Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,
ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.
O peso do teu corpo em cima do meu...
Agrada-me. Muito.
Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.
Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;
numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.
Ponho o braço direito por trás da cabeça para fazer altura,
e meto a minha mao esquerda na tua anca.
' Olha ' digo, e dou-te um beijinho pequenino;
' diz ' perguntas,
' Anda cá ' digo, e rebolo, trocando de posição contigo;
passas a ficar por baixo; e eu por cima.
' Peso ? '
' Nao muito ' dizes.
' Ve lá '
Sorris curta e honestamente, com os olhos e com a boca.
Olho-te. Sem te pesar, meto a mao direita para baixo do banco,
tiro de la uma manta que la habita,
dobro-a um pouco melhor,
para teres um encosto.
Dou-te um beijo na boca, terno... meigo, curto.
'Es linda, penso, para ti.
Tu olhas para mim, sorris, de soslaio, com ar mauzinho.
Olho para ti, vejo o teu rosto, 'es muito bonita;
estas indefesa, olhas me com carinho.
Apoiando me no banco, meto a mao direita no teu cabelo, toco lhe,
e' longo; longo, ondulado, e belo... ahhh, Amor.
Faço-te uma festa com a parte de fora da mao, no rosto, na face;
de cima, para baixo, com carinho.
Sorrio levemente. Toco o teu pescoço com o meu dedo indicador,
ao de leve, percorro-o o devagar.
desço, devagar, suavemente pelo teu decote; páro.
Tiro a alça esquerda do teu top para o lado.
Desço um pouco mais, toco o teu peito, de lado, ao de leve,
e continuo pela barriga, descendo; olho-te.
Continuo a descer, com os dedos, pela barriga;
passo o teu umbigo, meio escondido por baixo do top...
e aproximo-me do botão das tuas calças...
Páro. Olho-te nos olhos, com a mão sobre o botão das tuas calças,
um dedo ja a fazer pressao no botao e os outros no tecido.
Olho-te, quase inexpressivo. Tu, olhas-me praticamente,
com o mesmo olhar...
A noite, o céu, as estrelas... Buick Special 1958 Azul matte com hardtop
branco. Silencio...
Faço o movimento, com os dedos, abro o botão...
Beijo-te...
O resto; bem, o resto tu deves lembrar-te.
Dai a um bocado,
fui levar-te a casa, ficamos do mesmo lado da rua, o teu predio do lado
direito do carro, encostei de lado, perto do passeio, como na chegada.
Travo. Engato o carro em Park, e carrego no pedal de parqueamento.
Deixo o motor a trabalhar...
Despedimo-nos.
' Gostei de estar contigo ' dizes-me.
' Tambem '
Pisco o olho ao de leve.
Um beijinho nos labios, leve, um peck.
' Até amanha... depois liga-me ' digo.
' Nao, liga-me tu '
' Esta bem, eu ligo '
Tenho a mao na tua perna, faço uma festa, e tiro-a,
abres a porta com o manipulo.
' Deixa aqui o saco '
' Ta bem '
Acabas de sair, o vidro esta aberto. Fechas a porta.
Pancada.
Olhas um pouco pela janela, metes um pouco a cabeça dentro da janela,
' Adeus ' dizes,
chego me até ti, e dou te mais um beijo na boca,
mais doce, um pouco molhado.
' Vai ' digo.
' Ciao ' dizes.
Começas a afastar-te do carro.
Fico a olhar para ti. Barulho do motor, em baixa rotação, ruido de frequencias
baixas, com um lento, leve baloiçar.
Olho para ti, estas de costas, caminhas de frente para a tua porta.
Vejo a tua figura... linda...
magnifica. Uma miuda linda. Ah, perco-me em ti. O teu cabelo, adorna as tuas
costas, com as suas ondas maravilhosas. Caminhas, quase brilhas.
Sempre gostei de ver-te andar... Muito segura... uma mulher.
Sempre foste assim. Andas.
