quinta-feira, 28 de outubro de 2010

fomos sair _ na feira _ cont

Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.

Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.

Preparo-me para te ir buscar...

Rodo a chave.

A Rita liga 'a primeira. Ca estou.

Ola fofinha... penso em ti... apesar de nao te sentir aqui no meu peito,

agora... sei que gostas de mim.

Tiro o pedal do Park, e engato R.

Acelero, saio do telheiro, ja tenho o portao aberto.

Saio com o carro, fecho o portao. Volto para o Carro;

dou meia volta em Reverse, meto para tua casa. Estrada. Anda.

Eu sabia que me ias ouvir. Somos invenciveis como o tempo.

Cleopatra, vou ter contigo...

Como diz o Little Richard: ' Lucille, you ran off and married,

but I love you still... '

O motor 5.8 litros baloiça sob o capot... ouço-o, sinto-o...

'a resposta de um pedal de aceleraçao. Acelero, começo a fazer a estrada

para tua casa... começo a percorre-la. Conheço ja esta estrada,

gosto ate dela, por assim dizer. Esta uma tarde fresca,

abro as janelas do carro, abro uma, depois a outra, rolo os manipulos.

Acelero...

Acelero, mais. Ruge, Buick, ruge, ruge. O som sai, ouço o bem...

Concentro-me no motor e sigo, sigo; sigo. Acelero mais, acelero,

Carter AFB, a abrir, puxa ar, puxa... puxa. Vou, e o motor ruge...

Ouço... Ouço... Com uma pancada abro o porta luvas, saco de la de dentro

o maço de Luckies, abro o maço, saco um nite, meto o nos labios. Guardo o

maço, fecho o porta luvas. Com o meu isqueiro, que me deste acendo o

cigarro. Dou uma passa forte, inalo o fumo, bem para o fundo dos pulmoes,

agrada-me, sempre me agradou o tabaco. Nem fumo muito, mas gosto de um

bom cigarro. Expiro o fumo. Vou na boa, ligo o radio.

Sintonizo algo. Esta a dar , deixa ver, levanto um pouco o volume.

Sim, golden oldies. Parece me ok. Ouço com atençao, e' algo que conheço,

Avons , Whisper Softly. Vou conduzindo ate' ti. Sigo, na boa, vou ouvindo

as oldies que vao passando, um ambiente calmo, som romantico.

Estou quase em tua casa. Espero que estejas pronta, deves estar, como sera

que vens vestida... Espero que tragas um vestido giro. Quero dar te um

beijo, mas 'a seria, mesmo, e sentir que gostas de mim, nao so dar um

beijinho, por dar, nao, mesmo, mesmo a serio, como so tu sabes mostrar-me

que gostas de mim. Faço a tua rua, cheguei. Dou meia volta ao carro, e fico

frente a tua porta, engato Neutral. Apito duas vezes, a buzina da Rita

toca bem alto, e com um som bem antigo, tu sabes bem.

' Joao ! ' ouço te chamar da tua janela.

Abro a minha porta, saio do carro e olho para ti. 'Es uma visao.

Amo-te tanto... Vou amar-te sempre... Obrigado por teres aparecido na minha

Vida, 'e rarissimo um Amor tao belo. Agradeço aos Ceus secretamente.

E' belo. Quase choro por dentro. Vejo-te, 'es bela. Sempre soube que eras

bela.

' Leonor ! ' digo.

Os nossos olhos encontram-se. E' paixao... doce , doce, perfeita. Perfeita.

Ola' meu Amor, Ola' ! Aqui , onde escrevo, fecho os olhos e vejo-te...

Sera' que te vou voltar a tomar nos meus braços... ?

Espero que sim... Secretamente... Espero que sim. De verdade.

Ahhhh, Leonor. Aqui, estou, sozinho. Mais um dia, mais esta noite, so mais uma.

A Vida ensinou me a viver,

com muito pouco, mas contigo, tinha tudo mais piada. Tinha sim.

E la de baixo, junto ao Buick, continuei a olhar-te, quase hipnotizado,

parvo, aparvalhado, por ver-te, 'es tudo para mim.

Estas linda, daqui vejo, o cabelo, meio apanhado, meio escorrido, com uma

especie de bandolete, branca, ahhhh....

' Anda, vamos ! ' digo.

' Ah, sim, estas pronta? ' pergunto.

' Estou ! ' dizes.

Sorrio... Sorris, tambem, fechas a janela do teu quarto.

Ris, ja da parte de dentro, e fazes me adeus, fechas a cortina e desapareces.

Ah, fico a sentir o nosso Amor no meu peito, a preencher-me assim,

sabe me tao bem, e' muito belo. E' tudo belo. E' como um sonho. Um sonho.

Chego me a outra porta do carro, e encosto-me, a tua espera, de frente para

a porta do teu predio, a olhar para lá. Espero. Vejo te a aparecer, devagar,

e aproximas-te da porta... abre-la. Sais do predio. Caminhas na minha direçao,

trazes um vestido muito ao bom gosto 50's, todo branco,

saia folhada, pelo joelho,

com um cinto fino a cintura, pouca maquilhagem, e o cabelo um pouco apanhado

com a bandolete, mas que ainda assim fica muito liberto.

Brilhas, parece que brilhas, sem qualquer brilho, mas brilhas,

nao compreendo, 'e demais... so de ver o teu rosto... com o teu cabelo,

comprido. Páro, por dentro, um segundo de beleza pura, ao ver-te, tu,

e tudo ao redor e' perfeito, e' tudo perfeito. Caminhas, mais, e chegas-te perto,

dou dois passos a frente, chego ao pe' de ti, aperto-te, aperto-te, contra mim;

e, dou te um beijo; nos labios,

'a boa moda antiga, suave, mas seguro. Seguro.

Afastamo-nos um pouco, olho os teus olhos. Sim, 'es tu a tal. 'Es tu a tal.

Sorrio. Tomo a tua mao esquerda com a minha mao direita, ao de leve,

abro-te a porta do carro. Entra.

Dou a volta pela frente, entro tambem. Olhas para mim, ris com o teu

ar maroto. Sorrio de volta.

' Estas linda... ' digo.

' Obrigado ' agradeces.

Volto a ligar o radio do carro. Estacao dos oldies. Levanto um pouco o volume,

esta a dar ' Barry Vorzon - Love you baby '.

Sorrimos. Meto a mao na tua perna, faço uma festa leve. Meto a mao

'a igniçao, dou a volta 'a chave, ligo o motor.

' Sempre vamos 'a feira? ' pergunto?

' Sim! ' Dizes.

Engato DRIVE, acelero. Saimos da tua rua, devagar, na boa.

Let's motivate. Bazamos, vamos assim, na nossa, pela estrada, apaixonados,

um com o outro, mais nada, assim, felizes, ouvindo alguma musica no radio,

que toca, e fazemos a estrada, fazemos a estrada.

Amo-te.

domingo, 3 de outubro de 2010

fomos sair _ na feira

Ontem passei perto da tua casa... Fui, no Buick. Sozinho, num sabado 'a noite,

saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para

casa, mas na subida, virei para onde moravas...

Qualquer coisa em mim. Virei. E fui. Nao consigo esquecer-te.

Ja te esqueci, mas disfarço bem. Fui ate a tua zona.

Fui. Indo, no carro, fiz uma das ruas, inverti

sentido, pensei, deixa-me ver, ok, por aqui, lembro-me;

e' por aqui, deixa me ver, deixa me ver, um pouco

diferente, ok. Sigo um pouco.

Estou a descer; ha' uns semaforos, laranja intermitente, ja passa da

uma... sigo;

meto para a direita.

Outra rua, tambem a descer; vou devagar, o carro balança.

E' la ao fundo da rua,

'e la ao fundo; vou, entao entro, estacionamento de pedra, amplo,

poucos carros por ali, sao as traseiras de algo, parece-me,

meio escondido entre alguns predios;

ja aqui estivemos umas vezes... ja aqui estivemos, algumas noites,

ha algum tempo... nem e' por nada, mas vim aqui. Sigo mais um pouco, estou

no estacionamento, esta quase vazio, e e' escuro aqui, calmo...

calmo. Olho em redor.

Paro o carro, olho em redor.

So um momento.

Esta tudo parecido. Deves lembrar-te de onde era...

presumo. Desces a rua, la em baixo, metes 'a direita, chao em gravilha,

esburacado, alguns carros, umas canas, assim meio. Estivemos la umas vezes.

Lembras-te?

Belos tempos nao foram? Leonor...

E' tudo simples... qualquer dia vou buscar-te.

Estou no Buick, sentado. Fecho a porta com um baque.

Meto a chave a ignicao. As mudanças estao em PARK.

Preparo-me para te ir buscar...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

fomos sair _ em casa

foda-se.

alo, acordei. bom dia, e' de manha.

estou fresco, mesmo assim. gosto de morar aqui, na encosta.

e' calmo. estou fresco. penso em que? nao penso em nada.

ah sim, pois entao ok. sento me a beira da cama, de boxers.

pouso a cabeça nas maos, sobre os joelhos. olhos fechados...

estou a beira da cama, sentado. esta' tudo bem... mais um dia, porreiro.

abro uma nesga do estore, pouco, pouco, para ai um palmo.

nao curto a luz branca da manhã ou la que horas são, vai-te foder.

desligo o candeeiro; e sim faço mesmo isto tambem, em casa.

deixa ca ver. tento pensar em ti, para escrever melhor isto,

parecer verdade. mas, e foi. ah, ah. esta' na hora.

mais uns segundos aqui assim abancado, mais uns segundos, de amanhecer.

tenho um telefone preto, de rodar; no chao. perto da cama, com o fio a

correr da parede. vou te ligar; ainda nao, ainda e' cedo. espera, vou ja.

estou de tronco nu; sim, e' verao e esta calor; nao muito, mas um pouco.

felizmente dormi p'ra caraças esta noite, ainda voltamos tarde.

olho para o despertador radio da GE; e' meio dia e meio, quase.

deixa me atrofiar. só penso em ti, so penso em ti, so penso em ti,

so penso em ti; em ti, em ti, aiii, e que bem que me sabe!!!!

e ainda vou pensar mais, mais, mais, e mais; mais mais mais,

enquanto Deus quiser!!! Ahhh.

Foda-se. Penteio o cabelo com as maos, dou os jeitos; levanto-me.

Caminho; lentamente, ate' a casa de banho.

Abro a torneira do lavatorio, meto as maos por baixo, molho as um bocado,

mando a agua 'a cara, e esfrego pouco. Fresco. Optimo. Deixa ca ver a toalha.

Seco a cara, deixo um bocado molhada. Fecho a porta.

Abro-a. Vou ate a cozinha, e vejo a porta do quarto dos meus cotas aberta;

e sim, pelo barulho eles nao devem ca estar.

Chego 'a cozinha. Nada. Olho para a mesa, um papelito. Leio.

' Já saimos, voltamos a meio da semana ' Pois, bem me tinha esquecido

que a minha mae me tinha dito que eles iam la' para a terriola.

Olha; menos mal, tenho a casa para mim, meto a musica bem alto, estar na

minha, atrofiar. Andar sujo e coisas dessas. Tronco nu, e de t shirts sujas.

Pronto. Abro o frigorifico, saco o leite; mamo mesmo do pacote umas goladas,

ahhhh, fresquinho, boa, boa. Fecho o frigorifico.

Volto para o quarto. La' esta o telefone. Sento me na cama. Tem uma colcha

vermelha marada com berloques, 'a antiga. O meu quarto esta' repleto de merdas

antigas, psicadelismo e um ou outro radio antigo, mas tudo ao bom estilo

dos 80s. Um gira discos. Uma aparelhagem, que por sinal, toca alto.

Boas colunas. Tudo Marantz; as colunas Celestion.

Grande som , grande som. Eh pa; tenho uns quantos vinis, nos as vezes

ficamos aqui no quarto a curtir; curtimos, metemos uns discos, falamos,

olhamo-nos, ficamos calados; e' fixe.

'E fixe, e' fixe. Estou sentado na cama; 'a minha esquerda, quase por baixo

da cama, esta' o trim trim. Puxo o para perto, pego nele.

Marco o teu numero, anda as voltas, e faz rrrrrrr.

Marco, um, depois o outro, e o outro, ate marcar o numero todo;

pego no telefone com a mao esquerda; e no auscultador com a direita...

Tuuttt, tuuuttt, vai tocando, vamos la ver se atendes; a ver se percebes

que sou eu, a ver se nao e' o teu pai. Va´, atende la'.

Tuuuut... Tuuuuut, alguem atende;

' Estou ? '

Ah, 'es tu, ainda bem!

' Ola, Leonor... sou eu... '

' Bom dia ' dizes melosa.

' Bom dia alegria ' digo-te, e sigo

' dormiste bem? '

' siim ! '

' hmmm, que bom... atendeste no quarto ? '

' sim, tou aqui no meu quartinho, encostei a porta '

' Fixe. '

' Dormi bem... estou bem disposta. Ontem foi fixe, gostei da noite '

' Eu tambem curti... '

Silencio.

Escrevo isto, 'a noite. Esta' calor. Penso em ti.

Olho a volta. Nada e' como dantes. E nao e' mesmo. Tudo sem alma.

E' apenas ; nada. Minto. Hm. Escrevo... Nada tem de ser, tudo e'.

Boa noite. Disse que morria por ti, e morri mesmo. Obrigado.

' Foi diferente, nao foi aborrecido, foi mesmo muito fixe...

nao sei porque... acho que gosto de ti... damo-nos bem ' dizes.

Nem andavamos ha muito tempo. Uns meses. Acabamos da mesma forma que

andavamos; na boa, a darmo-nos bem.

' Por acaso tambem adorei... estava mesmo fixe, fresquinho, e' raro,

costuma estar muito calor, e estavas linda, lindissima...

sabes Leonor... acho que 'es linda...

estou muito apaixonado por ti '

Tu escutas. E mais,

' Adoro os teus olhos... sabias ? '

' hmm... ' dizes em tom de duvida.

Deito-me na cama; encosto me a almofada, ao comprido. O telefone, de lado

da cama, estico o fio, puxo o um pouco; e fico na boa com o auscultador,

a falar contigo.

' Onde e' que queres ir hoje ? ' pergunto.

' Nao tens ideias tuas ? '

' Hm. Sim. '

' Entao, diz '

' Podemos ir aquele parque de diversoes temporario, que ha perto da tua

casa, queria dar uma volta contigo, no carrosel... iamos andar nos cavalinhos '

' Boa, parece fixe... ia gostar ' dizes.

