segunda-feira, 16 de agosto de 2010

fomos sair _ de volta ao miradouro _ cont

'Es a melhor, a melhor de sempre... eu sei.

Tento 'as vezes disfarçar, fazer de conta que ate nao sinto muito

tua falta; mas custa-me. E sim, digo ' ola' ' a tua foto.

Conforta-me.

Tu, olhas-me, com a mesma calma de sempre, com a tua expressao

calma, e terna. Sinto a tua falta. Sera' que se saissemos agora,

iamos curtir? Vou-te contar um segredo...

Acho que sim.

Fomos feitos um para o outro, e eu sei disso; eu sei.

E pelo meio de palavras, pontos finais, virgulas, imaginacao,

pontos de exclamacao ( poucos ), e alguns de interrogação, aqui estou,

num ponto de encontro contigo.

Mas tu; tu, 'es real.

Ainda que fosses

fantasia; mas por acaso nao; eu quando ler isto vou me lembrar.

Conhecemo-nos no Verão. Mas ja te tinha visto antes.

Ja tinha ja'. Por ai.

Se calhar tambem andavas a minha procura; eu andava 'a tua, a serio.

Mais um dia passou.

Tenho a minha mao na tua, a teu lado, estamos no carro,

acabo de comer a goma, vermelha.

Tu estas, assim sorridente... com a tua calma.

Ao fim ao cabo 'es uma Santa. Sim, e' segredo, eu nao conto a ninguem;

mas eu acho que eles percebem.

Olho la para fora, as folhas das arvores mexem, ao sabor da brisa numa

noite excelente, num nosso espaço; o Buick reluz sobre as terriveis luzes

da rua... Os disticos no capot... Uma frente longa, larga...

Onde habita o 327CI, 8 cilindros em V; este carro tem qualquer coisa

de fantasmagorico; do alem; deve ser das imperfeicoes e peças envelhecidas,

ou ate talvez de outra coisa, que eu nao esteja a ver...

Atrás diz Special, em letras

maiusculas; mala, a qual, adornada por duas barbatanas bicudas com cromado

no topo, por cima dos Stops a vermelho.

A gasolina entra, disfarçadamente, a meio do para choques traseiro.

O radio continua a tocar, baixinho, algum rock.

Olho de novo para as arvores. Gosto de ve-las. Sempre gostei da natureza.

Olho para ti, peço-te mais uma goma.

' Da-me uma goma, pode ser '

Das me o pacote para as maos.

' Tira '

Começo a tirar uma goma, esta e' das brancas. Deve ser de limao.

Tiro a com o dedo polegar, e ponho a na palma da minha mao esquerda,

pergunto-te

' Queres ? '

' Nao, come essa, daqui a pouco como o meu anel ' ris.

' Esta bem, eu sabia que esta relacao nao ia durar muito, de

qualquer modo ' digo.

' Deve ser de que sabor ? '

' Nao sei amor, tens de experimentar ' respondo.

' Hmmm, vou come-lo '

' Come '

Levo a goma a boca, e dou lhe umas trincas; e' boa, gosto destas gomas,

sao bem doces.

Começas a tirar o anel do dedo, e ,

guarda-lo na tua mao.

' Foi bom enquanto durou ' dizes.

' Sim, nao foi mau. '

' Foi bom, mas tu 'es um bocadinho mau '

' Tu nao; tu, 'es linda '

Chegas te a mim, e das me um beijo nos labios, e roças o teu nariz no

meu, com carinho; sorris.

Com o meu braço direito, nao te deixo voltar ao teu lugar,

e mantenho te junto a mim,

dou te um beijo curto, nos labios; mas apaixonado, para te ter mais um pouco;

meu Deus, como e' bom sentir os teus labios junto aos meus.

Ja beijei outras gajas; e tu, 'es melhor.

'Es a melhor.

Deixo-te ir. Voltas ao teu lugar no assento.

Abres a mao; e com a outra, levas o anel que la estava, 'a boca.

' Deve ter um sabor a açucar generico , aposto ' digo.

