quarta-feira, 18 de agosto de 2010

fomos sair _ de volta ao miradouro _ cont II

Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,

ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.

O peso do teu corpo em cima do meu...

Agrada-me. Muito.

Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.

Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;

numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.

Ponho o braço direito por trás da cabeça para fazer altura,

e meto a minha mao esquerda na tua anca.

' Olha ' digo, e dou-te um beijinho pequenino;

' diz ' perguntas,

' Anda cá ' digo, e rebolo, trocando de posição contigo;

passas a ficar por baixo; e eu por cima.

' Peso ? '

' Nao muito ' dizes.

' Ve lá '

Sorris curta e honestamente, com os olhos e com a boca.

Olho-te. Sem te pesar, meto a mao direita para baixo do banco,

tiro de la uma manta que la habita,

dobro-a um pouco melhor,

para teres um encosto.

Dou-te um beijo na boca, terno... meigo, curto.

'Es linda, penso, para ti.

Tu olhas para mim, sorris, de soslaio, com ar mauzinho.

Olho para ti, vejo o teu rosto, 'es muito bonita;

estas indefesa, olhas me com carinho.

Apoiando me no banco, meto a mao direita no teu cabelo, toco lhe,

e' longo; longo, ondulado, e belo... ahhh, Amor.

Faço-te uma festa com a parte de fora da mao, no rosto, na face;

de cima, para baixo, com carinho.

Sorrio levemente. Toco o teu pescoço com o meu dedo indicador,

ao de leve, percorro-o o devagar.

desço, devagar, suavemente pelo teu decote; páro.

Tiro a alça esquerda do teu top para o lado.

Desço um pouco mais, toco o teu peito, de lado, ao de leve,

e continuo pela barriga, descendo; olho-te.

Continuo a descer, com os dedos, pela barriga;

passo o teu umbigo, meio escondido por baixo do top...

e aproximo-me do botão das tuas calças...

Páro. Olho-te nos olhos, com a mão sobre o botão das tuas calças,

um dedo ja a fazer pressao no botao e os outros no tecido.

Olho-te, quase inexpressivo. Tu, olhas-me praticamente,

com o mesmo olhar...

A noite, o céu, as estrelas... Buick Special 1958 Azul matte com hardtop

branco. Silencio...

Faço o movimento, com os dedos, abro o botão...

Beijo-te...

O resto; bem, o resto tu deves lembrar-te.

Dai a um bocado,

fui levar-te a casa, ficamos do mesmo lado da rua, o teu predio do lado

direito do carro, encostei de lado, perto do passeio, como na chegada.

Travo. Engato o carro em Park, e carrego no pedal de parqueamento.

Deixo o motor a trabalhar...

Despedimo-nos.

' Gostei de estar contigo ' dizes-me.

' Tambem '

Pisco o olho ao de leve.

Um beijinho nos labios, leve, um peck.

' Até amanha... depois liga-me ' digo.

' Nao, liga-me tu '

' Esta bem, eu ligo '

Tenho a mao na tua perna, faço uma festa, e tiro-a,

abres a porta com o manipulo.

' Deixa aqui o saco '

' Ta bem '

Acabas de sair, o vidro esta aberto. Fechas a porta.

Pancada.

Olhas um pouco pela janela, metes um pouco a cabeça dentro da janela,

' Adeus ' dizes,

chego me até ti, e dou te mais um beijo na boca,

mais doce, um pouco molhado.

' Vai ' digo.

' Ciao ' dizes.

Começas a afastar-te do carro.

Fico a olhar para ti. Barulho do motor, em baixa rotação, ruido de frequencias

baixas, com um lento, leve baloiçar.

Olho para ti, estas de costas, caminhas de frente para a tua porta.

Vejo a tua figura... linda...

magnifica. Uma miuda linda. Ah, perco-me em ti. O teu cabelo, adorna as tuas

costas, com as suas ondas maravilhosas. Caminhas, quase brilhas.

Sempre gostei de ver-te andar... Muito segura... uma mulher.