' Se nao gostares, azar do caralho ' digo, assim.

' Oh Joao, nao digas asneiras, nao tem piada '

' Ok. Ja tomaste o pequeno almoço ? ' pergunto.

' Ah, bebi leite, e comi umas bolachas , pouco mais '

' boa, boa, eu tambem so bebo leite quando acordo...

Vou-te ai buscar para almoçarmos? '

' Nao, deixa estar, eu almoço aqui, e depois vem me ca buscar.

Vamos para tua casa primeiro; e vamos a feira mais tarde ??? '

' Sim, pode ser ' confirmo.

' Ok, nao te esqueças ' referes.

E' que sou um bocado esquecido as vezes. Falámos mais um bocado.

Ja sei como vou vestido, levo uns outros jeans que tenho, azul clarinho,

com virola em baixo,

uma camisa arroxeada, tom seco, meio gasto, mangas arregaçadas,

colarinhos para cima, cabelo com um bocado de graxa, penteado para tras,

com poupa quase ao meio, a cair para a frente...

Talvez leve uma gravata azulada que tenho.

Calçados, levo uns sapatos pretos fixes que tenho aqui, tenho de me lembrar

de os polir com a escova, para ficarem com um aspecto porreiro.

Hmmm, parece me bem.

Falamos.

' Tenho sono, quero dormir ' dizes.

' Ja dormiste o suficiente, sleepy head; acorda... agora e' de dia '

' Cala-te e deixa me dormir! '

' Nao ' respondo.

' Esta bem! ' ris. Continuas

' Olha... '

' Diz... '

' Quero andar no carrosel '

' Ja vai... '

' Olha ' repetes;

' Diz '

' Vem ca ter... '

' Ja vou '

' Nao, agora. '

' Nao , mais logo '

' Va la' , anda la '

' Nao. '

' Va la... '

' Olha que eu vou '

' Nao. ' respondes.

' Pronto esta' bem . Olha; vem gira, apanha o cabelo atras,

e tras assim uma cena gira, 'tas a ver; nao sei. '

' Vais te vestir como ? '

' Assim, meio rocker, camisa, ganga e sapato '

' Ah, ta bem. Vou ver '

' Gosto de ti meu amor!!! ' anuncio.

' Eu tambem , muah !!! ' devolves.

E dizes:

' tens saudades minhas ? '

' nao muitas... daqui a 5 minutos tenho mais ' digo, assim.

' entao olha... desliga... eu vou almoçar daqui a nada;

tira esses 5 minutos... e fica com saudades, se conseguires.

Depois; vem me buscar. Pode ser? '

' Olha, acho que sim ' digo.

' va, ate ja '

' ate ja, Leonor... '

Desligo metendo o dedo no descanso do telefone que estava ao lado da cama,

e pouso o auscultador, metendo o telefone debaixo da cama.

Vou ate aos meus discos no armario, e de frente, saco um disco...

Ja vou com destino traçado... Eu sei.

Puxo

' The Who - Who's Next ? ' , 1971. Original Polydor pressing.

Ahh, ok. Aqui está. Saco o disco da capa, saco o disco da sleeve,

Pouso a capa e a sleeve em cima no armario, na prateleira acima.

Meto o disco, Lado A, no prato. Marantz. Vejo.

Esta em 33 1/3 rotações. Está.

Ligo o Amplificador. As luzes iluminam os VU's. Tudo ok; levanto um

pouco o volume. Meto em Phono.

Tiro o lock do braço. Puxo o braço para cima do disco,

o prato começar a rodar, arranca, arranca.

Aqui estou.

Ruido no disco, crepita... Entra o sintetizador...

' Baba O'Riley ', vou curtir...

Ah, muito fixe este som.

Afasto me, vou ate perto da cama.

Sento me na beira da cama, e fico a ouvir o som que

começa, piano, toca as notas; toca,

entrada com bateria; toca;

entra a voz...

este album e' bom.

A musica vai tocando,

tocando; tocando.

E toca... e' fixe.

Ah... Encosto me na almofada, cruzo os braços

atras da cabeça, fecho os olhos; fico, em cima da cama.

A musica toca; alto; ouço a bem, ouço a bem.

Lembro-me dessa manhã, de estar a ouvir o ' Baba O´Riley ',

e a musica ia tocando; vai tocando;

ouço-a.

O disco vai rodando no prato... rodando.

A musica, deixo-me ficar a ouvir.

Ja esta quase no fim... A confusao;

parte do violino, toca, furiosamente...

Mais depressa, mais notas; mais bateria, acelera-se o compasso;

'e o fim;

e' o fim. Acaba a musica. Num estrondo quase.

Abro os olhos.

A proxima musica vai entrar, ouço o intervalo da pista.

Com os braços, faço para me levantar.

Levanto-me da cama. Agora a seguir, vai entrar ' Bargain ' , mas a que eu

queria ouvir era ' Getting in tune '.

Os Who fazem musica fixe. Tenho aqui alguns discos deles, tambem tenho o

' Tommy ' de 1969, trouxe-me um gajo dos USA, e este e' da Decca.

Ah. Daqui a nada ja vou ter com o meu amor. Dirijo-me ao prato,

baixo o volume do amp, levanto a agulha, meto no encosto e prendo-a.

Ah, eu sei que me ouves... Olá !!!

Eu sei ...

Fico parado no meu quarto, em silencio, frente a aparelhagem, tronco nu,

parado... sem pensar, so a sentir a tua emoção no meu peito...

Fecho os olhos, sinto o detalhe do meu quarto em mim, e a ideia dos

anos 80 em mim; junto tambem contigo, e deixo correr, passar,

na minha ideia... e sinto. Sinto.

Assim menos, abro os olhos devagar. A ver se me lembro do que me disseste.

Ah ja sei. 5 minutos nao sei que, e depois almoço e vou ai ter nao e' ???

Acho que era isso. Era, era. Deito me entao na cama.

Cabeça na almofada, braços cruzados. Fecho os olhos

Um momento de descanso, 5 minutos. Páro. Nao penso em nada.

Apenas tempo. Ok. Ah, descanso. Sem pensar em nada...

5 minutos. Abro os olhos. Levanto-me, visto os jeans, virola em baixo.

Visto. Fecho o botao, e fecho os botoes da braguilha. Ok.

Estou descalço. Vou ate' 'a cozinha. O que e' que irei comer?

Hm. Spam, uma merda qualquer. Estou sem grande paciencia, isso digo-te

ja´. 'E mesmo isso. Spam. Com batatas fritas. Vou buscar duas batatas

'a dispensa; descasco-as, corto em palitos. Deixo as no balcao, vou buscar

a lata de Spam, e abro a ali, no balcao tambem, com o abridor que traz.

Ok. Spam ate e' porreiro, e acho que nem o vou fritar.

Tiro a fritadeira do forno, meto a em cima, puxo do fosforo, acendo o bico.

Meto no maior. Deixo aquecer. Vou sacar o Spam, empurro-o.

Corto uma fatia... fina, e tiro uma dentada... Bem que me lembro do sabor,

do Spam, nessa manha de '85. Lembro-me. Escrevo aqui de lado, para ir comprar

uma lata... vai na volta ainda ha' da mesma marca, sei la.

O oleo aquece, aquece, esta' a ferver, atiro as batatas la para dentro,

com cuidado para nao me salpicar; elas la caem, va la, nao espirrou muito.

Fritam. Fritem para ai. O Spam e' so cortar, e vai mesmo assim para o prato.

Meto umas fatias no prato , 3. Deixo as batatas fritar...

Sento me numa cadeira, perto da mesa. Fico ali, espero.

Ja devem estar fritas, levanto-me. Sim. Tiro as batatas da fritadeira,

meto as num prato com papel absorvente. Meto sal. Mexo-as.

Mando as para o prato com as fatias de spam. Esta' ok. Levo o prato para a mesa.

Sento me. Penso se vou ligar a tv, para ouvir qualquer coisa... hmm.

Nepia, que se lixe. Ligo o radio que esta ali no balcao, ao fundo.

Sintonizo uma cena fixe, meto baixo, um pop qualquer.

Vou ate a mesa, começo a comer. Corto um pedaço de uma fatia de spam,

levo o a boca. E' fixe, as vezes sabe bem. Mastigo. Tiro uma garfada de batatas,

e como as... Vou comendo, tomo o meu almoço, calmamente, no meu ritmo

descontraido, na boa. Ouço a musica. Como. Acabo de almoçar, limpo o prato,

meto no balcao, assim como os talheres, lavo depois.

Vou ate ao meu quarto. A ver se me visto. Encosto me mais um pouco na cama,

cabeça na almofada... a olhar para o tecto. Daqui a nada, vou ter contigo;

vamos ate' 'a feira... por acaso , esta me a apetecer ir la um bocado.

Bom, os 5 minutos, vou deixa los passar devagar, para ficar com saudades

tuas... 5 minutos, 1, minuto, 3 minutos, 10 minutos...

ahhh... descanso... descanso. Nao penso em nada. Fico só.

O tempo passa. Levanto-me, devagar, olho em redor. Pego na camisa,

visto a. Meto as golas para cima, para ficar com estilo. Dou um jeito ao cabelo,

com as maos, so para ficar mais porreiro. Optimo. Parece me bem. Calço os

sapatos. Dou lhes uma polidela com a escova. Dou um toque na roupa para ficar

perfeita. Vejo me, sem ser ao espelho, parece tudo ok. Penteado, vestido,

tudo bom. Pego nas chaves da ' Rita '. Estou vivo. Sinto me bem.

Sei que estas comigo... Olá giraça... Somos nós dois... para sempre,

num poema eterno, do nosso Amor.

Estou pronto, saio de casa, tranco a porta. Esta tudo em ordem, vou ate ao

telheiro, onde a Rita descansa. Abro a porta do meu lado, entro.

Sento-me no banco. Páro.

Ontem passei perto da tua casa... Fui, no Buick. Sozinho, num sabado 'a noite,

saí, sem destino, ia para um lado, e a meio do caminho decidi voltar para

casa, mas na subida, virei para onde moravas...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

fomos sair _ de volta ao miradouro _ cont II

Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,

ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.

O peso do teu corpo em cima do meu...

Agrada-me. Muito.

Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.

Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;

numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.

Ponho o braço direito por trás da cabeça para fazer altura,

e meto a minha mao esquerda na tua anca.

' Olha ' digo, e dou-te um beijinho pequenino;

' diz ' perguntas,

' Anda cá ' digo, e rebolo, trocando de posição contigo;

passas a ficar por baixo; e eu por cima.

' Peso ? '

' Nao muito ' dizes.

' Ve lá '

Sorris curta e honestamente, com os olhos e com a boca.

Olho-te. Sem te pesar, meto a mao direita para baixo do banco,

tiro de la uma manta que la habita,

dobro-a um pouco melhor,

para teres um encosto.

Dou-te um beijo na boca, terno... meigo, curto.

'Es linda, penso, para ti.

Tu olhas para mim, sorris, de soslaio, com ar mauzinho.

Olho para ti, vejo o teu rosto, 'es muito bonita;

estas indefesa, olhas me com carinho.

Apoiando me no banco, meto a mao direita no teu cabelo, toco lhe,

e' longo; longo, ondulado, e belo... ahhh, Amor.

Faço-te uma festa com a parte de fora da mao, no rosto, na face;

de cima, para baixo, com carinho.

Sorrio levemente. Toco o teu pescoço com o meu dedo indicador,

ao de leve, percorro-o o devagar.

desço, devagar, suavemente pelo teu decote; páro.

Tiro a alça esquerda do teu top para o lado.

Desço um pouco mais, toco o teu peito, de lado, ao de leve,

e continuo pela barriga, descendo; olho-te.

Continuo a descer, com os dedos, pela barriga;

passo o teu umbigo, meio escondido por baixo do top...

e aproximo-me do botão das tuas calças...

Páro. Olho-te nos olhos, com a mão sobre o botão das tuas calças,

um dedo ja a fazer pressao no botao e os outros no tecido.

Olho-te, quase inexpressivo. Tu, olhas-me praticamente,

com o mesmo olhar...

A noite, o céu, as estrelas... Buick Special 1958 Azul matte com hardtop

branco. Silencio...

Faço o movimento, com os dedos, abro o botão...

Beijo-te...

O resto; bem, o resto tu deves lembrar-te.

Dai a um bocado,

fui levar-te a casa, ficamos do mesmo lado da rua, o teu predio do lado

direito do carro, encostei de lado, perto do passeio, como na chegada.

Travo. Engato o carro em Park, e carrego no pedal de parqueamento.

Deixo o motor a trabalhar...

Despedimo-nos.

' Gostei de estar contigo ' dizes-me.

' Tambem '

Pisco o olho ao de leve.

Um beijinho nos labios, leve, um peck.

' Até amanha... depois liga-me ' digo.

' Nao, liga-me tu '

' Esta bem, eu ligo '

Tenho a mao na tua perna, faço uma festa, e tiro-a,

abres a porta com o manipulo.

' Deixa aqui o saco '

' Ta bem '

Acabas de sair, o vidro esta aberto. Fechas a porta.

Pancada.

Olhas um pouco pela janela, metes um pouco a cabeça dentro da janela,

' Adeus ' dizes,

chego me até ti, e dou te mais um beijo na boca,

mais doce, um pouco molhado.

' Vai ' digo.

' Ciao ' dizes.

Começas a afastar-te do carro.

Fico a olhar para ti. Barulho do motor, em baixa rotação, ruido de frequencias

baixas, com um lento, leve baloiçar.

Olho para ti, estas de costas, caminhas de frente para a tua porta.

Vejo a tua figura... linda...

magnifica. Uma miuda linda. Ah, perco-me em ti. O teu cabelo, adorna as tuas

costas, com as suas ondas maravilhosas. Caminhas, quase brilhas.

Sempre gostei de ver-te andar... Muito segura... uma mulher.

Sempre foste assim. Andas.

Estas perto da porta do predio. Tiras as chaves da malinha preta.

A noite, Buick Special 1958 5.5 Litros, o João, a Leonor;

Devagar, como uma gazela, viras o rosto, o tronco, e depois para mim,

acenas adeus com a mão direita; com muita graça.

Olho para ti, aceno que sim com o rosto, e sopro te um beijo.

Tornas a chave, do predio, vejo;

entras, olhas de novo ao de leve e tornas a esquina para as escadas;

deixo de te ver.