Estas perto da porta do predio. Tiras as chaves da malinha preta.
A noite, Buick Special 1958 5.5 Litros, o João, a Leonor;
Devagar, como uma gazela, viras o rosto, o tronco, e depois para mim,
acenas adeus com a mão direita; com muita graça.
Olho para ti, aceno que sim com o rosto, e sopro te um beijo.
Tornas a chave, do predio, vejo;
entras, olhas de novo ao de leve e tornas a esquina para as escadas;
deixo de te ver.
Ah... meu Deus, minha paixao... todo este amor.
Fico uns segundos, inebriado pela tua presença; por te ter, ainda olhando,
a porta do teu predio, de luz acesa, pela noite, a sentir esta tal nostalgia,
por...
Abro o porta. Saco o maço de luckies. Abro a tampa, dou lhe um baque,
um cigarro fica mais saido, tiro o com os labios. Fecho o maço, guardo no
porta. Pressiono o isqueiro do carro. Espera. Esta' pronto.
Acendo o cigarro. Adeus Leonor; olá noite...
Puxo a brasa do cigarro, tiro uma passa forte...
inspiro a para os pulmoes... Sinto. Deito fora o fumo, devagar, pela boca.
Vamos, Senhor...
Tiro o travao de parqueamento, engato drive, e acelero devagar...
começo a descer a tua rua. Penso em ti. Vejo a tua imagem,
na minha mente. Vejo-a. O teu rosto, perfeito, 'es o meu desejo realizado,
o teu cabelo... Acelero.
O motor soa... pela noite...
Daqui a nada chego a casa, ja estão todos a dormir certamente,
deixo o carro, de lado, na garagem, no telheiro.
Posso nao ter muitas posses, mas a minha casa tem um espacinho para
estacionar a ' Rita '.
Inspirado na Rita Hayworth, que a minha avó gostava.
Conduzo, moramos relativamente perto. A um quarto de hora, mais coisa,
menos coisa.
Tu moras numa zona mais chique...
Um predio, ate' fino, diria. A minha zona nao e' ma', mas e' mais
pacata, uma pequena vivenda, ja' antiga, de um só piso, envelhecida.
Por um lado prefiro onde moro; e' mais isolado. Temos um terrenozinho
com a casa, da' para la ter o carro, e mexer lhe quando preciso.
Faço a estrada, tem algumas curvas, com arvorezitas 'a volta e isso, uns
arbustos, e coisas dessas; la vou, com as luzes do carro a iluminar a
estrada... calmamente. Deixo o radio tocar baixo, um qualquer rock,
que vai tocando. E vou, vou na boa... atento, mas calmamente;
nem sequer ha carros nenhuns, vou, só, na minha. Faço o caminho...
Com a mão esquerda no volante. Curto, parece que estou meio tripado,
assim, mellow, e vejo as cenas a correr, a escorrer, enquanto o meu
cerebro processa a realidade que decorre. Por um segundo, sinto;
sinto a solidao de não te ter, e' muito funda; mas está tudo bem.
Refiro me que? Ao momento passado ou agora? Ah. Pois.
Estou quase em casa. E por acaso, estou mesmo... quase... em casa.
Conduzo. Estou em casa. Abro o portao metalico, meio enferrujado que
da para o telheiro ao lado da casa. Entro com o carro.
Estaciono. Desligo tudo.
Tiro as chaves de casa do porta luvas, meto as chaves no bolso das calças.
Penteio o cabelo com as mãos. Fecho o carro.
Caminho fora do telheiro, fecho o portao de metal,
e dirijo-me a entrada de minha casa;
janelas, todas fechadas.
'A porta, o pequeno tapete, meio encardido, daquela coisa que pica, castanho.
Saco as chaves do bolso, meto as 'a ranhura. Torno a chave, com cuidado,
para nao fazer barulho.
Entro. Fecho a porta, tranco-a;
e vou para o meu quarto descansar.
Até amanha, amor.
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