Acelero, fazemos a rua toda. Vemos alguma gente, felizmente nao muita,
gosto de estar na boa, contigo, sem multidoes. Nao sei porque,
sempre fui assim. Esquisito. Esta optimo. A feira, parece estar fixe,
tem algumas atracções fixes, mas nos queremos e' o carrocel.
' Se vires um lugar diz me '
' Ok ' respondes, e vais olhando nas calmas.
Rolo mais um pouco...
' Esta ali um fixe , ve '
' Ok. ' Vou ate la, deixa ca ver se cabe. Cabe. Ok, viro o volante,
e estaciono, de frente, ate tem uma outra vaga ao lado.
Meto em PARK, e meto o travao de parqueamento. Desligo o carro, pego nas minhas
cenas.
' Vamos, amor '
' Sim, vamos, deixa me so arrumar isto na mala '
Saio do carro, saco um cigarro do maço, acendo. Na boa...
Vou ter ao teu lado, e olho la para dentro. Tu ves-me, e sorris;
piscas o olho. Abres a porta, que eu seguro; sais.
Olho para ti. Bela. Dou te um beijo no rosto, sinto os teus cabelos tocar-me.
Sorrio. Fecho a porta com um baque seco. Fecho 'a chave.
Pego na tua mao, e caminhamos para atravessar a estrada para a feira.
Cinemascope, vejo tudo, as cores, o ambiente, as atrações...
Isto esta a acontecer agora... caminho, sinto-me bem... sentimo-nos bem...
Olhamo-nos, de mao na mao e caminhamos. Atravessamos a estrada.
' Ah, ah, olha, olha, algodao doce, ves Joao '
' Sim . Ja vamos comprar, amor '
Vejo pessoas, algumas, nao muitas, mas na verdade, estou só...
contigo... estamos só, nos os dois...
Espanto. Tempo algo desacelerado. Cores, sons, cheiros.
Desço 'a Terra, falo contigo.
' Vamos ali comprar o algodao '
' Vamos ! '
Vamos ate lá.
' Um algodao doce, por favor '
' Que cor ? '
' Azul ' e olho para ti, tu acenas que 'sim'.
' Azul, entao ' diz o rapaz.
O rapaz la faz o algodao, despeja os corantes ou que e', e em breve me
da o algodao doce.
' E' para ela ' digo.
Tu estendes o braço e pegas no algodao doce, feliz, sorrindo.
Eu, saco dumas moedas que tenho aqui no bolso, e pago.
' Esta certo ' diz o rapaz, e eu aceno.
' Boa tarde ' digo, ao que o rapaz responde
' Boa tarde '
' Vamos! ' digo-te.
' Sim ' respondes, e vais comendo o algodao.
Estas bem disposta, e piscas-me ambos os olhos enquando comes o algodao.
Caminhamos ali pela feira, estamos ao pé de mais roulotes e tendas com
comestiveis. Ali , esta uma tenda de tiro ao alvo. Devem dar uns bonecos
de prenda. Curtia ganhar um para ti. Acho que nunca experimentei mandar
uns balazios naquelas latas, nem curto muito, apesar de ate ter boa pontaria.
' Vou ganhar um peluche para ti, sacaninha, fixe? '
' Ya, boa, era fixe, baza ver o que há '
Vamos ate la, pelo meio da cor, e das musicas que se vao ouvindo de fundo...
Topamos que animais terao... Hmmm, deixa ca ver.
' Ve, sacaninha, teem muitos '
Tu poes te a olhar para escolher.
' Deixa ver, deixa ver... hmmmmm ' e continuas a olhar, a olhar.
' Ja sei quero aquele coelho, muita giro '
' 'Ta bem, vou tentar mas nao prometo nada , ok? '
' Mas tenta, eu quero '
' Ok, pronto '
Ha lugar para eu atirar, e entao chamo o rapaz que esta nesta tenda.
' E' para mandar uns tiros entao '
' Ok, diz ele '
Pago logo, ele agradece e da me a pressao de ar para a mao.
' Ok, entao vamos la ver isto ' penso para mim.
Aponto para as figuras que mexem, sao patos.
Eles vao andando. Concentro-me, aponto.
Dou um tiro. Falho. Os patos mexem-se. Continuam.
Dou outro tiro. Acerto, um pato foi-se. Dou outro tiro. Outro pato.
Dou outro tiro. Falho. Ultimo tiro; acerto. Tres em cinco.
' Nada mal ' diz o rapaz da tenda.
' Tres em cinco, da o que ? '
' Tudo o que estiver deste lado ' e aponta. O teu coelho, ate esta lá, que
sorte.
' Quero o coelho, pode ser ? '
' Certamente ' e vai para pegar-lhe.
' Olhe, importa-se de mo guardar um bocado, enquanto dou aqui mais uma volta ? '
' Ah, sim nao ha problema '
' Ate ja, entao ' digo, e o rapaz acena.
' Boa ! Ganhaste um coelhinho para mim '
' Tiveste sorte! '
' Hi hi ' ris.
' Baza, va vamos dar uma volta '
Damos o braço um ao outro, e passeamos por ali. Algumas atracoes, coisas giras,
algumas bancas de venda, oculos, carteiras, cenas superfluas e outras que tais.
Passeamos... Penso em algo. Olho em redor, olho; penso. Penso.
Pego-te pela mao. Olhas me em tom de duvida.
Puxo-te, puxo-te. Passamos por tendas, passamos, andamos, saimos daquela area,
ficamos ali ao lado, onde ha umas arvores que rodeiam.
Sorrio para ti. Olho-te, sinto me feliz. Levo-nos para perto de uma
arvore, 'a qual tu te encostas, olhando-me. Sorris.
Estás linda com o teu vestido branco, linda; linda, como uma visao.
Chego me perto de ti, encosto-me a ti. Olhamo-nos, com alguma paixao.
Frente, a frente, olhamo-nos... quao belo e' o Amor.
Meto a minha mao direita na tua perna, do lado de fora,
perto do joelho, e vou subindo devagar. Subo, so um pouco. Paro, pressiono
a tua coxa. Largo, e abraço-te... Olhamo-nos nos olhos;
beijamo-nos... lenta, e docemente, e' tudo belo, sentimo-nos bem.
Beijamo-nos. Neste dia, aqui, embalados por um silencio só nosso,
vivemos, ao nosso ritmo. O Ritmo do nosso Amor.