Ah... meu Deus, minha paixao... todo este amor.

Fico uns segundos, inebriado pela tua presença; por te ter, ainda olhando,

a porta do teu predio, de luz acesa, pela noite, a sentir esta tal nostalgia,

por...

Abro o porta. Saco o maço de luckies. Abro a tampa, dou lhe um baque,

um cigarro fica mais saido, tiro o com os labios. Fecho o maço, guardo no

porta. Pressiono o isqueiro do carro. Espera. Esta' pronto.

Acendo o cigarro. Adeus Leonor; olá noite...

Puxo a brasa do cigarro, tiro uma passa forte...

inspiro a para os pulmoes... Sinto. Deito fora o fumo, devagar, pela boca.

Vamos, Senhor...

Tiro o travao de parqueamento, engato drive, e acelero devagar...

começo a descer a tua rua. Penso em ti. Vejo a tua imagem,

na minha mente. Vejo-a. O teu rosto, perfeito, 'es o meu desejo realizado,

o teu cabelo... Acelero.

O motor soa... pela noite...

Daqui a nada chego a casa, ja estão todos a dormir certamente,

deixo o carro, de lado, na garagem, no telheiro.

Posso nao ter muitas posses, mas a minha casa tem um espacinho para

estacionar a ' Rita '.

Inspirado na Rita Hayworth, que a minha avó gostava.

Conduzo, moramos relativamente perto. A um quarto de hora, mais coisa,

menos coisa.

Tu moras numa zona mais chique...

Um predio, ate' fino, diria. A minha zona nao e' ma', mas e' mais

pacata, uma pequena vivenda, ja' antiga, de um só piso, envelhecida.

Por um lado prefiro onde moro; e' mais isolado. Temos um terrenozinho

com a casa, da' para la ter o carro, e mexer lhe quando preciso.

Faço a estrada, tem algumas curvas, com arvorezitas 'a volta e isso, uns

arbustos, e coisas dessas; la vou, com as luzes do carro a iluminar a

estrada... calmamente. Deixo o radio tocar baixo, um qualquer rock,

que vai tocando. E vou, vou na boa... atento, mas calmamente;

nem sequer ha carros nenhuns, vou, só, na minha. Faço o caminho...

Com a mão esquerda no volante. Curto, parece que estou meio tripado,

assim, mellow, e vejo as cenas a correr, a escorrer, enquanto o meu

cerebro processa a realidade que decorre. Por um segundo, sinto;

sinto a solidao de não te ter, e' muito funda; mas está tudo bem.

Refiro me que? Ao momento passado ou agora? Ah. Pois.

Estou quase em casa. E por acaso, estou mesmo... quase... em casa.

Conduzo. Estou em casa. Abro o portao metalico, meio enferrujado que

da para o telheiro ao lado da casa. Entro com o carro.

Estaciono. Desligo tudo.

Tiro as chaves de casa do porta luvas, meto as chaves no bolso das calças.

Penteio o cabelo com as mãos. Fecho o carro.

Caminho fora do telheiro, fecho o portao de metal,

e dirijo-me a entrada de minha casa;

janelas, todas fechadas.

'A porta, o pequeno tapete, meio encardido, daquela coisa que pica, castanho.

Saco as chaves do bolso, meto as 'a ranhura. Torno a chave, com cuidado,

para nao fazer barulho.

Entro. Fecho a porta, tranco-a;

e vou para o meu quarto descansar.

Até amanha, amor.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

fomos sair _ de volta ao miradouro _ cont

'Es a melhor, a melhor de sempre... eu sei.

Tento 'as vezes disfarçar, fazer de conta que ate nao sinto muito

tua falta; mas custa-me. E sim, digo ' ola' ' a tua foto.

Conforta-me.

Tu, olhas-me, com a mesma calma de sempre, com a tua expressao

calma, e terna. Sinto a tua falta. Sera' que se saissemos agora,

iamos curtir? Vou-te contar um segredo...

Acho que sim.

Fomos feitos um para o outro, e eu sei disso; eu sei.

E pelo meio de palavras, pontos finais, virgulas, imaginacao,

pontos de exclamacao ( poucos ), e alguns de interrogação, aqui estou,

num ponto de encontro contigo.

Mas tu; tu, 'es real.

Ainda que fosses

fantasia; mas por acaso nao; eu quando ler isto vou me lembrar.

Conhecemo-nos no Verão. Mas ja te tinha visto antes.

Ja tinha ja'. Por ai.

Se calhar tambem andavas a minha procura; eu andava 'a tua, a serio.

Mais um dia passou.

Tenho a minha mao na tua, a teu lado, estamos no carro,

acabo de comer a goma, vermelha.

Tu estas, assim sorridente... com a tua calma.

Ao fim ao cabo 'es uma Santa. Sim, e' segredo, eu nao conto a ninguem;

mas eu acho que eles percebem.

Olho la para fora, as folhas das arvores mexem, ao sabor da brisa numa

noite excelente, num nosso espaço; o Buick reluz sobre as terriveis luzes

da rua... Os disticos no capot... Uma frente longa, larga...

Onde habita o 327CI, 8 cilindros em V; este carro tem qualquer coisa

de fantasmagorico; do alem; deve ser das imperfeicoes e peças envelhecidas,

ou ate talvez de outra coisa, que eu nao esteja a ver...

Atrás diz Special, em letras

maiusculas; mala, a qual, adornada por duas barbatanas bicudas com cromado

no topo, por cima dos Stops a vermelho.

A gasolina entra, disfarçadamente, a meio do para choques traseiro.

O radio continua a tocar, baixinho, algum rock.

Olho de novo para as arvores. Gosto de ve-las. Sempre gostei da natureza.

Olho para ti, peço-te mais uma goma.

' Da-me uma goma, pode ser '

Das me o pacote para as maos.

' Tira '

Começo a tirar uma goma, esta e' das brancas. Deve ser de limao.

Tiro a com o dedo polegar, e ponho a na palma da minha mao esquerda,

pergunto-te

' Queres ? '

' Nao, come essa, daqui a pouco como o meu anel ' ris.

' Esta bem, eu sabia que esta relacao nao ia durar muito, de

qualquer modo ' digo.

' Deve ser de que sabor ? '

' Nao sei amor, tens de experimentar ' respondo.

' Hmmm, vou come-lo '

' Come '

Levo a goma a boca, e dou lhe umas trincas; e' boa, gosto destas gomas,

sao bem doces.

Começas a tirar o anel do dedo, e ,

guarda-lo na tua mao.

' Foi bom enquanto durou ' dizes.

' Sim, nao foi mau. '

' Foi bom, mas tu 'es um bocadinho mau '

' Tu nao; tu, 'es linda '

Chegas te a mim, e das me um beijo nos labios, e roças o teu nariz no

meu, com carinho; sorris.

Com o meu braço direito, nao te deixo voltar ao teu lugar,

e mantenho te junto a mim,

dou te um beijo curto, nos labios; mas apaixonado, para te ter mais um pouco;

meu Deus, como e' bom sentir os teus labios junto aos meus.

Ja beijei outras gajas; e tu, 'es melhor.

'Es a melhor.

Deixo-te ir. Voltas ao teu lugar no assento.

Abres a mao; e com a outra, levas o anel que la estava, 'a boca.

' Deve ter um sabor a açucar generico , aposto ' digo.

' Sim, deve ser '

Trincas o anel.

' Hmmmm, deixa ver. Até nao e' mau. Mas e' muito doce, uh,

nao o vou comer todo , enjoa '

' Ainda por cima poes defeitos ' digo.

Sorris.

' Vou por aqui no cinzeiro o resto '

' Sim, faz isso '

Abres o cinzeiro. Poes la dentro o que resta do anel açucarado.

Fecha-lo.

Olhas-me com um olhar.

Pouso as gomas no acento do carro.

' Olha; posso-te dizer um segredo ? ' perguntas.

' Hm; eh pa, acho que sim '

Tiras o volume do radio.

Chegas-te ao pé de mim, pelo banco, corrido...

Chegas-te mais. Metes as tuas pernas em cima das minhas ; de lado;

quase como se te sentasses ao meu colo. Estás a minha direita.

Chegas a tua boca 'a minha orelha e segredas:

' 'Es todo giro, sabias? '

' Nao... ' refiro.

' Olha... '

' Sim, diz '

Assim, de mansinho, poes tambem os braços a volta do meu pescoço,

e começas me a beijar atrás da orelha, do meu lado direito, devagarinho.

Ouço o teu respirar, la' ao

fundo... muito ao de leve. Mantenho-me calmo. Frio.

Mas estou aqui. Com a tua mao direita fazes me festas no cabelo,

e continuas agarrada a mim, e ao meu colo.

Um pouco chateado... olho a volta;

estamos sozinhos. Continuo sério. Olho la para cima , para o céu, negro,

vejo as estrelas... solitarias, a anos luz daqui.

Olho mais um pouco o ceu da noite.

' Não e' melhor irmos andando ?' pergunto.

' Não ; deixa estar, so mais um pedacinho... '

Continuas a mimar-me; com beijinhos,

perto da minha orelha.

Paras de me acariciar o cabelo, e agarras-te com os dois braços a mim,

ouço te respirar, e sinto um outro compasso, mais lento...

Pesado.

Ouço-te respirar, devagar; devagar. Roças o teu rosto no meu,

devagarinho... devagarinho. Respiras. Estou um pouco, serio; mas ja baixei

um pouco as defesas.

Continuas, rosto colado ao meu, e começas a chegar mais 'a frente do meu

rosto; sinto o teu rosto tocar no meu de manso; fecho um pouco

os olhos.

Parado; atento, viro os olhos na tua direcçao, estas a milimetros de mim.

Olho-te, serio.

Afastas o teu rosto de mim, um pouco, ficamos cara a cara.

Olhas-me.

Olho os teus olhos... esta escuro, mas vejo os...

dizem qualquer coisa. Nao hesitas. Continuas a olhar me. Vejo os teus olhos.

' Va la' Leonor; 'ta quieta '

' Va' la , nao sejas chato ' dizes, altiva.

Aproximas o rosto do meu, apertando-me mais

com os teus braços, sinto o teu corpo ficar mais perto, sinto as tuas

pernas sobre as minhas.

Os teus labios estao a milimetros dos meus...

aproximas-te mais um milimetro;

os nossos labios tocam-se, pouco a pouco.

Beijamo-nos.

Beijamo-nos mais; os nossos labios, tocam-se, assim;

e' magia... Abro os olhos; vejo o teu rosto,

olho-te nos olhos... 'e a nossa paixao, completa...

'Es bela como nenhuma outra. Os nossos labios tocam-se,

molhados...

Olho os teus olhos...

Ha' qualquer coisa neles... Ha' uma paixao

tao grande, tao intensa, que ao ve-la; sinto-a;

sei que me amas, sei que me amas.

Tiras os braços, levemente de volta de mim; e ainda beijando-me,

tiras as pernas de cima de mim,

sentas-te 'a minha direita. Páras de me beijar;

poes as maos sobre o meu colarinho; e começas a

empurrar-me para baixo... devagar.

Começamos a deslizar pelo encosto do banco, ( sendo um banco corrido) ,

ficamos deitados sobre ele; eu por baixo.

O peso do teu corpo em cima do meu...

Agrada-me. Muito.

Continuamos a beijar-nos, apaixonadamente... docemente.

Deitados, sobre o longo banco da frente do Buick Special de 1958;

numa maravilhosa; sublime, noite de Verão.

domingo, 15 de agosto de 2010

fomos sair _ de volta ao miradouro

Meto para baixo, 'a esquerda. Descemos toda a rua, nas calmas.

Miradouro, perto da fabrica. Estacionamos mesmo como ha' bocado,

por sorte nao esta ninguem, na mesma.

Agora que escrevo, sinto que gostavas que estivesse ao teu lado .

Olho para a tua fotografia e chamas-me. Tambem te queria aqui.

Mas nao faz mal; sempre foste forte como eu.

Estamos estacionados. Boa noite. Ja e' quase uma, vejo no relogio do carro.

Desligo as luzes do carro, deixo a dos manometros acesas; apetece-me.

Desligo o motor. Janelas meio abertas... mais um bocadinho de paz

e sossego.

Ola' Princesa.

' Daqui a bocado tenho de ir para casa, ja' e' tarde, disse que nao

chegava muito tarde '

' Combinado , eu levo-te mas ... so se me apetecer '

' Nao. 'Es mau. Tenho de ir. '

' Nao tens nada, nao sejas má, ficamos aqui a namorar e a falar mais,

va la' '

' Hmmmm. Deixa ca pensar...

Nao! '

Rebolo os olhos e franzo o sobrolho, a olhar para ti.

Aperto te um bocado o nariz. Tu odeias isso.

' Oh, pa' que chato !!! Ta quieto !!! '

' Ah ah ah ah ' rio-me.

' Nao faças isso outra vez, detesto isso '

' Nao, prometo ' e levo a mao perto do teu nariz outra vez como se fosse

faze-lo.

' Oh pa!!! ' dizes irritada.

Rio com suspiro.

' Parvalhona '

Encosto-me no banco do carro... fico na minha...

Ahhh, que bom. Um momento de silencio... descanso.

' Bela noite. Algumas estrelas '

' Sim, por acaso, nao ta mau ' concordas.

' Nao sabes que nao devias de concordar, assim a nossa relacao nao tem

piada '

' Ah. '

Rolo a minha janela completamente para baixo, a tua ja estava.

Fico, so no meu mundo... a absorver o nada, fora de tudo. La para o fundo,

no meu espaço estelar. Estou la bem longe. Nao me apetece dizer nada

por um

segundo. Nem pensamento tenho. Realidade pura. Aqui estou.

Mexes no saco. Tiras de la as gomas quadradas, começas a abri-las.

Fico a ver-te. La estas tu a tentar abrir aquilo. Tens piada.

Se precisares de ajuda, diz, penso.

Não, deixa estar, respondes.

La continuas a abrir aquilo, sempre gostaste de doces e coisas dessas.

Ja esta´. Abres aquilo, e empurrando com o dedo, sacas uma goma

laranja;

molinha, coberta de açucar, e leva-la 'a boca.

Abres a boca devagar, vejo os teus labios, rosados por natureza,

mas mais,

pelo baton, perfeitos, sao os teus, metes a goma sobre a lingua, e fechas

a boca, lambendo o labio de baixo para tirar o açucar que la ficou.