' Sim, deve ser '

Trincas o anel.

' Hmmmm, deixa ver. Até nao e' mau. Mas e' muito doce, uh,

nao o vou comer todo , enjoa '

' Ainda por cima poes defeitos ' digo.

Sorris.

' Vou por aqui no cinzeiro o resto '

' Sim, faz isso '

Abres o cinzeiro. Poes la dentro o que resta do anel açucarado.

Fecha-lo.

Olhas-me com um olhar.

Pouso as gomas no acento do carro.

' Olha; posso-te dizer um segredo ? ' perguntas.

' Hm; eh pa, acho que sim '

Tiras o volume do radio.

Chegas-te ao pé de mim, pelo banco, corrido...

Chegas-te mais. Metes as tuas pernas em cima das minhas ; de lado;

quase como se te sentasses ao meu colo. Estás a minha direita.

Chegas a tua boca 'a minha orelha e segredas:

' 'Es todo giro, sabias? '

' Nao... ' refiro.

' Olha... '

' Sim, diz '

Assim, de mansinho, poes tambem os braços a volta do meu pescoço,

e começas me a beijar atrás da orelha, do meu lado direito, devagarinho.

Ouço o teu respirar, la' ao

fundo... muito ao de leve. Mantenho-me calmo. Frio.

Mas estou aqui. Com a tua mao direita fazes me festas no cabelo,

e continuas agarrada a mim, e ao meu colo.

Um pouco chateado... olho a volta;

estamos sozinhos. Continuo sério. Olho la para cima , para o céu, negro,

vejo as estrelas... solitarias, a anos luz daqui.

Olho mais um pouco o ceu da noite.

' Não e' melhor irmos andando ?' pergunto.

' Não ; deixa estar, so mais um pedacinho... '

Continuas a mimar-me; com beijinhos,

perto da minha orelha.

Paras de me acariciar o cabelo, e agarras-te com os dois braços a mim,

ouço te respirar, e sinto um outro compasso, mais lento...

Pesado.

Ouço-te respirar, devagar; devagar. Roças o teu rosto no meu,

devagarinho... devagarinho. Respiras. Estou um pouco, serio; mas ja baixei

um pouco as defesas.

Continuas, rosto colado ao meu, e começas a chegar mais 'a frente do meu

rosto; sinto o teu rosto tocar no meu de manso; fecho um pouco

os olhos.

Parado; atento, viro os olhos na tua direcçao, estas a milimetros de mim.

Olho-te, serio.

Afastas o teu rosto de mim, um pouco, ficamos cara a cara.

Olhas-me.

Olho os teus olhos... esta escuro, mas vejo os...

dizem qualquer coisa. Nao hesitas. Continuas a olhar me. Vejo os teus olhos.

' Va la' Leonor; 'ta quieta '

' Va' la , nao sejas chato ' dizes, altiva.

Aproximas o rosto do meu, apertando-me mais

com os teus braços, sinto o teu corpo ficar mais perto, sinto as tuas

pernas sobre as minhas.

Os teus labios estao a milimetros dos meus...

aproximas-te mais um milimetro;

os nossos labios tocam-se, pouco a pouco.

Beijamo-nos.

Beijamo-nos mais; os nossos labios, tocam-se, assim;

e' magia... Abro os olhos; vejo o teu rosto,

olho-te nos olhos... 'e a nossa paixao, completa...

'Es bela como nenhuma outra. Os nossos labios tocam-se,

molhados...

Olho os teus olhos...

Ha' qualquer coisa neles... Ha' uma paixao

tao grande, tao intensa, que ao ve-la; sinto-a;

sei que me amas, sei que me amas.

Tiras os braços, levemente de volta de mim; e ainda beijando-me,

tiras as pernas de cima de mim,

sentas-te 'a minha direita. Páras de me beijar;

poes as maos sobre o meu colarinho; e começas a

empurrar-me para baixo... devagar.

Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,

ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.

O peso do teu corpo em cima do meu...

Agrada-me. Muito.

Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.

Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;

numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.

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