quinta-feira, 28 de outubro de 2010

fomos sair _ na feira _ cont

Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.

Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.

Preparo-me para te ir buscar...

Rodo a chave.

A Rita liga 'a primeira. Ca estou.

Ola fofinha... penso em ti... apesar de nao te sentir aqui no meu peito,

agora... sei que gostas de mim.

Tiro o pedal do Park, e engato R.

Acelero, saio do telheiro, ja tenho o portao aberto.

Saio com o carro, fecho o portao. Volto para o Carro;

dou meia volta em Reverse, meto para tua casa. Estrada. Anda.

Eu sabia que me ias ouvir. Somos invenciveis como o tempo.

Cleopatra, vou ter contigo...

Como diz o Little Richard: ' Lucille, you ran off and married,

but I love you still... '

O motor 5.8 litros baloiça sob o capot... ouço-o, sinto-o...

'a resposta de um pedal de aceleraçao. Acelero, começo a fazer a estrada

para tua casa... começo a percorre-la. Conheço ja esta estrada,

gosto ate dela, por assim dizer. Esta uma tarde fresca,

abro as janelas do carro, abro uma, depois a outra, rolo os manipulos.

Acelero...

Acelero, mais. Ruge, Buick, ruge, ruge. O som sai, ouço o bem...

Concentro-me no motor e sigo, sigo; sigo. Acelero mais, acelero,

Carter AFB, a abrir, puxa ar, puxa... puxa. Vou, e o motor ruge...

Ouço... Ouço... Com uma pancada abro o porta luvas, saco de la de dentro

o maço de Luckies, abro o maço, saco um nite, meto o nos labios. Guardo o

maço, fecho o porta luvas. Com o meu isqueiro, que me deste acendo o

cigarro. Dou uma passa forte, inalo o fumo, bem para o fundo dos pulmoes,

agrada-me, sempre me agradou o tabaco. Nem fumo muito, mas gosto de um

bom cigarro. Expiro o fumo. Vou na boa, ligo o radio.

Sintonizo algo. Esta a dar , deixa ver, levanto um pouco o volume.

Sim, golden oldies. Parece me ok. Ouço com atençao, e' algo que conheço,

Avons , Whisper Softly. Vou conduzindo ate' ti. Sigo, na boa, vou ouvindo

as oldies que vao passando, um ambiente calmo, som romantico.

Estou quase em tua casa. Espero que estejas pronta, deves estar, como sera

que vens vestida... Espero que tragas um vestido giro. Quero dar te um

beijo, mas 'a seria, mesmo, e sentir que gostas de mim, nao so dar um

beijinho, por dar, nao, mesmo, mesmo a serio, como so tu sabes mostrar-me

que gostas de mim. Faço a tua rua, cheguei. Dou meia volta ao carro, e fico

frente a tua porta, engato Neutral. Apito duas vezes, a buzina da Rita

toca bem alto, e com um som bem antigo, tu sabes bem.

' Joao ! ' ouço te chamar da tua janela.

Abro a minha porta, saio do carro e olho para ti. 'Es uma visao.

Amo-te tanto... Vou amar-te sempre... Obrigado por teres aparecido na minha

Vida, 'e rarissimo um Amor tao belo. Agradeço aos Ceus secretamente.

E' belo. Quase choro por dentro. Vejo-te, 'es bela. Sempre soube que eras

bela.

' Leonor ! ' digo.

Os nossos olhos encontram-se. E' paixao... doce , doce, perfeita. Perfeita.

Ola' meu Amor, Ola' ! Aqui , onde escrevo, fecho os olhos e vejo-te...

Sera' que te vou voltar a tomar nos meus braços... ?

Espero que sim... Secretamente... Espero que sim. De verdade.

Ahhhh, Leonor. Aqui, estou, sozinho. Mais um dia, mais esta noite, so mais uma.

A Vida ensinou me a viver,

com muito pouco, mas contigo, tinha tudo mais piada. Tinha sim.

E la de baixo, junto ao Buick, continuei a olhar-te, quase hipnotizado,

parvo, aparvalhado, por ver-te, 'es tudo para mim.

Estas linda, daqui vejo, o cabelo, meio apanhado, meio escorrido, com uma

especie de bandolete, branca, ahhhh....

' Anda, vamos ! ' digo.

' Ah, sim, estas pronta? ' pergunto.

' Estou ! ' dizes.