Viras a cara para mim e ficas com um sorriso, que nao sei qual era,

boazinha, mazinha?

Ai, Cleopatra.

Que bela noite, ja nao estavamos assim na boa ha uns dias, as vezes estou

contigo mas mais naquela, hoje estou fixe. Sinto me bem.

Esta tudo bom. Nem sei porque.

Deixa ca ver. Estou aqui. No carro, encostado, fresco, com estilo, penteado

( nao me estraguem o penteado ), com tempo, bem disposto, e com uma

rapariga linda ao meu lado. ( Mesmo quando fizeres anos vais ser rapariga

na mesma para mim, pode ser ? )

La fora, nao se passa nada, um fresco da brisa,

rolled down windows, dashboard em tres tons de azul,

com full instrumentation,

luzes manometros ligadas; desligo-as. Ah que belo painel de instrumentos,

meu bom Buick. Ainda nao disse como te chamas. Talvez depois.

Serás um ou uma ?

Cá para os meus pareceres, deves ser uma. Ja falei de ti,

mas o teu nome,

nao o revelei.

Deixa ca ver a Leonor...

Lá esta ela... E' mesmo uma visao inusual. Mesmo. E' que podias ser gira.

Mas nao, tinhas de ser lindissima, uma cara perfeita, para mim, sei la,

vou olhar para ela. Aqueles olhos, meu Deus, morro. São castanhos, só

castanhos, escuros, assim . O teu rosto e' para o magro, muito bonito,

sempre me atraiste, desde o dia que te conheci, parece que tens qualquer

coisa de timida, 'e estranho. Cabelo castanho, tom muito doce, liso,

mas com ondas largas, ao comprimento, dando lhe algum volume,

mas nada excessivo, e' muito natural.

Olho para o teu corpo, sublime.

Sob o top vejo o teu peito, bonito, um so toque de decote, nada exagerado;

'a cintura, um cinto fino, a apertar os jeans azuis que trazes,

justos, são levi's 501, sobre as tuas pernas, tambem muito esguias

e perfeitas, meio magras, mas muito seguras.

Para acabar uns sapatos brancos, meio salto,

mais ou menos afilados, nao sao dos mais bicudos. Agora olho o conjunto,

e vejo a tua imagem... 'es tu, vejo-te tao bem, e dizendo em verdade,

sempre nos conhecemos bem...

Fico assim um tempo só a olhar para ti, tu estas entretida a comer

umas gomas açucaradas, e talvez vas pensando qualquer coisa,

mas pouco parece me; estas muito calminha.

Sempre tiveste paz, o que e'raro; e foi essa uma

das coisas que me atraiu em ti, seres calma. Serena. Tens ataques de

tristeza

e paranoias, mas isso sao filmes teus. Tu 'es calminha.

Queres que diga que te conheço melhor do que te conheces a ti?

Pode ser. Mas olha. Gosto de ti. E vou ficando , assim a olhar para ti,

bonita, simples, calma; bonita. Muito bonita. A beleza e' algo que nasce

connosco, mas tambem dá trabalho, nao e' gratuita.

Vem tambem de dentro, muito. Para mim, e' assim; ainda bem.

Queres que te diga o que, mais?

Nao, nao preciso de estar na America Central, numa praia qualquer,

com o Sol a cair, todo bonito, laranja ou de uma outra qualquer cor.

Tudo isso e' banal, para mim, queres o que, sou um foleirao,

bastas-me tu, bastas-me tu. Por isso, por isso, e' que .

Basta-me esta noite, contigo, aqui, nesta cidade banal, mecanica

quanto baste, num qualquer miradouro nosso, numa noite, num Buick '58

a dar o tom, e sim, basta-me isso. Obrigado. Vénia. Colho os louros.

Sou um foleirao, e o resto nao digo.

E aqui estou. Deste lado, apaixonado... sem te ter.

O relogio do carro, olho-o, mesmo sem as luzes ligadas vejo, marca,

e' uma, um quarto. Ainda temos mais tempo. Tempo.

E' como magia, este tempo assim, parece que ha mais qualquer coisa,

porque, ja estive contigo mais vezes, mas as vezes e' especial, e'

mais magico, sobrenatural, parece que faz eco no tempo,

tem uma definicao especial, pergunto me, o que sera'.

E' fora do normal, la isso e',

e' quase religioso. Divino. E' uma especie de eternidade, num pequeno

momento. E continuo a ver-te, mas melhor; igualzinha, mas melhor.

Estas igual, nao mudas. Linda. Como sempre. Chego me no banco,

um pouco,

a ti, de mansinho, enquanto comes as tuas gomas, entretida, chego me so

um pouco, para nao te perturbar, e passo a minha mão direita, os dedos,

pelo teu cabelo, de cima, para baixo, por cima do cabelo, devagar,

como uma caricia, ate' a extremidade do cabelo; que fica sobre o teu peito.

Deixo a mao, levemente sobre o teu ombro, e fico a olhar-te, de mansinho;

a olhar, so um bocadinho, so um pouquinho. Páro um pouco.

Acabas de comer mais uma goma, reparo. Olho-te nos olhos,

por um pouco,

com sinceridade, simples, ponho a mão por tras da tua cabeça, por entre

os cabelos, e levemente, chego o meu rosto ate´ ti.

Beijamo-nos, docemente, com um amor muito terno e leve,

mais 'a superficie; os nossos labios tocam-se; conhecem-se,

um pouco humidos, um beijo muito terno, suave, com um toque de paixao.

Beijamo-nos.

Afasto os meus labios dos teus, devagar, e fixo os teus olhos, o teu rosto.

Ah, Leonor. Esta noite.

Esta noite.

Vamos fazer o mundo dançar a nossa melodia? Como uma orquestra,

toda sincronizada, vamos tocar a nossa musica, ficar aqui, nao,

eu nao conto a ninguem.

A felicidade enche me o peito, estou contente por estar aqui,

chego me de novo a ti, sorridente, mas uma nostalgia maravilhosa no

peito, abraço-te, de lado, fico agarrado a ti. Olá Princesa!!!

Dá-me o teu Amor, ainda que viva sem ele, nao e' a mesma coisa...

não e'. Fico abraçado a ti. Não posso deixar de fazer algo simples,

com significado para nós, tenho de me lembrar disto, vou lembrar-me;

vou lembrar-me... vou lembrar-me. Uns dias depois deste, gravamos num

parque

e tambem numa arvore aqui no miradouro, João + Leonor para sempre,

dentro de um coraçao, e uma setinha... Lembras-te???

Eu lembro-me, como me lembro bem dos teus

olhos castanhos, que me deixam assim. Dia apos dia, apos dia, apos dia.

Tenho o rosto perto do teu peito, virado para baixo, e enquanto te abraço,

fazes me festas no cabelo; sabe-me bem o teu carinho, sabe-me bem,

sermos so nos os dois, obrigado...

As vezes olho para uma foto tua enquanto escrevo,

para te ter aqui pertinho;

olho mesmo; tenho a aqui, e' aquela em que

estás com um chapéu de palha; sabes?

ahhhh, que falta me fazes,

meu amor, que falta me fazes. E naquela noite, no miradouro,

continuamos,

juntinhos, sem dizer nada, so na companhia um do outro... bastava-nos,

a companhia um do outro. Tempos simples, tempos simples, meu amor,

e sim, ouço-te, ouço-te, ainda ; ainda estás aqui. Olá Giraça, gosto de ti.

Falo com a tua foto, 'as vezes, digo:

' estás gira hoje ' e sorrio.

Carro, 1985, abraçados, puseste os teus braços a minha volta, e continuo,

caido, no teu peito, agarrado, agarrado, a ti; e seguro, seguro-me com

força, como se soubesse, que um dia ia ficar sem ti...

Falemos, falemos; nao, calemos, calemos. Ahhh, Leonor,

meu amor e' para ti.

Quebramos o abraço, e mais uma vez, sentado a teu lado, ponho me a

olhar

para ti; para ti.

Namoramos mais um pouco ?

' Dás-me mais um beijo ? ' pergunto.

' Claro, João ... '

Juntamos os nossos labios, em cumplicidade, de mansinho, para partilhar,

o nosso beijo, que fizemos so para nos, uma estrutura nossa, tua, minha,

partilhada por nós... Beijo os teus labios, meigamente, com alguma

pressao,

humidos, com alguma paixao, beijo-te, vagarosamente, com lentidao,

e em tom de resposta, devolves me a paixao, amplificada, pelo teu

coração,

estamos, sim, no centro do universo, esta e' , a nossa cançao, universal,

como o tempo, sou teu; atenção... beijemo-nos, meu amor, com intenção.

Devolves-me o beijo, em meus labios, as nossas linguas tocam-se, ao de

leve, molhadas, a isto eu chamo paixao... perdido, estou perdido,

meu amor, pela tua paixao,

salva-me, deixa-me, salva-me, deixa-me, nao brinques com

o meu coração... aceleras o meu compasso com o teu beijo...

Nao me deixes nervoso,

sou eu, o João... E este beijo, em que fechamos os olhos,

e nossas linguas se tocam, 'e a nossa afirmação, afirmamos que nos

amamos,

esta e' a nossa intenção... gravado numa arvore, para contemplação...

( Obrigado pelo teu amor, sou como uma máquina, em plena execução,

lagrimas acorrem, aos meus olhos, enquanto escrevo, e' emoção... )

Acabamos este beijo.

Fico, a teu lado; de novo, no carro.

Ah, a noite, a noite. Esta' uma brisa optima... Fico aqui a teu

lado mais um pedacinho, so a passar uns segundos; no radio parece-me

ouvir qualquer coisa, deixa ver...

Levanto um bocado; pouco; e' mesmo . ' Telephon Boys - Get up Get up ! '

Este som e' porreiro, italodisco. Mesmo da noitada. Ah ah.

Estás linda, hoje... 'es linda... deixa me morrer, sou feliz... obrigado.

Linda, linda, linda. Chego-me a ti, ao pe dos teus cabelos, cheiro te os

cabelos; teem um cheiro misto do champoo que usas; com o teu cheiro

proprio... ahhhh; meu Deus. Deixa-me cheirar o teu cabelo mais um pouco...

Cheiro-te por detras da orelha, um pouco mais atras.

Gosto.

Cheira bem.

Cheira a ti, e levemente a champoo; e talvez a nicotina até.

Inspiro o ar com esse cheiro, fecho os olhos e deixo o cheiro entrar em

contacto com a minha alma,na esperança que fique la' gravado...

Lembro-me vagamente desse cheiro, do teu cabelo, 'as vezes passo em sitios

ou assim, com um cheiro semelhante, e; lembro-me de ti... Tu queres la'

saber, la' estaras com um outro qualquer; a vida e' assim.

Mas eu nao me esqueci; nao... eu lembro-me. Vagamente... ou ate bem.

Dizias, que eu, as vezes, tomava o teu controlo.

' Deixas-me fora de mim ' disseste.

' Não faço por mal '

' Deixa-me, 'es mau! '

' Isso, nao posso fazer, sou viciado, ja devias saber ' refiro.

E tu, aborrecida, olhas me com olhinhos atentos e grandes...

' Mau ! ' Dizes.

' Cala-te ' Sorrio.

Bato um bocado o pé ao som da musica, levemente, ali no carro ao pé de ti,

esta uma bela noite, uma bela noite, de verão, ou primavera, talvez,

ahhh, que bom; que bom. Ca estamos no miradouro. Deixa me ca ver as tuas

gomas.

' Da-me uma goma Leonor '

' Toma ' pegas no involucro, e começas a tirar uma.

Dás-ma para a mão, 'e vermelha.

' Obrigado, vou provar ' Levo a goma a boca; tu olhas para mim, atenta.

Eu sei que tu 'es esperta, e que estas ai. Eu sei. Tu sabes.

Saboreio a goma, uma textura amolecida, meio mole, gelatinosa,

mas nao muito rija, suave, com açucar por cima... por assim dizer,

acho que ja' tinha provado gomas destas, sao fixes. Esta, e', de ...

morango parece-me.

' E' de morango ' digo.

' Sim, e' , as vermelhas sao de morango, as amarelas de limão, as verdes

sao de sonasol, as brancas sao de fruta mágica, e coisas assim '

' Ahhhh... 'ta bem. Esta e' fixe, queres? '

' Sim. ' e acenas com a cabeça, continuas

' Dá-me '

Entao, lambo a goma mais um bocado, puxando lhe o açucar mais um pouco,

' Nao chupes o sabor todo, lambão ! '

' Ok ; toma , toma '

Chego a minha cara ao pe' de ti, trinco meia goma, levemente, e ,

encostando a minha boca na tua, dou te a goma restante.

' Bandido !!! Comeste metade da gominha !!! '

Encolho os ombros, e inclino a cabeça, ao estilo, desculpa.

Fazes cara de má; duvidosa.

Olho para ti um pouco... Vejo o teu rosto claramente...

Vejo-te claramente. Sorrio, e tambem por dentro, secretamente, sorrio.

Sou feliz. Sou feliz. Faço-te uma pequena cocega de lado, na barriga,

( esbelta, por sinal )

e encolhes-te um pouco, sorris, com esse teu sorriso; espectacular;

tao simples, mas tão magnifico; que me aquece por dentro...

e' como uma luz; magnifico, amor.

Magnifico, amor.

Sorrimos, muito ao de leve; ficamos, na noite; levados pelo nosso Amor.






jf ( 11 )

08 / 08 / 10

fomos sair _ na Strip

chegamos ao topo da rua.

travei.

abri pisca, e dei-lhe,

fomos pela direita, era mais directo.

seguimos em frente. a strip era la mais a frente, e o mac ao lado direito

la quase ao fim antes de dar a volta.

fomos andando na boa... o motor ia roncando baixinho.

O Special '58 tinha alguns toques debaixo do capot,

mas nada de especial, nunca fui muito de andar por ai a perder tempo.

Estava afinadinho, e tocava bem. Na nossa altura era raro ver carros dos

anos 50. Muito menos carros americanos. Seguimos. O dashboard, iluminado

a verde antigo, luzia sob as parcas luzes ( da rua ) ao chegar 'a Strip.

Gosto de andar de carro contigo. 'As vezes quando ando sozinho, faço de conta

que estou contigo a meu lado. Fomos fazendo a recta...

Tu tinhas a janela aberta, ias olhando la para fora, o teu cabelo ondulava um

pouco com o vento... tu brilhavas sobre as luzes. O carro tambem, reluzia

sobre as luzes que iam incidindo, luz, escuro, luz, escuro, luz.

