es um bocadinho mau '
' Tu nao; tu, 'es linda '
Chegas te a mim, e das me um beijo nos labios, e roças o teu nariz no
meu, com carinho; sorris.
Com o meu braço direito, nao te deixo voltar ao teu lugar,
e mantenho te junto a mim,
dou te um beijo curto, nos labios; mas apaixonado, para te ter mais um pouco;
meu Deus, como e' bom sentir os teus labios junto aos meus.
Ja beijei outras gajas; e tu, 'es melhor.
'Es a melhor.
Deixo-te ir. Voltas ao teu lugar no assento.
Abres a mao; e com a outra, levas o anel que la estava, 'a boca.
' Deve ter um sabor a açucar generico , aposto ' digo.
' Sim, deve ser '
Trincas o anel.
' Hmmmm, deixa ver. Até nao e' mau. Mas e' muito doce, uh,
nao o vou comer todo , enjoa '
' Ainda por cima poes defeitos ' digo.
Sorris.
' Vou por aqui no cinzeiro o resto '
' Sim, faz isso '
Abres o cinzeiro. Poes la dentro o que resta do anel açucarado.
Fecha-lo.
Olhas-me com um olhar.
Pouso as gomas no acento do carro.
' Olha; posso-te dizer um segredo ? ' perguntas.
' Hm; eh pa, acho que sim '
Tiras o volume do radio.
Chegas-te ao pé de mim, pelo banco, corrido...
Chegas-te mais. Metes as tuas pernas em cima das minhas ; de lado;
quase como se te sentasses ao meu colo. Estás a minha direita.
Chegas a tua boca 'a minha orelha e segredas:
' 'Es todo giro, sabias? '
' Nao... ' refiro.
' Olha... '
' Sim, diz '
Assim, de mansinho, poes tambem os braços a volta do meu pescoço,
e começas me a beijar atrás da orelha, do meu lado direito, devagarinho.
Ouço o teu respirar, la' ao
fundo... muito ao de leve. Mantenho-me calmo. Frio.
Mas estou aqui. Com a tua mao direita fazes me festas no cabelo,
e continuas agarrada a mim, e ao meu colo.
Um pouco chateado... olho a volta;
estamos sozinhos. Continuo sério. Olho la para cima , para o céu, negro,
vejo as estrelas... solitarias, a anos luz daqui.
Olho mais um pouco o ceu da noite.
' Não e' melhor irmos andando ?' pergunto.
' Não ; deixa estar, so mais um pedacinho... '
Continuas a mimar-me; com beijinhos,
perto da minha orelha.
Paras de me acariciar o cabelo, e agarras-te com os dois braços a mim,
ouço te respirar, e sinto um outro compasso, mais lento...
Pesado.
Ouço-te respirar, devagar; devagar. Roças o teu rosto no meu,
devagarinho... devagarinho. Respiras. Estou um pouco, serio; mas ja baixei
um pouco as defesas.
Continuas, rosto colado ao meu, e começas a chegar mais 'a frente do meu
rosto; sinto o teu rosto tocar no meu de manso; fecho um pouco
os olhos.
Parado; atento, viro os olhos na tua direcçao, estas a milimetros de mim.
Olho-te, serio.
Afastas o teu rosto de mim, um pouco, ficamos cara a cara.
Olhas-me.
Olho os teus olhos... esta escuro, mas vejo os...
dizem qualquer coisa. Nao hesitas. Continuas a olhar me. Vejo os teus olhos.
' Va la' Leonor; 'ta quieta '
' Va' la , nao sejas chato ' dizes, altiva.
Aproximas o rosto do meu, apertando-me mais
com os teus braços, sinto o teu corpo ficar mais perto, sinto as tuas
pernas sobre as minhas.
Os teus labios estao a milimetros dos meus...
aproximas-te mais um milimetro;
os nossos labios tocam-se, pouco a pouco.
Beijamo-nos.
Beijamo-nos mais; os nossos labios, tocam-se, assim;
e' magia... Abro os olhos; vejo o teu rosto,
olho-te nos olhos... 'e a nossa paixao, completa...
'Es bela como nenhuma outra. Os nossos labios tocam-se,
molhados...
Olho os teus olhos...
Ha' qualquer coisa neles... Ha' uma paixao
tao grande, tao intensa, que ao ve-la; sinto-a;
sei que me amas, sei que me amas.
Tiras os braços, levemente de volta de mim; e ainda beijando-me,
tiras as pernas de cima de mim,
sentas-te 'a minha direita. Páras de me beijar;
poes as maos sobre o meu colarinho; e começas a
empurrar-me para baixo... devagar.
Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,
ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.
O peso do teu corpo em cima do meu...
Agrada-me. Muito.
Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.
Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;
numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.
Subscrever:
Comentários (Atom)