Sorrio... Sorris, tambem, fechas a janela do teu quarto.

Ris, ja da parte de dentro, e fazes me adeus, fechas a cortina e desapareces.

Ah, fico a sentir o nosso Amor no meu peito, a preencher-me assim,

sabe me tao bem, e' muito belo. E' tudo belo. E' como um sonho. Um sonho.

Chego me a outra porta do carro, e encosto-me, a tua espera, de frente para

a porta do teu predio, a olhar para lá. Espero. Vejo te a aparecer, devagar,

e aproximas-te da porta... abre-la. Sais do predio. Caminhas na minha direçao,

trazes um vestido muito ao bom gosto 50's, todo branco,

saia folhada, pelo joelho,

com um cinto fino a cintura, pouca maquilhagem, e o cabelo um pouco apanhado

com a bandolete, mas que ainda assim fica muito liberto.

Brilhas, parece que brilhas, sem qualquer brilho, mas brilhas,

nao compreendo, 'e demais... so de ver o teu rosto... com o teu cabelo,

comprido. Páro, por dentro, um segundo de beleza pura, ao ver-te, tu,

e tudo ao redor e' perfeito, e' tudo perfeito. Caminhas, mais, e chegas-te perto,

dou dois passos a frente, chego ao pe' de ti, aperto-te, aperto-te, contra mim;

e, dou te um beijo; nos labios,

'a boa moda antiga, suave, mas seguro. Seguro.

Afastamo-nos um pouco, olho os teus olhos. Sim, 'es tu a tal. 'Es tu a tal.

Sorrio. Tomo a tua mao esquerda com a minha mao direita, ao de leve,

abro-te a porta do carro. Entra.

Dou a volta pela frente, entro tambem. Olhas para mim, ris com o teu

ar maroto. Sorrio de volta.

' Estas linda... ' digo.

' Obrigado ' agradeces.

Volto a ligar o radio do carro. Estacao dos oldies. Levanto um pouco o volume,

esta a dar ' Barry Vorzon - Love you baby '.

Sorrimos. Meto a mao na tua perna, faço uma festa leve. Meto a mao

'a igniçao, dou a volta 'a chave, ligo o motor.

' Sempre vamos 'a feira? ' pergunto?

' Sim! ' Dizes.

Engato DRIVE, acelero. Saimos da tua rua, devagar, na boa.

Let's motivate. Bazamos, vamos assim, na nossa, pela estrada, apaixonados,

um com o outro, mais nada, assim, felizes, ouvindo alguma musica no radio,

que toca, e fazemos a estrada, fazemos a estrada.

Amo-te.

domingo, 3 de outubro de 2010

fomos sair _ na feira

Ontem passei perto da tua casa... Fui, no Buick. Sozinho, num sabado 'a noite,

saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para

casa, mas na subida, virei para onde moravas...

Qualquer coisa em mim. Virei. E fui. Nao consigo esquecer-te.

Ja te esqueci, mas disfarço bem. Fui ate a tua zona.

Fui. Indo, no carro, fiz uma das ruas, inverti

sentido, pensei, deixa-me ver, ok, por aqui, lembro-me;

e' por aqui, deixa me ver, deixa me ver, um pouco

diferente, ok. Sigo um pouco.

Estou a descer; ha' uns semaforos, laranja intermitente, ja passa da

uma... sigo;

meto para a direita.

Outra rua, tambem a descer; vou devagar, o carro balança.

E' la ao fundo da rua,

'e la ao fundo; vou, entao entro, estacionamento de pedra, amplo,

poucos carros por ali, sao as traseiras de algo, parece-me,

meio escondido entre alguns predios;

ja aqui estivemos umas vezes... ja aqui estivemos, algumas noites,

ha algum tempo... nem e' por nada, mas vim aqui. Sigo mais um pouco, estou

no estacionamento, esta quase vazio, e e' escuro aqui, calmo...

calmo. Olho em redor.

Paro o carro, olho em redor.

So um momento.

Esta tudo parecido. Deves lembrar-te de onde era...

presumo. Desces a rua, la em baixo, metes 'a direita, chao em gravilha,

esburacado, alguns carros, umas canas, assim meio. Estivemos la umas vezes.

Lembras-te?

Belos tempos nao foram? Leonor...

E' tudo simples... qualquer dia vou buscar-te.

Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.

Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.

Preparo-me para te ir buscar...