A minha janela, corri o resto, levantei um pouco o volume do radio, com um

rock a tocar, umas guitarras, bombo e tarola, ja' se sabe.

'E o que a juventude quer... olhei para ti. Acenei com a cabeça.

Puseste a tua mão por trás da minha cabeça , acariciaste-me os cabelos,

e sorriste. Sorri-te de volta.

Estavamos quase a chegar 'a Strip, algumas lojas a aproximar-se de ambos os

lados, uma bomba de gasolina la mais a frente, da sempre jeito, e o Mac

pouco depois. Estrada...

Movimento... Ronco do motor, a baixa rotação, numa transmissao Dynaflow.

Luzes do carro, parcas, sobre a estrada. Luzes.

Cores de neons e publicidades. Lojas. Coisas. Estrada.

Chegámos 'a Strip. Encosto 'a direita. Desacelero. Ficamos so em cruise.

Ahhh, a Strip... alguns carros aqui e ali, malta jovem a andar pela rua...

Curtir as suas, alguns carros parados no passeio a meter musica, miudas

giras de cabelo comprido. Pessoal a rir. Um ou outro carro da policia,

ocasionalmente. Adoro conduzir, sempre curti, sabe-me bem, gosto mesmo.

' Queres ir ja´ ao Mac? ' perguntei-te.

' Sim, pode ser, apetece-me um sundae '

' Ok, porreiro, vamos la´ '

Verifiquei que nao havia ninguem na faixa da esquerda, abri pisca;

meti na faixa... travei um bocadinho... olhei para ti.

encolhi os ombros.

Pisei um bocado o acelerador; o carro começou a subir a rotacao,

a velocidade começou a subir progressivamente, com força.

Agarra-te Amor. A estrada vem, e vem mais; o motor agora rugia ja´qualquer coisa,

na força dos seus 5 Litros e meio, pelo meio do binário que o ia impelindo...

Estrada, estrada, alguns carros na outra faixa, estrada, tudo ok;

as cores misturavam-se... O motor falava mais alto, para nos fazer chegar

ao destino... A estrada foi passando... passando; passando,

fizemos metade da strip, tudo a passar; ninguem na faixa da direita,

abro pisca, meto para a direita,

desacelero... estamos perto, desacelero. Entro.

Ok , e' ja aqui. Alguns carros estacionados, nao esta muita gente.

Vejo o estacionamento lateral, e' mais escondido.

Olho, vejo la´ um lugar. Estaciono.

Foda-se 'as vezes fico cansado desta merda. E' so confusao.

Foda-se. Se nao fosses tu ficava na merda. Mas ok, ok. Na boa.

Calmo. Estou aqui.

O motor corre. Torno a chave, e desligo.

' Chegámos ' disse, e continuei

' Vens, ou queres que traga? '

' Traz-me , pode ser? '

' Claro, paixao ' sorri.

Tirei a guita do porta luvas, estava la dentro. Foda-se tenho de olhar para ti,

desculpa, tou fodido. Olhei para ti.

Ah, meu Deus, obrigado. Ah, paixao, o teu cabelo, o teu rosto. Olho mais um

pouco. Linda. Estás belissima. Olho em frente, baixo um bocado a cabeça,

fecho um bocado os olhos, so por um segundo. Ruido colorido sobre preto.

Abro os olhos.

' Ok, vou la´ ' digo, ' nao te esqueças de mim... amor '

' nao... ' acalmas-me.

sorrio, assim meio estranho.

Tento, e faço uma cara direita. Ta-se bem. Abro a porta do carro.

Fecho-a. Um baque.

Esta' uma noite porreira, nem esta muita malta por estes lados,

calminho. Tou porreiro. Hmm, deixa ca ver.

Ponho me a olhar, la esta o M grandalhao la em cima, como de costume.

Nada de especial. Vejo o '58 de fora, e' um carro bonito. Comprei-o

por isso... sempre gostei de Buicks. O azul claro matte fica bonito.

O carro esta' lavadinho, bem limpo, mas nao muito. Os cromados brilham.

E' dito que a grelha da frente e' composta de 160 peças.

E' capaz de ser. Olho para ti, aceno te com a mão.

Olho em redor. Ok. Tenho o dinheiro no bolso pequeno das calças.

Vou la dentro, vou la dentro. Olho para a Strip, passam alguns carros,

olho, nao me parecem ser dos antigos. Vejo. Nao, sao recentes, nem

vao a puxar muito. Passa um fixe, um Cortina GXL, parecia fixe.

Vou la dentro. Ando, ando, vou ate a porta do Mac. Abro.

O balcao e' ali. Vou ate' la. Peço o sundae para ti, com chocolate.

Para mim, trago um hamburger simples. Nao tenho muita fome.

Pago, e bazo, saio da porta. Ar fresco bate me no rosto, sabe me bem.

Paro um segundo. Ok, estou aqui. Inspiro. Sigo ate ao carro.

Abro a porta. Fecho-a.

' Tens aqui o sundae '

' thanks ' agradeces.

' Na boa . Comemos aqui ? '

' Hmmm... pode ser, para darmos mais uma volta 'a Strip,

se calhar depois vamos mais ate ao miradouro '

' Ok '

Abro o involucro do hamburger.

Aqui esta' menos iluminado, ainda bem, fora daquelas luzes todas.

Ola Giraça! ...

Amo-te.

Gosto de ti. E' verdade.

Sorrio amargamente.

Olho para ti. 'E isso...

Respiro fundo. Estas lá. Olha. Vês-me?

Ok.

Sigo a abrir o involucro do hamburger, e vou tirar a minha primeira dentada.

Lembro-me de qualquer coisa que fizemos juntos...

espera. ok. ok...

Entao como. Ta´fixe o hamburgerzito. 'E so mais para dar umas trincas.

Continuo a comer. O radio toca baixinho, quase nem percebo o que toca.

Tu, tens a colher de plastico na mao, e começas a comer o teu sundae.

Sempre gostaste do raio dos geladinhos. Hm. Va', come la isso, chatarrona.

Tiras uma colher do gelado, e leva-lo a boca, a olhar para o gelado.

' Eh pa' isso deve ser muito bom ! ' digo secamente

' Mas 'tas com inveja e' ? '

' Muita '

' Ainda bem '

Continuo a comer o meu hamburger. Atenção, nao e' um cheese. E' um hamburger.

Pao, com um hamburger, pickles, cebola picada, e ketchup. E' isso.

Não tem fatia de queijo. Gosto assim.

Como. Sabe bem. Gosto de hamburgers. E' fixe. 'A boa moda Americana.

' The American Dream ' . Olha, ate temos um bocado do nosso ' american dream ',

nao e' mau de todo. Quase que acabo de comer. Olho para ti.

' Queres ? ' dizes, com a tua voz doce.

' Sim , deixa me so acabar de comer '

' ok '

Ok. Desculpa ser chato, mas deixas me dizer mais uma vez que me apaixonei

pela tua voz. Sei la', e' meiguinha. Como e' que fazes isso' ?

Podias ter sido cantora. Foste?

As vezes sozinho, penso na tua voz. E ficamos os dois.

Como o hamburger, amachuco o papel. Meto dentro do porta luvas.

Ainda cabe la' alguma coisa. Olho levemente para o painel do carro,

e' muito giro, tem muitos tons de azul, e linhas antiquadas, um design muito giro.

Misturado com cromado, Linhas arredondadas misturadas com rectas.

Nao percebo muito de design, mas sei do que gosto. E gosto de ti.

Do carro tambem. Mas mais de ti, so um bocadinho.

Ah. Rio.

Escrita juvenil, pueril. Sonhos e coisas dessas. Olha diz-me coisas.

Zaratustra. Fala comigo, minha musa de cabelos ondulados.

' Joao... '

' Sim '

' Gostas de mim? '

' Acho que sim. '

' O amor e' comum ? ' perguntas.

' Nao sei , mas olha, sei que tenho algum para ti, por ti '

' Obrigado. 'Es bonzinho '

' Sou o que posso ' digo-te. ' Da-me la' um bocado disso, entao '

Das me um pedacinho do gelado, da tua colher. Sou feliz assim contigo.

Obrigado, obrigado; por dentro, secretamente, agradeço aos céus.

Pisco o olho. 'Es linda... amo-te, acho que vivo da tua beleza.

Hmmm, deixa ca ver. Tempos, cores, a Strip. Pois e' isso, eu nem meti

o papel do hamburger no cinzeiro, porque nos fumavamos 'as vezes, e depois

aquilo ainda esturricava com a cinza. O radio estava ligado,

ja nao sei se tinhas sido tu a ligar ou tinha ficado assim, começou a dar um som

fixe, ' baltimora - jukebox boy '

' curto deste som ! E' giro , conheces? '

' nem por isso, deixa ouvir ' concentraste-te para ouvir.

' jukebox boy ' toca. melodia, percussao, voz... conta a historia,

aqui aparece, refrao... ' goodbye to the boy, boy, jukebox boy ! '

' e' gira ! ' dizes.

Continuas a comer o teu gelado, pacificamente, alegre.

Encosto me no banco, a teu lado, a ouvir a musica, na tua companhia.

A musica toca. A noite. 'A noite, nós os dois, tranquilamente,

e a musica vai tocando...

Fixe. Esta' tudo porreiro. So´nos os dois. Gosto dos bancos do carro,

hei de falar deles outra vez. Sao fixes, deixa ca ver, tres tons, tecido

azul, com cabeceira azul por dentro, escura, e rebordo branco 'a volta

em nappa, parece-me. Gosto do cheiro , e' de antigamente. Sempre gostei do cheiro

dos carros, este tem um cheiro antigo, de pó, nao sei, qualquer coisa.

Meto a mão no assento, passo a mao pelo assento, sinto o tecido, e' grosso,

sinto a textura, estranha, e' algo que ja nao existe agora, vem de antes,

outrora, dos tempos mais simples, outros tempos; em tu e eu, sim tu e eu,

tambem vivemos, talvez uma outra vida, terias talvez o cabelo preto, e usavas

baton carregado da Channel, vestias lindos vestidos, com estolas brancas,

chapéus diversificados, tudo, com muita, muita, muita classe.

Sempre tiveste classe, sempre foste uma miuda

educada, realmente gosto disso, e tenho sorte, porque 'es delicada, e culta.

Sempre gostei de conversar contigo, sabes manter uma conversa interessante,

desinteressante, sabes ser chata, ser gira, ser má, enfim ser tu.

Unica, como so tu 'es. Fora de todas as invejas, de todas as merdas que nos

rodeiam, de todos estes merdosos com as suas manias, sempre soubeste,

com classe, manter a tua postura e graça. Que se foda o resto.

O tecido do assento, sob os meus dedos, grosso, estranho, antigo, jaz, aqui,

aqui estou, a' noite contigo. Nao se passa nada? Ainda bem, e' assim que

eu queria. Olho para ti, comes o resto do gelado, toda contente. O cabelo quase

que te vai para a cara, tonta. Come. 'Es uma menina, pequenina, e gosto de ti.

Em pequenina devias brincar com bonecas, no teu pequeno mundo.

' Acabei ' dizes;

' Vou la por isso no lixo, ta ? '

' Vai. ' Pego no copo plastico e a sua colher, e levo os la fora ao lixo.

A strip vai tendo algum movimento, nada demais. Esta' uma noite fraca.

Ainda bem, nao me apetece confusao. Por vezes estou cansado.

Zaratustra, temos de falar disso. Estou de novo no carro.

' E agora vamos onde ? ' questiono.

' Sei la, uma volta na Strip, vais ali a loja buscar-me uns caramelos,

e depois damos uma volta por ai e voltamos ao miradouro ? '

' Ok, acho que sim, tambem estou meio sem ideias, amanha se calhar vamos

'a lagoa, mas hoje nao que ainda e' longe '

' Sim, sim, anda ' dizes alegre.

' Sera que eles percebem que nada disto e' real ? ' digo.

' Ta calado João. Deixa-te de merdas... '

Saco do maço de Lucky Strike do porta-luvas. Saco dois cigarros,

fecho o maço, meto o de volta no porta; tu sacas o isqueiro

da tua malinha preta, ( foda-se miuda, estas girissima hoje...

nem sei, esse teu corpo )

acendes-me os dois cigarros que tenho; puxo o ar com os pulmoes, dou um

trago no fumo, e expiro-o. Tiro um dos cigarros dos labios e dou-to.

Aprendi num filme, ' Now Voyager ' de 1942, nao que isso seja interessante.

Dou uma passa no cigarro, a brasa do tabaco acende, e mostra o seu laranja,

o fumo enche o interior do carro. Uma musica toca em fundo. Tu seguras o cigarro

com a mao direita, leva-lo 'a boca, das uma passa... expeles o fumo;

sorris-me. Baza, vamos bazar. Ligo as luzes que iluminam os manometros,

dou uma volta 'a chave. O motor arranca, forte e volumoso, como um comboio

antigo, cansado, mas obrigado a trabalhar, na sua dor. Da´ um coice de fumo,

que lhe passa, e começa a correr correctamente, como por vezes costuma.

Este carro tem vida, que lhe corre pelos cabos e pelo motor. E' um monstro.

Engato em Drive, que estava em Park; acelero, viro o grande volante, com

as suas insignias e linhas antigas.

Acelero, e tiro-nos dali. Contorno o Mac, e vejo me na interseccao para Strip,

sou obrigado a meter uma direita, abro pisca, vejo se nao vem ninguem;

nao; entro na via e acelero. Ruge, leão, ruge, anda, vá!!!

O Buick leva nos com força, para a frente, a Strip respira, com dificuldade,

perante o monoxido de carbono que se apresenta. As luzes misturam-se.

Dou uma passa forte no cigarro, inspiro fundo, e absorvo o fumo, sinto o efeito

do quimico. Ok, vamos! Olho para ti, de soslaio, nao posso deixar-te de te

olhar. Isso nao. Ja sabes o que acho nao ja? Entao para que perguntas?

Teu cabelo farto, ondulado, adorna o teu peito, e tu, em estilo, tiras uma

passa do cigarro. Os teus olhos, assassinos. 'Es como uma modelo, perfeita,

derradeira, ultima. Fera. O Buick assalta a noite, e faz valer o binario do

fundo dos seus 5.5 litros, a rugir la' do fundo da noite.

Tranmissao dynaflow recalibrada no seu melhor. Chegamos ao fim da strip,

damos a volta para tras, para ir aquela loja ao estilo 7/11.