Sempre foste assim. Andas.

Estas perto da porta do predio. Tiras as chaves da malinha preta.

A noite, Buick Special 1958 5.5 Litros, o João, a Leonor;

Devagar, como uma gazela, viras o rosto, o tronco, e depois para mim,

acenas adeus com a mão direita; com muita graça.

Olho para ti, aceno que sim com o rosto, e sopro te um beijo.

Tornas a chave, do predio, vejo;

entras, olhas de novo ao de leve e tornas a esquina para as escadas;

deixo de te ver.

Ah... meu Deus, minha paixao... todo este amor.

Fico uns segundos, inebriado pela tua presença; por te ter, ainda olhando,

a porta do teu predio, de luz acesa, pela noite, a sentir esta tal nostalgia,

por...

Abro o porta. Saco o maço de luckies. Abro a tampa, dou lhe um baque,

um cigarro fica mais saido, tiro o com os labios. Fecho o maço, guardo no

porta. Pressiono o isqueiro do carro. Espera. Esta' pronto.

Acendo o cigarro. Adeus Leonor; olá noite...

Puxo a brasa do cigarro, tiro uma passa forte...

inspiro a para os pulmoes... Sinto. Deito fora o fumo, devagar, pela boca.

Vamos, Senhor...

Tiro o travao de parqueamento, engato drive, e acelero devagar...

começo a descer a tua rua. Penso em ti. Vejo a tua imagem,

na minha mente. Vejo-a. O teu rosto, perfeito, 'es o meu desejo realizado,

o teu cabelo... Acelero.

O motor soa... pela noite...

Daqui a nada chego a casa, ja estão todos a dormir certamente,

deixo o carro, de lado, na garagem, no telheiro.

Posso nao ter muitas posses, mas a minha casa tem um espacinho para

estacionar a ' Rita '.

Inspirado na Rita Hayworth, que a minha avó gostava.

Conduzo, moramos relativamente perto. A um quarto de hora, mais coisa,

menos coisa.

Tu moras numa zona mais chique...

Um predio, ate' fino, diria. A minha zona nao e' ma', mas e' mais

pacata, uma pequena vivenda, ja' antiga, de um só piso, envelhecida.

Por um lado prefiro onde moro; e' mais isolado. Temos um terrenozinho

com a casa, da' para la ter o carro, e mexer lhe quando preciso.

Faço a estrada, tem algumas curvas, com arvorezitas 'a volta e isso, uns

arbustos, e coisas dessas; la vou, com as luzes do carro a iluminar a

estrada... calmamente. Deixo o radio tocar baixo, um qualquer rock,

que vai tocando. E vou, vou na boa... atento, mas calmamente;

nem sequer ha carros nenhuns, vou, só, na minha. Faço o caminho...

Com a mão esquerda no volante. Curto, parece que estou meio tripado,

assim, mellow, e vejo as cenas a correr, a escorrer, enquanto o meu

cerebro processa a realidade que decorre. Por um segundo, sinto;

sinto a solidao de não te ter, e' muito funda; mas está tudo bem.

Refiro me que? Ao momento passado ou agora? Ah. Pois.

Estou quase em casa. E por acaso, estou mesmo... quase... em casa.

Conduzo. Estou em casa. Abro o portao metalico, meio enferrujado que

da para o telheiro ao lado da casa. Entro com o carro.

Estaciono. Desligo tudo.

Tiro as chaves de casa do porta luvas, meto as chaves no bolso das calças.

Penteio o cabelo com as mãos. Fecho o carro.

Caminho fora do telheiro, fecho o portao de metal,

e dirijo-me a entrada de minha casa;

janelas, todas fechadas.

'A porta, o pequeno tapete, meio encardido, daquela coisa que pica, castanho.

Saco as chaves do bolso, meto as 'a ranhura. Torno a chave, com cuidado,

para nao fazer barulho.

Entro. Fecho a porta, tranco-a;

e vou para o meu quarto descansar.

Até amanha, amor.

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