Recta em sentido contrario. Vamos nas calmas; vamos a fumar um cigarrinho,

vamos em Drive; o Special '58 leva-nos, meto o cigarro na mao esquerda,

sobre o volante, deito fora o fumo, pela boca em estilo de argolas,

acho curtido. Vejo-te pelo canto do olho; meto te a mao direita na tua

pernoca, faço uma festa. Poiso-a lá. Sabes me bem. Conduzo.

As construçoes ao largo da strip vao passando , como as ocasionais plantas e

coisas parecidas que a adornam; candeeiros com as suas luzes arroxeadas, como

de costume, o 7/11, e' la' a frente, antes ainda ha' um semaforo.

Vamos em modo descontraido... a curtir a brisa, o motor, e as luzes, a strip,

o movimento, alguns carros que passam, as pessoas no passeio, nas suas vidas,

outros a curtir, puxar motores. Tempo, estrada, motor.

Chegamos ao semaforo. Vermelho. O 7/11 e' ja la a frente, e' so encostar.

Ao lado esquerdo aparece um gajo num Commodore A GS 2.5 , preto, parece fixe.

O gajo olha muito pouco. Sinto lhe os nervos. O gajo esta' com uma chavala,

acho que ja a vi em algum lugar. O gajo acelera o carro um bocado, ri, olha

em frente. Foda-se ate ia, mas tou cansado hoje, hoje tou cansado.

Olho para ti, paixao. Das uma outra passa no cigarro, fazes um ar barato.

Foda-se. Vou? Nao vou? Vou...

Acelero um bocado a merda do 5.5... o mostro nao gosta.

O gajo continua a olhar em frente. Acelera.

Eu acelero, mas menos... o meu carro abana, grosseiramente.

O semaforo abre, o gajo arranca sem muito skid, e eu sigo tambem,

maquinal, robotico, como e' meu apelo, acelero, e o monstro abre via,

começando a comer a estrada... Furia, furia. Estrada, alguma aceleracao,

o odometro corrido, apela 'a subida da velocidade, aceleração,

o carburador Carter AFB de quatro corpos injecta o fuel tao rapido

como pode, talvez as camaras ja estejam todos abertas a esta rotacao.

O gajo continua a acelerar no Commo A. Seguimos mais ou menos par a par;

mas esta merda abusa. Só que este pesa 2250 Kilos, o dele pesa uns 1100;

transmissao manual, sobre um 2.5 Europeu, 'tou la a ir busca-lo;

o Special esta a

entrar no seu canto estilo Overdrive;

vejo no odometro, quase as 60 milhas horarias. Sera´ que o monstro vai

dar mais?

Estrada, estrada, estrada, o Commo vai a acompanhar, quase ao meu lado,

estrada, estrada, estrada, a Strip mostra as luzes, comoção.

Tou naquela... Eu cago na cena; tiro um bocado o pe' do gas, perco embalo;

sim,

começo a ficar para trás;

o cigarro ja' quase a morrer; no cinzeiro espacial do carro.

Quase no caramelo, tiro lhe um bafo;

e mato-o, no cinzeiro.

Morre caralho, morre. Estingue-se. Tu tambem apagas o teu cigarro

no cinzeiro. Fechas a tampa. Chegas-te mais no banco ate' mim,

estamos quase no 7/11; e' ja ali. Ah, miuda.

7/11, 7/11. Olho para la´, esta aberto, ok, as luzes acesas,

o passeio esta vazio,

podemos la estacionar, na boa. As luzes fluorescentes da loja iluminam em

redor, um toldo esverdeado por cima. Consegue-se ver um bocado

la para dentro, tem janelas de vidro. Meto para o passeio, encosto o carro,

desligo.

' Vou la sozinho ou vens tambem ? '

' Tambem vou , apetece-me mexer me ' comentas.

' Entao vamos la' '

Nao devo nada a ninguem , tou na minha, optimo, e' o que se quer, farra,

boa vida e uma mulher como tu.

As agulhas dos manometros vao descendo devagar. Tiro a chave da ignicao,

ta tudo ok? Ta tudo ok, saimos do carro, fechamos a porta e fechamo-las

com o nosso truque. Ok, fechado. Tudo o que quiseres, tudo o que quiseres.

Foda-se vamos la buscar os caramelos. Olho para o '58, descansa va´,

descansa, que eu ja volto. Dois V's horriveis adornam o capot,

com um distico V enorme na frontal. Por baixo, Buick. Cromados,

tinta, chapa demasiado grossa.

Segues 'a minha frente, caminhas sem balanço de ancas ou merdas,

andas quase pe ante pe', na tua, cabelo pelas costas, castanho claro,

castanho escuro, sobre luz fluorescente empobrecida, da noite, da loja,

jeans justos 'as tuas pernas, top branco meio elastico, com alças.

Sapatos brancos. Caminhas. Chego mais perto de ti, pela esquerda,

andamos perto um do outro, caminhamos. Acho que te ouço aqui. Meto a mao

no teu rabo e sem ninguem ver ( nao esta ali ninguem ),

apalpo-te, de manso, com jeito.

Viras a cabeça para mim, de lado. Tens cara de má. Não 'es a cinderela.

Damos as maos, e andamos ate a loja. Entramos, estao la algumas

pessoas, a comprar umas coisitas, sei la, snacks, garrafas,

pensos higienicos, alcool etilico, canetas. Filtro a realidade,

sigo, olho, bom, doces, onde estarao? Estao para ali naquela parte.

Vamos.

Andamos ate a parte dos doces. Pastilhas de todas as cores e sabores,

gomas de todos os estilos, caramelos diversos, para todos os gostos.

Um gajo aqui com a moca, ainda curtia um bocado, e' colorido,

coisinhas e mais outras. Bonito, bonito, lembro de ir pedrado 'as compras

com o meu grupo, era bonito, todos pedrados a comprar batatas, bolos

miniatura e bebidas diversas, ocasionalmente alcool.

Volto, estou aqui, deixa-me ver, entao, doces.

' Entao, aqui estamos... escolhe, va', cara laroca '

' Ui, docinhos! Que bom, deixa me ca ver... estes, estes aqui, estes... '

Tu la ias escolher. Eu fiquei ali parado a ver-te escolher.

Entretida, a ver caramelos e quais ias comprar. Eu acho que ainda vou

comprar um maço de Luckies, ja nao tenho muitos. Arregaço as mangas

da t shirt,

por sinal, ja meio usada, sempre tive a mania de usar a roupa muitos

dias. Bom, deixa ca ver entao, tas ali a ver os caramelos, e isso,

' vou ali ver umas coisas ' digo assim, baixo.

acenas com o rosto. Dou uma volta pelo 7/11, ja ali estive mais vezes,

nem e' dos piores, ja estive em sitios mais sujos que este, ate e' ok.

Saio desse corredor, olho para as coisas, claro, vou ver revistas,

umas gajas giras na capa de umas revistas, fixe, fixe. Alcool de diversas

especies, e mais outras coisas. Olho em volta. Uma ou outra pessoa.

Se isto nao fosse um romance, se calhar para dar emoçao entrava alguem

a querer gamar a loja, mas felizmente isso nao acontece.

Vou comprar os luckies, vou comprar os luckies, vou ate ao teu corredor,

ao pe' de ti, da me impressao que ja escolheste os doces.

' Quero estes, e estes '

' Va, traz isso '

Trazes uns especie goma, moles com açucar, quadrados 'as cores, e uns

tipo caramelo ou rebuçado, ja vejo isso.

' Alguma coisa para bebermos? '

' Coca-cola? '

Pode ser.

' Vai ate 'a caixa ja la vou ter '

Vou ao corredor das bebidas, frigorifico, pego numa garrafa 33cl de cola,

e vou ate 'a caixa, onde estas, a olhar as coisas 'a tua volta.

Estas no teu mundo, nem sequer estas neste, estas no teu mundo,

a ver as coisas , na tua, nao se passa nada.

Olha, pequena, olha.

' Eu pago ' movo as coisas no balcao para perto da caixa,

onde, por tras esta' o empregado.

' E' para pagar, por favor. '

O tipo la' faz a conta aos doces, a cola, e

' um maço de Lucky Strike '. Pago tudo. O tipo mete tudo num saquito

de plastico, no qual eu pego; pego na tua mão, puxo-te e vamos

dali para fora. Abro a porta, saimos, vamos em direccao ao carro,

que esta ali estacionado.

Isto, parece tudo igual mas nao e' . Sendo-o, nao o e'.

Vamos ate perto do carro. Encostamo-nos nele. Ficas encostadinha de

lado;

do lado direito; na parte da frente do carro, pouso o saco no chao,

e fico de frente para ti, chego me a ti, e fico bem juntinho, junto a ti.

Dois corpos, perto um do outro. Ola'...

Eu aguento, eu aguento. Sim. Chego mais pertinho, sinto-te de mansinho...

Olho para os teus olhinhos, mansinhos...

Mansinhos. Ponhos os braços 'a tua volta, pela cintura, a tua cinturinha,

chega aqui, bela, diz que 'es minha. Va la´.

Ficamos a olhar um bocadinho um para o outro, a namorar.

Que docinho que 'es. Não mais aos dias de solidao, nao mais as noites

'a espera, agora, estas aqui, nao quero mais ficar sozinho, desta vez

ficamos juntos. Belos tempos, segundos, minutos, preciosos de namoro e alegria,

arrufos tolos, e brincadeiras só nossas, ficamos ao telefone 'a noite,

falamos; rimos, e prometemos, ' sim, vou amar-te para sempre ' ;

telefono-te do meu quarto, e sento-me na minha cama a falar contigo,

para o teu quarto, a perguntar-te sobre nada, como foi a escola,

como estas?

Hmmmm... conta-me, conta-me.

Aqui estas, estas a minha frente. Estamos aqui perto do 7/11, e' de noite,

namoramos... olho-te mais um bocadinho; posso?

Abres os olhos, com uma expressao fofa, dizes que sim.

Dou-te um beijinho nos labios, ao de leve. Pequenino.

E abraço-te, junto a mim.

Um abraço, meigo. Fico so assim, junto a ti.

Tempo.

Ficamos assim um pedaço a sentir a noite, esta noite,

aqui, perto da loja, na Strip... Ouve se o barulho das coisas la' mais

ao fundo, os carros que passam, algumas vozes que falam , dizem coisas

indistintas, a brisa.

Tempo passa, ficamos aqui mais um pouco, fiquemos; fiquemos.

Respiramos, ficamos juntos. Estamos aqui, fiquemos.

E' de noite, mais uma noite. Esta, e' nossa.

Quase que consigo imaginar a cidade, vista de cima, com todas as

luzinhas,

o movimento, as coisas que correm, maquinais, repetitivas, sempre iguais,

iguais,

outras normais;

a strip ali mais a direita, e nós, la em baixo, abraçados, junto ao Buick;

calmamente.

Pois. Sou um purista, devo ser. O que e' que hei de fazer?

Estamos ali, abraçados. Deve ter algum valor, amar-te um pouco.

Noite, noites sem fim. Noites sem dormir. Noites.

Noites a dormir, tambem. Penso em ti. Agora, deste lado, nada demais.

São dias. Tudo bom, tudo bem, obrigado. Quem e' ? Foda-se(!), ninguem.

Falo sozinho, estou aqui sentado 'a secretaria, a escrever. Fantasmas.

Merda. Olha. Deixa estar. Hmm, e depois, ja nao me lembro para onde

fomos, quero lembrar-me. Onde estaras? Ou seja, sou maquinal. Amas-me?

O amor, e' uma ficcao minha? Vens, se nao te amar? Chamas-me?

Nah. Boa Noite, descansa meu anjo. Palavras. Tou fodido.

Nessa noite, estava com a minha t shirt, rosa escura, da Converse,

jeans azuis claros, tenis pretos da asics ou que era, cabelo normal,

puxado para tras dos lados, e em cima com um bocado de poupa, rocker;

mas nao muito exuberante. Arábia, Persia, foda-se porque e' que

estou a pensar nisto? Devias ser a Cleopatra, tu. So pode.

Jeito para isso tinhas tu, para andar nas Planicies do Nilo, ha' milhares

de anos e coisas dessas. No meio da areia toda. Vejo isso tudo, areia,

A esfinge. E' isso... 'Es a Esfinge. Calor, noites nossas, o vento

quente do deserto. Ah, amor... como te amo, como te amo. Eu sei, eu sei.

Ninguem mais te fará mal, nao mais... nao mais. Só nos, so nos dois,

ainda que esteja sozinho nao me importo, esta tudo bem; tudo bem,

dorme... dorme, meu Amor. Linhas cruzadas. O telefone tocou de manhã...

Eu ja' sabia... Vou la, vou la. Levanto o auscultador. Não e' ninguem.

Ja´ atendi. Ja' atendi. Não e' ninguem, nao era ninguem. Sou eu.

Ok. Carro. 1985, estou aqui, ola' giraça...

' ...Amo-te Leonor '

' Obrigada, João '

' de nada... de nada '

Conforto-te, contra o meu peito. Não mais te magoarao, meu Amor, nao mais.

Conforto-te.

' Contigo, a minha vida e' um rio de infinita beleza '

Sorris, inocente, 'es uma menina. Precisas de carinho. Eu dou-to,

quando nao houver mais, eu arranjo. Eu arranjo. Abraço-te.

Aqui estou Mundo!!! Ouves-me ???!!! Aqui estou!!!!!!!!!

Não morro, não acabo!!!! Sou eu!!!!!

' Entra no carro, amor, volto ja' ' digo,

' Ok , vais fazer o que ? '

' Comprar pastilhas '

' Ta bem '

Dou-te as chaves para a mao, vais abrindo, enquanto vou la dentro

de novo. Entro na loja.

' De me um pacote, destas Chiclet de canela, se faz favor '

Olho em redor, 'a procura de algo que tinha visto ha bocado.

Encontro. Dentro de um recipiente transparente de plastico, uns

rebuçados e coisas açucaradas, e estava la um anel. Abro a tampa,

rodando, e tiro de la' o anel.

' E' as pastilhas e isto '

Pago, e saio, com as pastilhas no bolso de trás, e o anel, meio escondido

na mao esquerda, cuidado para nao derreter.

Entro no carro, abres-me a porta do meu lado.

Entro. Sento-me.

' O que foste fazer ? '

' Comprar pastilhas, chiclets de canela ' respondo.

' Ahh, ok. '

' Ainda nao estas a comer os doces? '

' Nao. estou a tua espera, comemos os dois, boa? '

' Boa '

' Tenho uma surpresa para ti ' refiro.

' Ai e' ? '

' Sim. '

Abro a mao, discretamente, e mostro o anel.

Entra pouca luz para dentro do carro, mas suficiente para se ver.

' Olha, um anel ! '

' E' um anel para ti. Ves como sou teu amigo '

' Que bom '

' Mostra ca' a tua mão '

Estendes a tua mao direita, tento meter o anel de doce no teu dedo anelar,

ate' entra.

' Viste, serviu '

Era uma especie de solitario açucarado.

' Obrigada ' dizes.

Sorrio. Feliz.

Volto. Lembro me de coisas que ainda nao aconteceram, queria ver-te

outra vez. Sera' que ainda nos vemos?

' Vamos para o miradouro ? ' pergunto-te.

' Vamos '

Ignição. Motor a trabalhar. Luzes de manometros,

acendo-as. Deixo o motor trabalhar um pouco. Ligo o radio.

Meto baixo. Mudo de preset. Parece que esta' a dar doo wop.

Deixo tocar, e' na boa. Motor a trabalhar. Tu, a meu lado.

Olho para ti um pouco... contemplo. Contemplo. Tempo.

Se pudesse, subia um pouco. Vamos ao miradouro, eu nao conto a ninguem;

Engato Reverse, acelero parcamente, ando para tras, viro o volante

grande para a direita, vou vendo por cima do ombro, acelero, travo.

Entro na faixa, nao vem ninguem. Engato Drive. Tiro o pe' do travao,

e acelero. Acelero mais um pouco. Começamos a ir em frente,

estamos na Strip. Vamos percorre-la. Lembro-me de uma coisa, porque e' que

todas as coisas belas teem de acabar mal? Sera' que e' mentira?

Talvez nao. O carro segue, o odometro marca 30mph aproximadamente.

Giro o botao das luzes para acender as exteriores.

' Acende-me um cigarro, paixao , por favor ' peço.

Abres o porta-luvas e tiras de la' os luckies, abres o maço, tiras um cigarro,

metes nos labios; tiras o isqueiro da malinha preta, e rodas uma vez a

pedra. Nao acendeu. Rodas outra vez; lume, chegas ao tabaco e puxas,

acendes-me o cigarro. Dás mais um bafo. Expiras o fumo, grosseiramente,

numa nuvem, fica-te bem. Olhas-me, e das me o cigarro para a mao direita.

Chego o cigarro 'a boca, dou um trago no fumo, mantenho o cigarro na mao,

sobre o volante. Expiro o fumo. O fumo por ali.

A noite, a Strip.

' Vamos ' digo-te.

Piso o acelerador com cuidado, a velocidade começa a subir, ainda ha' muita

estrada ate ao fim da Strip. Va Carter, injecta mais fuel...

Mostra-me o que tens, '58, mostra. Piso mais o pedal do acelerador,

as vozes ficam para trás, as cores misturam-se, estou com o motor, esqueço,

ouço as rotações, a estrada vem, vem, vem, vem, não ha carros na faixa,

estrada, a Strip em Camera lenta, movimento fugaz na noite,

concentro-me mais, a estrada vem, sob os white walls do carro,

ainda há mais asfalto, piso mais o pedal, acelero, acelero, vamos rapido,

nem vou ver a velocidade, mas vamos rapido, o motor faz barulho, na sua

forma assustadora, ouço o ar entrar no filtro para o carburador, com força,

5.5 litros puxam, puxam, puxam, os 2200 kilos de aço da besta, e aqui vamos,

tu, e eu, santificados pela força do binario, de uma tecnologia outrora existente,

que se apresenta na forma um Buick Special de 1958... Estrada, estrada, estrada,

fuel... A Strip esta a correr debaixo dos pneus, depressa, depressa, passa tudo

a correr... Estrada, mais metros, mais uns tantos, mais metros e mais outros

tantos. Ouço o motor a trabalhar ja a uma rotação razoavel, constanstemente,

estrada corre, corre...

e deixo me embalar por mais uns segundos, neste som magnifico.

Ouço o som, ouço-o.

Ouço o por mais uns segundos, agora estamos quase a chegar ao fim da Strip.

Tiro o pe' do acelerador suavemente, com cuidado, este carro e' dificil

de controlar, atenção; começamos a abrandar, suavemente, a rotação diminui,

diminui, diminui; a estrada começa a aparecer mais lenta, mantenho as maos

no volante, com precisao, tanta quanto posso; piso o travao um pouco,

desaceleramos mais um pouco, a Strip esta mesmo a acabar, antes de chegar 'a

curva para descer, 'a esquerda. Piso um pouco mais, travamos mais, com

suavidade, este carro e' conhecido por boas suspensoes, e alem disso,

traz travões de disco aos quatro cantos. Suave, suave, estamos quase a

velocidade legal de novo. O cigarro, que estava poisado no cinzeiro, ainda

da para tirar umas passas, pego nele e olha, tiro mais uns tirinhos.

Ahhh, ok, ok.

' Gostaste de gastar gasolina ? ' perguntaste-me.

' Sim. '

' Eu tambem, foi giro '

Meto para baixo, 'a esquerda. Descemos toda a rua, nas calmas.

Miradouro, perto da fabrica. Estacionamos mesmo como ha' bocado,

por sorte nao esta ninguem, na mesma.






jf. ( 11 )

05 / 08 / 10

fomos sair

era de noite... ja depois de jantar...

acho que ja era verao.

fui te buscar, no carro que tinha na altura,

o buick special de '58, azul matte hardtop com branco.

fui tocar a tua campainha, uma vez só,

como me tinhas dito. esperei la em baixo, encostado ao

carro. olhei para cima... em redor...

estava uma noite porreira, calma, sem vento, uma temperatura boa,

de qualquer modo, nunca me importei com o calor ou com o frio,

quando estavas comigo...

olhei para a janela do teu quarto, a luz estava apagada.

na boa, davamo-nos bem, eramos invenciveis,

ninguem se metia no meio de nos,

iamos juntos para todo o lado, era bem giro.

continuei a olhar para a tua janela, do teu quarto,

( o teu cantinho de princesa, o teu cantinho... )

a luz acendeu, via-se ligeiramente o candeeiro,

com a sua luz branda.

vi-te aparecer 'a janela... ai, so de te ver miuda.

olhei assim de lado, e fiz o meu tique com os labios,

enviosado.

acho que sorriste, moravas num andar baixo,

abriste a janela, e ficaste calada. olhaste-me.

ficamos a olhar um para o outro.

falaste. ' ja vou ' disseste baixo.

' ok ' disse-te.

olhamo-nos em silencio. piscaste o olho. fechaste a janela.

desapareceste da janela. fiquei a pensar em ti...

ah, gosto desta miuda... ainda bem que posso passar tempo contigo,

sabes? sei la, 'es divertida, e esperta, divertes-me...

gosto da tua onda... 'es natural, sei la, 'es do meu genero, miuda.

nunca tive jeito para isto. sou so um rapazito com a mania

do romantismo...

mas acho que fomos feitos um para o outro sabes, miuda?

e la continuei encostado ao carro... o carro era bonito,

e tinha boa onda, era ja antigo, banco corrido 'a frente,

bastante potencia, um motor grande, tu gostavas do Special '58.

Era um carro ate nostalgico, diria.

Continuei a espera que descesses... a luz do predio acendeu.

Devias ser tu. Estava a espera que descesses, apetecia-me ver-te.

Eras tu, vi-te dobrar a pequena esquina das escadas ( interiores ),

e dirigir-te para a porta.

O carro, estacionado ao passeio, com a porta direita a dar para o teu

predio.

Dirigiste-te para mim, para o carro. Chegaste perto, desencostei-me da

porta do carro, dei uns passos e fiquei perto de ti...

olhei para ti... brutal, miuda...

linda como sempre, trazias uns sapatos brancos com

jeans azuis, um top branco. meio magrinha, um corpo espectacular,

cabelo castanho com largas ondas, e claro; os teus olhos castanhos...

acho que te amo, miuda.

vamos, vamos embora daqui, vamos dar uma volta.

olhei para o teu rosto, mordi o labio de baixo assim,

dei outro passo, meti te o braço direito atras das costas e encostei te

a mim, ficamos cara-a-cara.

lembras-te? sei que posso nao ser muito giro,

mas gostava de ti... eras linda. beijaste-me na boca, afaguei o teu cabelo

com a mao, fiz te uma festa com os dedos, perto da orelha,

uma festinha no rosto.

ah.

disse-te ' vamos . '

abri-te a porta do carro.

dei-te a mao para entrares. disse ' entra. '

entraste.

fechei a porta. como claro, num carro daqueles a porta era forte,

pancada seca, anos 50.

dei a volta por tras do carro.

entrei.

olhei para ti. sorri e franzi a sobrancelha.

' vamos onde? '

' para onde quiseres '

como era sexta 'a noite, queria era estar na boa, bazar da confusao, e estar

contigo na boa, a falar, sugeri:

' miradouro ? '

' vamos ' disseste.

liguei o radio do carro, ja tinha uma estacao, estava a dar um rock porreiro.

pus baixo.

liguei as luzes do carro, os mostradores acenderam.

verde antigo, sobre cromado. odómetro corrido.

aquele cheiro dos bancos antigos.

banco da frente corrido. olhei-te.

'es linda, sabes?

toquei de leve na tua mao, que estava no banco.

girei a ignicao. o motor fez-se ouvir.

V8, motor de 5,5 litros...

destravei.

seguimos pela tua rua abaixo, e fomos andando ate ao miradouro.

fiz conversa contigo.

' como estas hoje? '

' estou fixe '

' hmm, optimo. eu tambem estou porreiro, a semana ate foi fixe '

' a minha tambem ' disseste.

' tens a certeza que nao queres ir beber um copo , ou assim ? '

' nao, nao, deixa '

' ok... '

seguimos ate ao miradouro.

tu e eu , sempre tivemos conversas futeis, sobre discos, e musica,

e merdas dessas, nunca fomos muito de politica e coisas atuais,

sempre foste uma miuda estranha. eras um bocado hippie,

e bastante maluca. mas esperta. ninguem te punha a mao,

eras como uma fera. mas eu la te aprendi a domar.

nem me deste muito trabalho... ainda bem.

e la fomos seguindo, falando disto e daquilo, e de nada ao fim ao cabo,

alheados do resto, acho que bastava-nos a companhia um do outro para

estarmos na boa ao fim ao cabo. tornámos uma rua, subimos uma outra,

pouca gente na rua,

uma sexta calmita. as luzes do carro antigo, la iam iluminando a estrada.

e eu continuei com a minha conversa usual.

' ola' '

' ola' ' respondeste.

' cheiras bem '

' e' o meu perfume '

e cheiravas. nem sei que perfume usavas, mas devia ser pouco, porque era tenue

e misturava se com o cheiro da tua pele.

entramos la pela parte mais escondida, meio industrial, ja mais perto do miradouro,

com algumas arvorezitas e isso.

chegamos ao miradouro. nao estava la ninguem.

estacionei de frente, ligeiramente enviosado.

' que sorte, esta vazio ' disse.

' hmmmm, realmente '

' tou farta da escola , nunca mais sao ferias '

' ve mas e' se estudas '

sempre quis que estudasses, eras inteligente demais para trabalhar numa merda

qualquer, nao, isso nao.

' sim , vou tratar disso '

' fazes bem. '

o miradouro era porreiro, nao passava la muita gente, sempre podiamos

estar

na boa os dois. tinha vista de cima para uma parte da cidade,

uma ou outra estradita, nada demais, la ao longe, estava se calmo ali.

tinha algumas arvores, era perto de um ou outro armazem, meio escondido.

desliguei as luzes do carro.

ficamos na boa. ah.

' tudo bem, amor ? '

' na boa '

' optimo ... optimo '

ficámos parados.

ouvia-se a brisa, eu tinha a minha janela um pouco aberta.

as arvores moviam se ligeiramente e estava uma temperatura optima.

aproximei-me de ti.

olhaste para mim, desconfiada. de soslaio.

' queres o que ? '

fiz cara de parvo

' nada. '

' hmmmmm ... '

pus o braço a tua volta, por cima do ombro,

e puxei-te a mim, de manso.

ficaste pertinho de mim.

meu Deus, como eras linda.

meu Deus...

fiquei só assim, pertinho, pertinho de ti, do teu rosto,

tu desarmaste a cara de má...

olhei-te.

olhei para ti.

disse, com intenção ' gosto de ti . '

' gosto mesmo de ti . '

sorriste de leve, claro.

dei-te um beijinho pequeno nos labios.

pequenino. sorri por dentro.

o meu coração tinha muita emoção;

muito amor por ti. nao sei se os meus olhos denotaram.

acho que tambem gostavas de mim.

fiquei assim a sentir este amor, leve, mas grandioso,

mais um pedacinho... depois contive-me,

e dei-te um beijinho na bochecha, ao de leve.

nunca quis muito da vida, acho que me bastavas tu.

mas sim, divago.

' queria fugir contigo , vamos fugir '

' vamos ' disseste.

' ja fugimos hoje um pouco ' continuaste.

' sim , tens razao. '

desci um bocado 'a terra.

' tens de me dar uma foto tua '

' eu dou te uma gira '

' sim, nao te esqueças '

ainda tenho essa foto que me deste depois. olho para ela agora, e lembro-me de ti,

acredito que ainda estas comigo, pelo tempo.

era incrivel o tempo que perdiamos a namorar, so na boa, passar o tempo.

quase surreal.

acho que a maior parte das pessoas devem achar uma perda de tempo, estar assim,

na boa. mas a mim fazia me bem. tempos infindaveis de repeticao.

davamo-nos bem. será que mudou alguma coisa e agora no teu castelo

já nao gostarás de mim?

o radio, estava baixo, mas a tocar.

começou a tocar ' men without hats - safety dance '

puseste-te a dançar um bocado, sempre te mexeste bem. confiança nunca

te faltou. seria que tomavas da minha, ou era eu que tomava da tua?

hm, questiono-me.

de qualquer modo, ficavas gira a dançar.

e lá estavamos nós no Special de '58, numa sexta 'a noite, a deixar o tempo

passar, na boa, sem stress, a olhar um para o outro, tambem nós, fortes

como o tempo. éramos putos. a musica batia-nos no peito , forte, o radio

debitava a melodia, a voz do gajo com o eco caracteristico da noite,

parece que vem tudo a memoria, o passado.

beija-me, beija-me, que se foda o resto. dancemos, dancemos, donzela.

começaste a fazer o sinal da safety dance, levantaste o volume do radio,

abriste a porta do carro, saiste, fechaste-me a porta na cara,

e puseste-te a dançar lá fora,

foda-se,

'es linda...

saí do carro atrás de ti pela outra porta, passei pela parte da

frente do carro. a musica toca. dança...

e tu dançavas bem, nem demais nem de menos, nada de coisinhas sexys,

apenas uma bela miuda a dançar, a sentir a musica no peito,

tu sabes,

com um minimo jeito sexy, so para mim, so para mim...

ninguem sabe que danças bem, eu nao digo a ninguem,

tinhas uma confiança nos olhos que nao vejo há anos.

anos, anos. acho que nunca vou voltar a ver disso, eras unica, chavala.

e sabias, claro que sabias, eras para mim... tive sorte.

sofri para te ter. tinhas aquele fogo, a paixao. o teu cabelo

ondulava contigo, abanavas os ombros com jeito, e fazias o passo

com os pés, compassado. meu Deus, que visão. só de te ver, perdia-me,

e nao, nao e' exagero, eras linda... 'es linda. será que 'e proibido dizer isto,

ou ate sera´ que e' foleiro? nao faz mal, que seja foleiro.

linda.

estava a tua frente, só a bater com o pé , a ver dançar, nada pretenciosa,

nada demais, nada de menos, parecia algo vindo do céu.

pensando bem, tivemos demasiados momentos destes, por isso e' que me

deixaste assim.

perdia-me nos teus olhos.

era uma loucura. a seguir o som fez fade na radio...

paraste de dançar um pouco com jeito, acabaste naquela.

uns anuncios na radio, quaisquer coisas em fundo,

interludio.

o vento...

o silencio.

claro, claro.

dei um passo ate ti, abracei-te pela cintura, puxei-te ate' mim,

inclinaste-te para trás, claro. abanaste o cabelo.

dei te um beijo no pescoço, leve, outro mais ao pe´ da orelha, por trás.

riste. desarmas-me. e agora? hmm? palavras? acções? nao, deixa estar, miuda.

'es demais. diz que gostas de mim, faz me acreditar que e' verdade,

para quando me sentar 'a noite no meu quarto, sozinho, possa acreditar que

alguem gosta de mim. assim quando passear no Buick, pela noite, sem ti,

possa rir-me e saber que te tive para mim. so para mim.

na radio, entrou 'a sucapa, um outro som,

' foreigner - urgent '

' gosto deste som ' disse-te, e continuei

' hei de ouvi-lo um dia sem ti '

olhaste para mim.

parámos.

começaste a marcar o compasso com um estalar de dedos...

um, dois, tres, quatro.

um, dois, tres, quatro.

comecei a marcar compasso com os pés e depois com os ombros,

sabes qual era o jeito que eu dava... um... e depois, outro,

um... e depois o outro, mantendo o compasso com os pés.

começaste a dançar, juntaste-te a mim, anda.

entao começamos a dançar juntos, começamos a sentir um ao outro...

equilibrio puro, cuidado, sem hesitação, fronteiras ou algo similar.

mas pensaste em alguma coisa, enquanto dançavas comigo?

eu nao. tu tambem não, pois nao, que eu vi.

e preocupaste-te?

dançámos, dancámos, nos os dois...

a musica tocava...

sabia bem.

e tocava.

nao, nao era foleiro, era a musica, o tempo , as notas,

o volumes, os agudos, os graves, o teu olhar, doce, mas poderoso

e seguro como nenhum outro.

claro, claro, obrigado, eu sei.

via cada gesto das tuas maos a moverem-se com a musica, brutal,

poesia monumental, 'es poesia, dança, dança comigo, mais esta vez...

de quando a quando fechavas um pouco os olhos, enquanto ouvias a musica,

ia tocando... doçura, nem sei bem explicar-te. dancei tambem para ti,

tambem tenho algum jeito, tambem tenho alguns truques,

alguns passos estudados, decorados,

ja perdi algum tempo a aprender.

ja passei algumas noites na discoteca;

passámos.

e assim , dançando, dançando, um para o outro,

deixámos passar mais uma musica

nesta noite, uma das nossas noites. esta acabou.

meti a mao pela janela do carro,

baixei um pouco o volume do radio.

olha-me, paixao, olha-me.

na altura nao perdiamos tempo. era tudo bom. ao menos tivemos esse tempo.

encostaste-te ao carro.

fiquei a olhar para ti, frente a ti, de pé.

tinhas o cabelo comprido, castanho. bem, deixa me ver os teus olhos,

acho que nao deixas muita gente ve-los. vejo os sim, e sinto te,

deste me a chave. bem, digo-te que 'es espectacular, fazes-me bem,

sem ti acho que isto nao tinha piada. nah. so se eu fosse religioso, se

calhar. hmmm...

os teus olhos, deixa me que te diga, teem qualquer coisa, certamente,

pois apaixonei me por ti; assim. assim. e depois nao sei, o que tu 'es,

as vezes pensava se eras assim para me agradar, ou se serias mesmo assim,

por natureza. eras mesmo assim. eu sei. os teus olhos, deixa me ve-los,

fazem me lembrar qualquer coisa, deixa me ver... nao sei, acho que,

acho que... nao sei... nao sei. mas como e' que me apaixonas assim?

gostava de saber fazer isso. vou deixar isso para ti. olha, sabes...

deixa me ver-te. deixa. bem, saindo um bocado do meu pensamento, voltei 'a

realidade, estavas a olhar-me, toda gira, encostada 'a porta do carro de

perna meio traçada. a luz incidia sobre ti, fraca, de um ou outro candeeiro que

estava ali. luz meio arroxeada ou que era aquilo. eram aquelas lampadas maradas

que havia.

' 'tás a pensar no que ? '

' num livro que vou escrever sobre nós ' disse-te.

' eh la '

' pois... '

breves segundos...

' olha la para as tuas maos ' disse-te

tu puseste-te a olhar para as tuas maos.

eu ri-me.

' tens piada tu ' riste , algo mázinha.

' ah ah ' retorqui.

um passo 'a frente, e dei-te um beijo nos labios, curto.

tenho saudades de te sentir em mim, agora estou no outro lado, penso.

sei que andas por ai, sinto-te, mas.

' mostra-me as tuas maos ' disseste. tinhas uma voz doce, e apaixonada,

parecia que tu; tu, quando falavas trazias uma paixao na voz, arrebatadora...

parecia que dizias assim:

' mostra-me as tuas maos ' , mas eu tambem ouvia :

' amo-te tanto , olha da-me amor, vá-la, vá '

estranho. devia , devo ser louco, hm. de certeza era uma fantasia minha,

eu sei que era. nunca tive juizo.

sempre tive medo de te perder. gosto de ti.

mostrei-te as minhas maos.

' tens umas maos bonitas, bem cuidadas '

nesse aspecto ate tinhas razao.

' toca-me ' disseste. e puseste a minha mão direita sobre o teu rosto,

de lado, para que te afagasse. fiz-te uma festa, e sorri ligeiramente com os

olhos.

' 'es a minha rainha ' continuei com o meu sorriso de ar sofredor.

bonito, bonito. 'e isso.

disse assim, um pouco alto:

' este mundo, 'e teu! '

recorrente. palavras. mas seriam? o vento, continuava, manso,

as folhas das arvores que estavam ali no parque , sussuravam tambem,

um pouco... ah. nem calor, nem frio. bom.

e o vento passava... calmamente.

e, nós, ali... os dois. o carro.

escondidos... alheados de tudo.

' olha, porque e' que gostas de mim ? ' perguntei-te.

' nao sei ... ' continuaste

' porque eu acho que me sonhaste '

' sim, e' por isso ' fiquei assim, meio.

parámos. reparei que no rádio estava a dar uma coisa que me parecia...

' domino dancing , pet shop boys '

afastei-te um bocado e pela janela levantei o volume.

por acaso era mesmo. perguntei-te:

' queres ouvir ? '

' pode ser '

deixámos a musica entrar... boa onda...

ficamos a ouvi-la um bocado. os dois encostados ao carro... Special '58.

tu estavas do meu lado direito; pus-te o braço por cima do ombro.

sentia o teu calor.

a musica ouvia-se bem. ficava fixe. ia correndo.

vamos ouvindo... ia olhando um pouco em frente, de vez em quando, para ti.

olá giraça. boa onda... bom momento.

sempre me fizeste as vontades... agradeço.

nao sei. sei que gosto de ti. 'e belo poder estar contigo. sim.

sorri por dentro, e depois sorri um pouquinho, nostalgico.

feliz. alegre... sorrio.

sabes...

acho que nós, somos uma canção eterna. um para o outro.

cosmos.

hmm. acho que sim. olá giraça! baixei um bocado do volume do radio,

peguei-te pela mao, e fomos nos sentar um bocado no beiral do miradouro.

pusemo-nos a olhar la para baixo... havia umas estraditas, passavam uns carros

'as vezes... umas casitas la ao longe. e nós, ca muito em cima a ver.

' olha, olha, uns carrinhos que passam ' disseste.

' pois ... '

' o que e' que andaram a fazer ? ' perguntaste-me.

' nao faço ideia ' disse-te.

' es mesmo desinteressante '

' ve la se levas ' disse

' olha ! ' disseste.

eras má. ficaste com a cara, a olhar me de lado e cara de má.

' mas o que e' que andam a fazer ' perguntaste de novo.

tentei pensar numa cena para dizer.

' eh, pa, sei la a atrofiar '

' ahhh, viste ja sabes ' disseste.

' disse 'a toa, burra '

' nao me chames burra, totó. levas '

' pronto, ok. '

o vento. o tempo. ambiente... musica de fundo...

olá giraça. olhei-te. estavas com as pernocas abertas, uma para cada lado,

em cima do beiral, que era estreito, virada de frente para mim.

eu tambem. demos as maos, frente a frente.

olhamos um para o outro.

' isto e' romantico ' disseste.

' ah, sim, pois e' ... vou tentar dizer uma cena romantica. '

' 'es muita gira , e cenas dessas, vou amar-te para sempre '

' obrigado ' disseste.

dialogos interminaveis. cenas futeis. as vezes tenho flashbacks desses

momentos. Graças a Deus. E se pensar, vou mais fundo e lembro me de outras

coisas. Era bonito. Pairavamos sobre as coisas, nao estavamos bem no mundo,

acho que por assim dizer, estavamos no céu. Teremos morrido, Amor, e agora

estamos mortos? 'As vezes penso que sim. Cenas futeis. Conversas sobre discos,

sobre o nada, sobre o que ocorria. tempos mortos, tempos vivos, alegria,

tristeza, mas era bom, era bom e tu amavas-me, como ninguem.

Como nunca ninguem o poderia fazer. So tu. Olá Giraça, da me a tua mão.

Sorri, olhei para ti. 'Es magnificamente bela, magnifica, surreal.

So estou bem... sabes como? Perto de ti.

'Es tudo para mim... nada disto faria sentido sem ti. Nada.

A ver se nao me esqueço, de me lembrar da primeira vez que te vi...

Ahh... ah, sim... lembro-me. Eu depois escrevo. Agora que penso nisso,

bom, 'es perfeita. Acordo.

Tocas-me no ombro.

' João ? ' chamas.

Sobressaltado.

' Sim ? '

' entao ? '

Estava a absorver aqui o momento.

' Hmmm, ta bem ' disseste.

' Queres ir dar uma volta na Strip daqui a bocado ? '

' Pode ser, claro ' continuei:

' Queres ir la fazer alguma coisa? '

' Sei la, ir ao Mac '

' boa, boa, aproveitamos para dar uma volta... cruisin'... alinhas ? '

' pode ser. e acelerar um bocado ? ' perguntaste.

' sim ' disse.

' fixe ' concluiste.

Pus a minha perna direita por cima da tua esquerda, para ficar mais

perto de ti, e cheguei me perto de ti para te beijar.

Dei-te um beijo na boca, demos. Um beijo, durante um pedaço;

'as vezes fecho os olhos, nao sei. Ao de leve. Pois.

Beijamo-nos. Sempre gostei de te beijar. E' algo tao simples, mas ao mesmo tempo,

bastante unico, e teu, so teu. Continuamos a beijar-nos. Belo.

Fazes-me feliz. Desculpa por ser fraco 'as vezes.

Anda, Bela Adormecida. Vamos 'a Strip.

Parámos de nos beijar. Olhei-te, os teus olhos tinham uma tal paixao, fomos

feitos um para o outro, nao tenho qualquer duvida, les isso ?

Sim, e' verdade, digo-to eu. E via essa paixao, um calor... simples, eras tu.

Afinal, 'es uma mulher. A minha. Porra, 'es linda. Morria por ti.

Eu disse-to. Olha, vamos 'a Strip.

O teu corpo, brutal, nem sei... perfeito, quase que parei...

O top branco, com esses jeans... o teu cabelo. Essas ondas do teu cabelo,

castanho. Abanaste a cabeça a dar um jeito ao cabelo, e passaste-lhe com a mao.

Levantei-me. Tu tambem. Fomos ate ao carro. Abriste a porta, e nao entrando,

tiraste alguma coisa do tablier.

Uma malinha preta de tiracolo, daquelas pequeninas, de onde tiraste

um espelho pequenino.

Viste-te ao espelho, limpaste o canto da boca com o dedo, e puseste baton,

um rosa leve, que tinhas dentro da malinha.

Eu, entrei no carro para conduzir. Tu entraste tambem.

Fechaste a porta e estavas a arrumar as coisas na malinha preta.

Olhaste para mim.

' Olá ' disseste.

' Vamos ? ' perguntei.

' Sim ' respondeste.

Tempo.

A noite.

Silencio.

Engatei o Reverse.

Meti a mao 'a chave, que ja estava na ignicao...

Girei-a.

O 5.5 Litros começou a trabalhar... lento e cansado...

pela noite...

Trabalhava.

Fiz marcha atras, e inverti o sentido, para sairmos do parque,

travei.

Liguei as luzes.

Engatei o Drive, e acelerei um pouco, saimos do parque,

contornamos a fabrica,

e subimos a rua, ...

O '58 levou nos dali para fora, lento e semi compassado.





jf. ( 11 )

01 / 08 / 10